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Carlos André Santos de Oliveira

Artigo de Opinião

É diretor-executivo do Sistema OCB/ES e vice-presidente do Sebrae/ES
Carlos André Santos de Oliveira

O mundo não é dos mais fortes, mas dos que cooperam

Desde a Revolução Cognitiva, a história da humanidade pode ser lida como uma sucessão de formas cada vez mais complexas de cooperação
Carlos André Santos de Oliveira
É diretor-executivo do Sistema OCB/ES e vice-presidente do Sebrae/ES

Públicado em 

10 fev 2026 às 10:00
Se alguém te perguntasse o que fez do ser humano a espécie dominante do planeta, qual seria sua resposta? Ao longo da história, várias características permitiram que nós nos diferenciássemos dos demais animais e assumíssemos a posição que temos hoje, mas uma teve um papel particularmente importante: a capacidade de cooperar.
Para muitas pessoas, o cérebro humano foi o único fator responsável por essa ascensão. Entretanto, a existência dessa anatomia diferenciada, por si só, não garantiu que os humanos construíssem o que vemos hoje. O que possibilitou esse salto evolutivo da nossa espécie foi a forma como esse órgão passou a ser usado socialmente.
O historiador Yuval Noah Harari, autor de vários best-sellers, aponta que o Homo Sapiens moderno já existia há cerca de 200 mil anos, tendo praticamente o mesmo tamanho e estrutura cerebral atuais. Mesmo assim, durante milênios ele seguiu sem produzir arte complexa e mitos elaborados e sem organizar sociedades com grandes números de membros.
Até então, a cooperação já existia, mas, assim como em outras espécies, ficava restrita a um número pequeno de membros. Apesar disso, essa característica foi combinada a possíveis mutações genéticas que alteraram as estruturas neurais, especialmente aquelas ligadas à linguagem e à imaginação, permitindo que um novo passo fosse dado.
Por volta de 70 mil anos atrás, durante a chamada Revolução Cognitiva, emergiu nos Homo Sapiens a capacidade da cooperação em larga escala, primeiro com centenas e depois com milhares de indivíduos. Essa característica deu a eles uma vantagem: mesmo não sendo os mais fortes, os mais resistentes ou os mais ágeis da natureza, eles conseguiram não apenas sobreviver, mas dominar o planeta.
Essa capacidade aprimorada – de conectar um número grande de membros – permitiu que pequenos grupos se unissem, crescessem e ocupassem mais espaços. Com o avanço da linguagem, os Sapiens passaram a compartilhar fatos, experiências e conhecimentos, além de colocá-la para uso da imaginação, que também foi estimulada.
Mãos dadas; cooperação; cooperativa
Cooperação Crédito: Pixabay-Pexels
O que a história nos conta a partir daí é a estrada que nos traz para o presente. A cooperação possibilitou que a espécie se expandisse para todo o planeta, inclusive em lugares bastante isolados, domesticando plantas e animais, criando organizações sociais complexas (com hierarquias, leis e sistemas de poder), inventando a escrita para registrar o que antes ficava restrito ao cérebro e unificando toda a sociedade.
Desde a Revolução Cognitiva, a história da humanidade pode ser lida como uma sucessão de formas cada vez mais complexas de cooperação. Cada marco — da agricultura à ciência — ampliou nossa capacidade de agir coletivamente, criando a realidade atual. A atuação conjunta não apenas permitiu aos Homo Sapiens sobreviver, mas evoluir a passos largos, mostrando que o mundo não é, necessariamente, dos mais fortes, mas dos que conseguem cooperar.
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