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Dia Mundial do Rim: urina escura pode indicar problemas graves nos rins

Dia Mundial do Rim: urina escura pode indicar problemas graves nos rins

A cor da urina pode ser um indicativo se algo no organismo está ou não indo bem, dependendo da variação de cores

Publicado em 14 de março de 2024 às 08:00

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urina escura pode indicar problemas graves nos rins
A cor da urina pode ser um indicativo se algo no organismo está ou não indo bem. (Shutterstock)

No Brasil, o rim é o órgão mais transplantado, com mais de 66% dos procedimentos realizados e com mais de 38 mil pessoas na fila de espera, segundo dados do Ministério da Saúde. Hoje é o Dia Mundial do Rim, data escolhida para a prevenção e educação das doenças renais.

Os rins são responsáveis por filtrar todas as impurezas da corrente sanguínea, removendo resíduos tóxicos resultantes do metabolismo corporal, como ureia, creatinina e ácido úrico. Segundo o nefrologista Rene dos Santos Neto, da Fundação Pró-Renal, a cor da urina pode ser um indicativo se algo no organismo está ou não indo bem, dependendo da variação de cores, indo do amarelo-claro (cor ideal) ao amarelo-escuro e âmbar profundo, que pode ser indicativo de desidratação.

Já a urina transparente pode indicar hidratação em excesso. O médico também alerta que o consumo exagerado de água também pode ser prejudicial, levando a um quadro de hiponatremia, na qual os níveis de sódio no sangue se tornam muito baixos. “É importante manter o equilíbrio, bebendo água conforme as necessidades do corpo”, explica.

As cores incomuns e que são sinais de alerta são: laranja (concentração de vitamina C ou problemas na vesícula/fígado), azul ou verde (medicação ou infecção bacteriana) ou rosa, que podem ser resultantes do consumo de certos alimentos, medicamentos ou corantes. Cores anormais ou persistentes, especialmente se a urina estiver turva, escura, vermelha ou com a presença de sangue, pode ser indicativo de algo mais sério no organismo.

“Urina com cor de Coca-Cola, por exemplo, ou marrom escuro podem indicar condições sérias como desidratação, infecção do trato urinário, doença hepática, hemólise ou rabdomiólise. É fundamental, nesse momento, procurar avaliação médica para determinar a causa e o tratamento adequado”, alerta o nefrologista.

Cuidados no exame de urina são essenciais

Para detectar se existe algum problema de saúde, principalmente relacionado aos rins, o mais indicado são os exames de urina e os de sangue, para avaliar a creatina e a taxa de filtração celular, que mede a capacidade dos rins em excretar os resíduos do sangue. “Exames de urina, como a urinálise, como a relação albumina-creatinina e a microalbuminúria, também são muito importantes para detectar anormalidades e avaliar a velocidade da progressão da doença renal”, complementa o médico.

Para ter um diagnóstico mais preciso, os pacientes devem ter alguns cuidados na hora de coletar a urina. Algumas dicas são:

  1. Realizar a coleta preferencialmente pelo período da manhã, caso não seja possível reter a urina por 2 horas. É importante para a concentração de analitos;

  2. Realizar uma higiene adequada da área genital antes da coleta, com água e sabão ou lenço umedecido;

  3. Lavar as mãos com água e sabão;

  4. Usar recipiente estéril na coleta de urina de jato médio, descartando o primeiro jato de urina;

  5. Coletar a urina direto no recipiente, pelo menos 10 ml. Se a coleta for feita em casa, é importante que seja entregue em até duas horas ao laboratório e as mulheres devem evitar realizar este exame no período menstrual.

Doenças renais

Uma das doenças que atingem o órgão é a estenose da junção ureteropélvica (JUP). A enfermidade provoca um estreitamento na junção do rim com o ureter, canal que leva urina à bexiga, prejudicando o fluxo normal da urina. Com isso, a urina se acumula na pelve renal e o rim pode sofrer dilatação e perder sua função a longo prazo. A estenose de JUP impossibilita o fluxo normal da urina, podendo levar a hidronefrose, dilatação do rim.

O urologista Felipe Merlo, da Rede Meridional, enfatiza que para o tratamento da doença uma das indicações é a cirurgia de pieloplastia, que pode ser feita por meio robótico, de forma minimamente invasiva, para aliviar a dor do paciente, preservar a função renal e com taxa de sucesso superior a 95%.

Geralmente, um paciente que realiza a cirurgia de pieloplastia robótica fica 24 horas no hospital. “Esse tipo de cirurgia é feito por meio de pequenas incisões no abdômen. Nelas, são colocados os braços do robô, que se movimentam a partir do comando do médico que o controla. A cirurgia robótica permite que o paciente tenha uma melhor evolução e alta mais rápida, além de resultados cirúrgicos melhores. A gente consegue executar os movimentos com mais clareza, há uma menor perda sanguínea e o paciente sente menos dor”, revelou.

A estenose de JUP é uma condição congênita, frequentemente diagnosticada em crianças, já que o paciente, muitas vezes, nasce com ela. Contudo, pode acometer adolescentes, adultos e até mesmo a terceira idade. Podendo também ser adquirida como consequência de cálculos renais, coágulos de sangue no ureter ou após cirurgias prévias no trato urinário.

Dentre os sintomas mais comuns que os pacientes com estenose de JUP podem apresentar, estão: dor lombar; desconforto abdominal, principalmente após a ingestão de líquidos, hematúria (sangue na urina); infecção urinária e formação de cálculos renais.

O nefrologista Sergio Gobbi explica que as doenças renais têm um impacto muito grande na saúde do paciente. Os rins filtram o sangue várias vezes ao dia, removem impurezas e toxinas geradas pelo organismo e por substâncias externas, como medicamentos. Além disso, regulam a quantidade de água, controlam os níveis de sais no corpo, a pressão arterial, produzem hormônios essenciais para a produção de células vermelhas do sangue e ativam a vitamina D.

“Então, quando a saúde renal está comprometida, todo o organismo sofre. Por isso é importante que todos se lembrem da saúde renal, busquem o auxílio de um médico nefrologista, urologista, pois algumas doenças renais são silenciosas e a demora no diagnóstico pode levar a perda total do rim”, alertou.

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