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Infância

Entenda os riscos do uso de antibióticos em crianças

Alergias, risco de doenças crônicas e desequilíbrio do intestino são consequências do uso excessivo dessa medicação

Publicado em 21 de Fevereiro de 2026 às 08:01

Redação de A Gazeta

Publicado em 

21 fev 2026 às 08:01
Criança tomando remédio
O uso frequente desses medicamentos nos primeiros anos de vida está associado a desequilíbrios no intestino Crédito: Shutterstock
Com o aumento dos quadros respiratórios e viroses ao longo do ano, muitos pais acabam seguindo rapidamente a recomendação de prescrição de antibióticos para aliviar os sintomas das crianças. No entanto, mesmo quando obtidos de forma adequada, o uso repetido e sem necessidade real pode trazer prejuízos importantes à saúde infantil. Em muitos casos, especialmente em infecções virais, o antibiótico não é indicado e outras medidas podem ser suficientes no tratamento inicial.
Em uma dor de garganta, por exemplo, a causa pode ser viral ou bacteriana, e a confirmação é feita por meio do exame de estreptococo, solicitado quando há sinais que sugerem infecção bacteriana. Nem toda inflamação requer antibiótico e a avaliação clínica cuidadosa ajuda a evitar tratamentos desnecessários.
O uso frequente desses medicamentos nos primeiros anos de vida está associado a desequilíbrios no intestino, maior propensão a alergias, risco de doenças crônicas e possíveis impactos no desenvolvimento neurológico. O pediatra Hamilton Robledo, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, explica como esses efeitos surgem e reforça a importância de um acompanhamento médico criterioso.
“Os antibióticos eliminam tanto bactérias nocivas quanto as benéficas, essenciais para a formação da microbiota intestinal. Esse desequilíbrio pode causar diarreias, desconfortos gastrointestinais e enfraquecimento da imunidade. Em situações de uso excessivo, há ainda relatos de associação com atrasos no desenvolvimento”, explica.
Quando a criança recebe antibiótico sem necessidade, especialmente para quadros virais, abrimos espaço para problemas que vão além daquele episódio de doença
Hamilton Robledo - Pediatra
Hamilton diz que a microbiota se altera, a imunidade perde eficiência e o risco de condições futuras aumenta. "É uma interferência que pode acompanhar o indivíduo por muitos anos”, complementa.
Outro ponto de preocupação é a resistência bacteriana. O uso inadequado fortalece microrganismos que deixam de responder a tratamentos tradicionais, reduzindo as opções terapêuticas para infecções graves. Mesmo com esses riscos, o antibiótico continua indispensável quando há infecção bacteriana comprovada, como pneumonia, infecção urinária ou otite supurada. A chave, segundo o especialista, é discernir quando o medicamento é realmente necessário e evitar que se torne a primeira resposta a qualquer febre ou mal-estar.

Saiba quando usar

- Usar antibióticos somente diante de confirmação ou forte suspeita de infecção bacteriana, sempre com indicação médica;

- Evitar automedicação e não utilizar sobras de tratamentos anteriores;

- Não insistir em antibióticos para quadros virais;

- Manter vacinas e consultas de rotina em dia;

- Observar se a criança melhora com hidratação, descanso e controle de sintomas antes de considerar o uso do medicamento

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