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É coronel da reserva da Polícia Militar e ex-secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Espírito Santo

Guerra do tráfico chega ao presídio de segurança máxima no ES

A inteligência penal deve estar atenta e monitorar constantemente esses sinais de tensão. Os agentes de presídio também desempenham papel fundamental

  • Alexandre Ofranti Ramalho É coronel da reserva da Polícia Militar e ex-secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Espírito Santo
Publicado em 12/02/2025 às 12h02

A guerra entre facções criminosas no Espírito Santo, ligada ao tráfico de entorpecentes, agora invade o Presídio de Segurança Máxima. No pátio do banho de sol, faccionados do Terceiro Comando Puro (TCP), Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando de Vitória (PCV) entraram em confronto direto.

Colocados juntos no mesmo ambiente, a violência escalou rapidamente. Durante o embate, chuços, feitos de vergalhões, foram apreendidos, destacando a gravidade da situação dentro de uma unidade de segurança máxima.

A rivalidade entre facções, que já ocorre nas ruas, agora transborda para o sistema prisional. A tensão interna, acentuada pela presença dos faccionados no mesmo espaço, era visível. A inteligência penal deve estar atenta e monitorar constantemente esses sinais de tensão. Os agentes de presídio também desempenham papel fundamental, sendo necessárias em momentos como esse a sensibilidade e a percepção do clima interno, capaz de antecipar e prevenir episódios violentos.

As consequências dessa guerra interna são sérias. O risco de expansão do conflito para outras unidades prisionais pode sobrecarregar ainda mais os policiais penais e aumentar a violência dentro do sistema penitenciário. Além disso, a intensificação da guerra nas ruas é uma preocupação constante, já que as facções continuam a controlar o tráfico de entorpecentes. A violência no presídio de segurança máxima pode afetar diretamente as comunidades, ampliando o ciclo de criminalidade.

O episódio no Presídio de Segurança Máxima reforça a necessidade de um monitoramento mais eficaz da inteligência penal e de ações mais rigorosas para identificar sinais de tensão. A presença de chuços nas mãos dos presos indicava um clima crescente de violência, algo que não passou despercebido aos policiais penais, que trabalham para manter a ordem em um ambiente hostil.

Penitenciária de Segurança Máxima II, em Viana
Carlos Alberto Silva | Arquivo. Crédito: Carlos Alberto Silva | Arquivo

As polícias ostensiva e investigativa devem aumentar suas intervenções em virtude do conflito no presídio de segurança máxima, que pode também se alastrar nas comunidades mais carentes, onde o tráfico de entorpecentes ainda atua fortemente e coordena ações criminosas.

O Presídio de Segurança Máxima deve ser capaz de conter presos altamente perigosos e nocivos à sociedade capixaba, que não podem ser subestimados. A busca por uma segurança máxima exige vigilância constante e a revisão rigorosa das regras de controle. É fundamental que o Estado não descuide dessas medidas para evitar que situações como a recente escalem ainda mais, colocando em risco a segurança dos capixabas e a integridade dos profissionais envolvidos.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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