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Conscientização é primeiro passo para lidar com desigualdades raciais

No Dia da Consciência Negra, orgulho-me em destacar o trabalho da diplomacia americana junto a parceiros brasileiros para endereçar esse tema com responsabilidade, priorizando iniciativas fantásticas de afro-brasileiros

Publicado em 20/11/2020 às 05h00
A uma parcela população, em sua maioria preta e pobre, é apenas concedida uma cidadania parcial
No século XXI, os EUA ainda enfrentam o legado de um passado de segregação. Crédito: Freepik

A luta por liberdade, dignidade e direitos civis é contínua mesmo em sociedades democráticas fortes como o Brasil e os Estados Unidos. Estamos sempre batalhando por uma “união mais perfeita”, exigida por nossos cidadãos. A conscientização é o primeiro passo para lidar com as desigualdades raciais, econômicas e políticas. Uma forma de aprendermos juntos é abordando as dolorosas cicatrizes de desigualdades deixadas pela nossa história comum como países que permitiram a escravização de povos africanos.

Nos EUA, a escravidão foi abolida em 1865, marcada pelo fim da Guerra Civil Americana e pela 13ª Emenda da Constituição, embora o fim da escravidão por si só não tenha garantido direitos básicos a antigos escravos e seus descendentes. Muitos estados mantiveram leis e políticas segregacionistas mesmo no século XX.

Hoje, continuamos enfrentando o legado dessas leis e normas sociais, como demonstrado nos recentes protestos contra violência policial. Essas leis e regras definiam os lugares e os serviços públicos que pessoas negras podiam utilizar, levando a injustiça e segregação. À medida que a resistência a essas políticas crescia, o movimento dos Direitos Civis nasceu.

Isso não é apenas parte da história. No século XXI, os EUA ainda enfrentam o legado de um passado de segregação. A morte trágica do afro-americano George Floyd Jr. por um policial branco trouxe essas frustrações de volta ao centro da consciência americana. O tema racial está sendo discutido em todo o país, de jantares em família a reuniões de trabalho.

Na embaixada e nos consulados no Brasil, há muito estamos comprometidos com um tratamento igualitário e trabalhando para reconhecer e erradicar desigualdades raciais por meio dos nossos programas. Nosso ambiente de trabalho é um espaço seguro para funcionários discutirem os desafios que enfrentam como minorias, e manteremos nosso compromisso de educar e corrigir desigualdades.

No Dia da Consciência Negra, orgulho-me em destacar o trabalho da diplomacia americana junto a parceiros brasileiros para endereçar esse tema com consciência e responsabilidade, priorizando iniciativas fantásticas de afro-brasileiros. Em outubro, financiamos um curso de inglês online para mulheres empreendedoras junto ao Instituto Das Pretas, do Espírito Santo. Também patrocinamos bolsas de estudos de inglês no Rio de Janeiro e Salvador para jovens afro-brasileiros. Nesta semana, o consulado do Rio organizou um tour virtual pelo Cais do Valongo, um sítio arqueológico importante para a comunidade afro-brasileira, em cuja conservação investimos 500 mil dólares. Criamos espaços para as pessoas discutirem a contínua batalha pela igualdade racial.

Embora pareçam pequenos, esses atos são guiados pelo espírito de, juntos, encontrarmos soluções para construir um mundo mais seguro para todos. Acreditamos realmente que nossas ações devem refletir nossa crença de que todos os homens e mulheres são iguais.

O autor é cônsul geral dos EUA no Rio de Janeiro

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