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É pastor, doutor em Ciências da Religião, escritor e professor

“Estive preso e viestes me ver”: ignorância e ataques aos rappers capixabas

O trabalho voluntário dos rappers capixabas no Iases no último dia 19 deve ser interpretado pela população como um serviço púbico importantíssimo e, em perspectiva teológica, profundamente cristão

Publicado em 30/11/2021 às 02h00
O artista Cesar MC
O artista Cesar MC. Crédito: Diego Cavaleiro Andante

Na Bíblia, Mateus 25.31-46, o evangelista apresenta um conjunto de ações consideradas louváveis e dignas. Na belíssima passagem, Jesus fala das práticas daqueles cuja postura comprova a fidelidade aos seus ensinamentos. Entre as atitudes listadas, encontra-se o trato misericordioso e solidário com a população carcerária: “Venham benditos do meu Pai, recebei por herança o Reino preparado para vós [...] Pois tive fome e deste de comer [...] preso e viestes me ver” (Mt 25).

A sabedoria social que subjaz ao texto bíblico antecede em anos os princípios básicos de defesa dos direitos humanos das pessoas presas e o principal papel do sistema prisional: a ressocialização.

Por isso, atividades culturais, assistência médica, formação profissional, cuidados básicos e promoção da dignidade dos internos não são sinônimos de conivência e impunidade, mas o caminho indispensável no processo de reintegração dos egressos, o que resultará em diminuição da violência e mudanças estruturais.

Infelizmente, a opinião pública acaba, por desconhecimento ou maldade, fortalecendo modelos contrários aos desenvolvidos nas grandes nações e, por essa e outras razões, continuamos tendo as piores prisões do mundo.

Dessa forma, o trabalho voluntário dos rappers capixabas Cesar MC, Noventa, CH e Diego, o Cavaleiro Andante, no Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases) no último dia 19 deve ser interpretado pela população como um serviço púbico importantíssimo e, em perspectiva teológica, profundamente cristão. Portanto, os ataques aos artistas nas redes sociais são sintomáticos e revelam desleixada ignorância.

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Nós capixabas, de maioria declaradamente cristã, urgentemente precisamos compreender melhor as palavras do mestre: “Em verdade lhes digo que, sempre que o deixaram de fazer a um destes mais pequeninos [e no texto estão os presos], foi a mim que o deixaram de fazer" (Mt 25.45).

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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