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Dez anos e grávida: temos que nos indignar e proteger nossas crianças

Menina que engravidou do tio em São Mateus era estuprada desde os seis anos.  Temos que denunciar e cobrar das autoridades

Publicado em 13/08/2020 às 15h37
Atualizado em 19/08/2020 às 12h01
Gravidez na adolescência
Uma criança que perdeu a inocência de forma traumática e com sequelas para uma vida toda. Crédito: Divulgação

Dez anos, estuprada desde os 6 pelo tio e grávida de seis meses. Uma criança que perdeu a inocência de forma traumática e com sequelas para uma vida toda. Mas o que a gente não pode perder é a indignação. Sei que alguns dirão: "Aí, que notícia triste! Vamos falar de coisa boa!"

Gente, é a vida de uma criança traumatizada, desemparada e quem nem sabe mais o que é certo ou errado. Uma situação deplorável. Começa seu desenvolvimento aprendendo o que tem de pior no ser humano.

São tantas perguntas que tenho. Um delas é: ninguém viu, ninguém desconfiou ou alguém acobertou? Fui buscar ajuda para entender, relatos, histórias e uma luz sobre o que fazer.

juíza Patrícia Neves, da Vara de Infância e Juventude de Vila Velha, relatou casos estarrecedores como o de uma menina de 11 anos que está na gravidez do segundo filho. É, você não leu errado, não: 11 anos e dois filhos. Patrícia Neves constata ainda no dia a dia dos seus mais de 30 anos de magistratura que o abuso e o estupro de crianças de zero a 12 anos têm aumentado, sem falar dos estupros dos bebês de zero a um ano.

Não gostou do que leu? Acha que sou "portadora de notícia ruim", não é mesmo?!

Mas digo a você: ninguém está imune. Temos que denunciar, nos indignar, cobrar das autoridades e cuidar das nossas crianças.

Já pensou quando o filho da criança de 10 anos nascer? Vamos contar: "Olha, você é filho do tio da sua mãe, que foi estuprada durante 4 anos por ele, ninguém fez nada e você está aqui".

Como assim, ninguém fez nada? Quer carregar a culpa da omissão para "não discutir um tema tão pesado" e mais comum do que imaginávamos?

É a "cegueira" que convém aos abusadores livres para agir e uma falta de humanidade. Nem vou falar das estatísticas que mostram a realidade, o desenvolvimento e o futuro de uma criança abusada. O que quero aqui é convidar você a se unir conosco na cobrança, no debate e na denúncia.

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A autora é jornalista e editora do Bom Dia ES

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