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Dengue pode causar hepatite? Médica explica a sequela da doença

Dengue pode causar hepatite? Médica explica a sequela da doença

A hepatite pode ser uma complicação da dengue, especialmente em casos mais graves da doença, pois o vírus pode afetar o fígado

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Guilherme Sillva

Editor do Se Cuida / [email protected]

Publicado em 28 de agosto de 2025 às 08:00

Rafaela Marquezini
Rafaela Marquezini foi diagnosticada com dengue grave Crédito: Reprodução @ Rafaelamarquezinioficial

A apresentadora Rafaela Marquezini, da TV Gazeta, foi diagnosticada com dengue grave e teve que ser internada na UTI, já que o resultado do exame de sangue mostrou um quadro com 12 mil plaquetas. A quantidade de plaquetas considerada normal no sangue varia entre 150 e 450 mil por microlitro. 

Em casos mais graves da doença, como foi o caso da jornalista da TV Gazeta, podem surgir complicações como a hepatite a ascite, que é o acúmulo de líquido na cavidade abdominal, mais conhecido como 'barriga d'água'. "A dengue deixa outras sequelas, como a hepatite e ascite. Estou fazendo acompanhamento médico com infectologista. Eu quase morri de dengue hemorrágica", contou.

dengue é uma infecção viral transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti. A doença afeta milhões de pessoas em todo o mundo e, em alguns casos, pode gerar graves complicações. O Brasil registrou uma queda de 76,2% nos novos casos de dengue ao longo do primeiro semestre de 2025, em comparação com o mesmo período no ano anterior, segundo os dados do Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde. Até a 26ª semana epidemiológica deste ano, período que terminou no dia 28 de junho, o país contabilizou 1,49 milhão de infecções, contra 6,27 milhões em 2024. No ano passado, o Brasil bateu o recorde de ano com mais casos e mortes por dengue de toda a série histórica.

O que é a hepatite após a dengue

A hepatite pode ser uma complicação da dengue, especialmente em casos mais graves da doença, pois o vírus pode afetar o fígado, causando inflamação (hepatite) e outros problemas hepáticos. "Isso significa que o fígado fica temporariamente inflamado por causa do vírus. Qualquer vírus pode dar esse tipo de inflamação, chamada de aguda porque dura menos que seis meses. Quando passa desse período, já chama de hepatite crônica, que não acontece no caso de infecção pela dengue", diz hepatologista Mariana Pacheco, da Rede Meridional. 

A médica explica que esse tipo de hepatite é uma inflamação passageira do fígado, provocada pelo próprio vírus da dengue. Diferente das hepatites virais 'clássicas' (como hepatite A, B ou C), essa não é transmitida de pessoa para pessoa — é apenas uma reação do organismo à infecção pela dengue.

"Geralmente, ela aparece durante a fase mais intensa da dengue ou logo após, quando o vírus já afetou o fígado. Pode ser mais comum em casos graves de dengue, e é um dos critérios de gravidade dessa doença", diz Mariana Pacheco.

Os sintomas são inespecíficos na maior parte dos casos e se confundem com os da própria dengue, que podem ser cansaço, enjoo e vômitos, e dor abdominal, principalmente do lado direito. "E também pele e olhos amarelados (icterícia) em alguns casos, esse já mais específico dos casos de hepatite". 

Não existe um remédio específico. O tratamento é de suporte a hidratação, o repouso, a alimentação adequada e o acompanhamento médico. "Também é fundamental evitar remédios que possam agredir ainda mais o fígado, como alguns analgésicos e anti-inflamatórios. Mas é uma complicação que passa sozinha com a resolução do quadro de dengue", diz hepatologista.

Apesar de ser muito raro, em alguns casos pode ser necessário o transplante de fígado. "Em situações graves, quando o fígado perde a capacidade de funcionar, pode ser necessário um transplante. Mas felizmente, a maioria dos pacientes, com hepatite por dengue, melhora apenas com cuidados clínicos", finaliza.

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