A Petrobras vai investir R$ 32 milhões para financiar 1.500 bolsas de iniciação científica destinadas a estudantes negras do ensino médio, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O Projeto Inspiração, como foi batizado, foi assinado nesta terça-feira (30/06), em Brasília, pela gerente geral de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, Roberta Alves Mendes, e pelo presidente do CNPq, Olival Freire Júnior.
O programa vai priorizar alunas pretas e pardas do ensino médio regular em situação de vulnerabilidade social, com o objetivo de estimular a formação em carreiras de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (as chamadas STEM) e em pesquisas ligadas ao setor de óleo, gás e energia.
Ao longo dos três anos do ensino médio, indicadores como frequência, aproveitamento, produtividade e evasão serão acompanhados para medir o impacto da iniciativa.
As bolsistas vão receber um auxílio mensal de R$ 550 e desenvolverão seu currículo lattes, artigos científicos e apresentarão seus trabalhos anualmente.
De acordo com a Petrobras, o projeto tem potencial de alcançar mais de 700 comunidades no entorno de unidades da companhia, distribuídas em 141 municípios de 16 estados.
O CNPq também lançará um edital para universidades com linhas de pesquisa alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, cobrindo temas como inovação, energia sustentável, tecnologias para a indústria de energia e impactos das transformações do planeta.
A iniciativa integra um projeto de pesquisa do Centro de Pesquisa da Petrobras voltado à mobilização e inclusão de jovens em carreiras STEM, dentro da agenda de Transição Energética Justa da empresa. A agenda busca enfrentar um desequilíbrio que aparece no próprio quadro de funcionários: hoje, 87% dos profissionais de carreira STEM da Petrobras são homens, e apenas 32,75% do total se autodeclaram pretos ou pardos. Entre as mulheres, a presença de negras é ainda menor — 1,19% se autodeclaram pretas e 3,38% pardas, somando 4,57%.
Segundo o Inep, o Brasil avançou no acesso à educação, mas os resultados de aprendizagem em áreas STEM seguem baixos desde a educação básica. Dados do Pisa 2022 mostram o país na 65ª posição em Matemática e 61ª em Ciências entre 81 países avaliados, com 73% dos estudantes abaixo do nível básico em Matemática e 55% abaixo do básico em Ciências. No ensino superior, apenas 15,6% dos graduados concluem cursos STEM, colocando o Brasil na 47ª posição entre 48 países analisados.
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