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É diretor do Instituto Ideias, organização especializada em sustentabilidade, ESG e economia de impacto, que atua na conexão entre pessoas, empresas e territórios para impulsionar transformações sustentáveis

Eficiência energética: como usar melhor a energia que já temos

Isso significa gerar a mesma quantidade de energia, consumindo menos recursos naturais, e obter o mesmo desempenho com um gasto menor de energia

  • Vitor Romero É diretor do Instituto Ideias, organização especializada em sustentabilidade, ESG e economia de impacto, que atua na conexão entre pessoas, empresas e territórios para impulsionar transformações sustentáveis
Publicado em 05/03/2026 às 15h10

No dia 5 de março, quando se celebra o Dia Mundial da Eficiência Energética, a discussão sobre o futuro da energia ganha um foco que costuma passar despercebido. Em meio a debates sobre usinas solares, parques eólicos e carros elétricos, esquecemos de olhar para a solução mais imediata, acessível e estratégica: usar melhor a energia que já temos.

A chamada eficiência energética significa gerar a mesma quantidade de energia, consumindo menos recursos naturais, e obter o mesmo desempenho com um gasto menor de energia. Para a população em geral, a contribuição é possível ao fazer escolhas mais sustentáveis.

Alguns exemplos: optar por lâmpadas LED, preferir aparelhos modernos (com o Selo de Eficiência Energética), fazer melhor aproveitamento da ventilação e luz natural nos ambientes e utilizar sistemas inteligentes que monitoram e ajustam o consumo em tempo real.

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Lãmpada de Led. Crédito: Shutterstock

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), melhorias em eficiência energética podem representar mais de 40% das reduções de emissões necessárias até 2030 para manter o mundo na trajetória das metas climáticas. Em termos práticos, isso significa que a energia mais limpa é aquela que não precisa ser gerada.

A intensidade energética global, indicador que mede quanta energia é usada para gerar riqueza, tem melhorado nos últimos anos. No entanto, o ritmo atual está bem abaixo do necessário. Para limitar o aquecimento global a 1,5°C, a taxa anual de melhoria em eficiência precisaria praticamente dobrar nesta década.

O Brasil possui uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo, uma vantagem competitiva importante. No entanto, essa condição favorável não elimina um desafio central: ainda exploramos pouco o potencial da eficiência energética. Reduzir desperdícios, modernizar processos e incorporar inteligência ao consumo pode gerar impactos tão significativos quanto expandir a oferta de energia.

Avançar em eficiência é a forma mais rápida, econômica e estratégica de fortalecer a transição energética. Cada quilowatt-hora que deixamos de desperdiçar representa redução de custos, menor pressão sobre o sistema elétrico, aumento da segurança energética e ganho direto de competitividade para o país. Trata-se de uma agenda que combina economia com responsabilidade ambiental.

Transformar eficiência em cultura, e não em ação pontual ou resposta emergencial, é o grande desafio desta década. Empresas precisam incorporar metas claras de redução de consumo em seus planejamentos estratégicos. Governos devem estruturar políticas públicas consistentes e previsíveis. Consumidores, por sua vez, podem assumir protagonismo por meio de escolhas mais conscientes.

No Dia Mundial da Eficiência Energética, a reflexão é inevitável: antes de discutir apenas como produzir mais energia, precisamos discutir como utilizá-la melhor. A transição energética não depende exclusivamente de novas fontes. Depende, sobretudo, de uma mudança de mentalidade capaz de alinhar desenvolvimento, competitividade e responsabilidade climática.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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