Com o encerramento do prazo de entrega do Imposto de Renda 2026 marcado para 29 de maio, os contribuintes entram na reta final para enviar a declaração. O contribuinte que perder essa data fica sujeito a uma multa mínima de R$ 165,74, que pode chegar a 20% do imposto devido.
O primeiro lote de restituição será liberado também no dia 29 de maio, último dia do prazo de entrega. A Receita Federal espera receber cerca de 44 milhões de documentos.
Neste ano, a fiscalização está mais rigorosa devido ao novo modelo de cruzamento de dados que utiliza o eSocial e a EFD-Reinf, em substituição à antiga Dirf. A mudança gerou um aumento no número de declarações retidas na malha fina, o que corresponde a quase 7% das entregas feitas até o fim de abril.
De acordo com o advogado tributarista Teuller Moraes, o Fisco tem mudado de perfil: “Estamos deixando para trás a postura da administração tributária repressiva e reativa, substituída por uma gestão que antecipa os problemas dos contribuintes e os orienta antes de qualquer ação”.
Por isso, deixar a declaração para os últimos dias pode aumentar a chance de falhas, como erros de digitação, classificação incorreta de rendimentos — como férias e 13º salário —, além de valores duplicados em despesas médicas.
Para garantir que sua declaração seja enviada corretamente, confira as principais orientações de Moraes:
Fique atento aos detalhes
A melhor estratégia para reduzir erros manuais é optar pela declaração pré-preenchida, mas é fundamental comparar os dados atentamente com os próprios recibos médicos e informes de rendimentos.
Ao indicar os gastos de dependentes para aproveitar o abatimento do IR, sempre informe os rendimentos que eles obtiveram no ano anterior. Como a renda do dependente é somada à do titular e pode aumentar o imposto, o ideal é simular se compensa mantê-lo no documento ou optar por declarações separadas.
Não tenha medo de terceirizar. Caso não tenha segurança ao utilizar o programa gerador, contratar um contador é uma forma prática de zerar o risco de cair na malha fina.
Verifique seu histórico no e-CAC. Esse passo é importante para não repetir erros por falta de checagem da situação fiscal anterior. É possível identificar pendências que passaram despercebidas e evitar o risco de cair na malha fina.
Nos últimos dias do prazo, o volume de acessos causa lentidão no sistema. Por isso, evite os horários comercial e noturno, quando se concentram o maior número de acessos. Opte por enviar a declaração no início da manhã ou de madrugada.
Quem precisa declarar
A entrega da declaração em 2026 é obrigatória para quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00 no ano-calendário de 2025 ou rendimentos isentos que superem R$ 200 mil.
Os contribuintes que possuíam bens ou direitos com valor total acima de R$ 800 mil até o fim de 2025 também precisam declarar.
Lembrando que, para fazer as deduções, os contribuintes podem abater gastos de até R$ 2.275,08 por dependente e despesas com educação limitadas a R$ 3.561,50 ao ano.
Já enviei, e agora?
Após a etapa de envio, o contribuinte deve ficar atento ao cronograma dos lotes da restituição. Quanto antes a declaração for enviada e processada sem erros, maior é a probabilidade de receber a restituição nos primeiros lote de pagamentos liberados pela Receita Federal.
A ordem de prioridade para a restituição favorece idosos com mais de 80 anos, seguidos por aqueles com mais de 60 anos, pessoas com deficiência, profissionais do magistério e, por fim, quem utilizou a declaração pré-preenchida ou optou pelo recebimento via Pix.
Para evitar sufoco no futuro, Teuller também destaca que a dica de ouro agora é antecipar a preparação para o próximo ano. A recomendação é reunir, digitalizar e guardar os recibos e comprovantes em uma pasta ao longo de todo o ano, facilitando o processo da declaração em 2027.
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