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Mauro Quintão

Artigo de Opinião

É administrador hospitalar, especialista em gestão de instituições de saúde de grande porte, limpeza e higienização hospitalar.
Mauro Quintão

Material de limpeza é coisa séria

Sujidades visíveis e invisíveis exigem ciência, não improviso. Já vi inúmeras vezes a mistura de cloro com outros compostos transformar-se numa verdadeira bomba caseira
Mauro Quintão
É administrador hospitalar, especialista em gestão de instituições de saúde de grande porte, limpeza e higienização hospitalar.

Publicado em 10 de Fevereiro de 2026 às 13:45

Publicado em 

10 fev 2026 às 13:45
Há tempos presencio pessoalmente que, na ânsia de economizar tempo e obter um “super resultado”, muitas pessoas cometem um erro gravíssimo: misturar produtos químicos de limpeza de alto poder. Limpeza é uma equação técnica: produto químico + diluição correta + ação mecânica. Profissionais sem preparo confundem as coisas e acreditam que, ao misturar dois ou mais produtos, obterão um “super material”. Ledo engano.
Sujidades visíveis e invisíveis exigem ciência, não improviso. Já vi inúmeras vezes a mistura de cloro com outros compostos transformar-se numa verdadeira bomba caseira. E o mais assustador: essas misturas não acontecem apenas em ambientes industriais. Elas ocorrem dentro de casas, em piscinas domésticas, academias, clubes e condomínios — locais onde o risco parece improvável, mas é real.
Material de limpeza é um dos itens que não poderão ser cobrados pelas escolas
Material de limpeza  Crédito: Divulgação
Na área da saúde, o tema é ainda mais sensível. Limpeza hospitalar não é estética: é segurança assistencial. No pós-Covid-19, muitos produtos tiveram suas dosagens e fórmulas alteradas, especialmente com uso intensificado de cloro e peróxido de hidrogênio.
Higienizantes utilizados em lavanderias hospitalares também evoluíram, acompanhando protocolos mais rígidos. Nada disso é motivo de temor quando há EPIs, treinamento e profissionais habilitados. O perigo nasce do amadorismo.
Além disso, há um ponto crítico pouco discutido: a higienização inadequada de sistemas de ar-condicionado em hospitais e clínicas. Um equipamento mal limpo, tratado com produtos errados ou por pessoas sem preparo, pode transformar o ar em vetor invisível de risco. Piscinas, reservatórios, dutos e ambientes fechados exigem responsabilidade técnica.
Material de limpeza é coisa séria. Quando lidamos com saúde, prevenção e segurança, a vigilância deve ser dobrada. Quem antecipa riscos, governa processos e salva vidas.
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