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Conheça os sintomas, as causas e os tratamentos do transtorno de acumulação

Conheça os sintomas, as causas e os tratamentos do transtorno de acumulação

Condição caracterizada pelo acúmulo e dificuldade em descartar objetos desnecessários pode estar relacionada a outras doenças mentais

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 20:30

O transtorno de acumulação é uma condição psicológica que causa dependência com objetos desnecessários (Imagem: Lana Ko | Shutterstock)
O transtorno de acumulação é uma condição psicológica que causa dependência com objetos desnecessários Crédito: Imagem: Lana Ko | Shutterstock

O transtorno de acumulação é uma condição psicológica caracterizada pela acumulação e dificuldade em desfazer-se de objetos desnecessários “Não é ‘bagunça’ ou ‘falta de organização’: é algo que causa angústia real, pois existe um apego emocional forte aos pertences e uma sensação de perda ao jogá-los fora”, explica Ana Paula Manzolli, psicóloga especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Treinamento Neural.

Sinais do transtorno

Além dos sintomas citados, o transtorno de acumulação também apresenta outros sinais, como:

  • Medo excessivo de ficar sem um objeto; 
  • Crença na funcionalidade dos pertences;
  • Compras compulsivas;
  • Perda dos itens acumulados;
  • Desorganização intensa;
  • Sofrimento ou ansiedade quando alguém tenta ajudar a organizar a casa;
  • Vergonha pelo excesso de bagunça.

Possíveis causas do transtorno

Assim como outras condições psicológicas, o transtorno de acumulação não possui uma causa única. Na verdade, ele é multifatorial, podendo envolver fatores biológicos, traços de personalidade e eventos traumáticos.

Em relação aos fatores biológicos, Michele Silveira, psicóloga e logoterapeuta, explica que, em alguns casos, há alterações em áreas cerebrais responsáveis pela tomada de decisão, regulação emocional e atenção. Já sobre os traços de personalidade , pessoas com características obsessivas, perfeccionistas ou que têm dificuldade em processar informações podem estar mais vulneráveis ao transtorno.

Por sua vez, “experiências de perdas significativas, traumas na infância ou lutos mal elaborados podem desencadear ou exacerbar o transtorno. O objeto acumulado torna-se um ‘substituto simbólico’ da pessoa perdida ou da segurança que se foi”, acrescenta a psicóloga.

Consequências para a vida dos indivíduos

O transtorno de acumulação não se resume apenas aos sintomas citados, ele também pode afetar a vida dos indivíduos de outras formas. Com o tempo, a bagunça fruto do acúmulo se torna excessiva, transformando a casa em um ambiente perigoso, difícil de limpar e, até mesmo, insalubre.

Além disso, segundo a psicóloga Ana Paula Manzolli, a condição costuma gerar conflitos familiares, divórcio e problemas financeiros. Afinal, pela desorganização , fica difícil lidar com contas e prazos. “Em casos de inquilinos, muitos acabam sendo despejados”, complementa.

O transtorno de acumulação ainda pode coexistir com diferentes doenças (Imagem: Stranger Man | Shutterstock)
O transtorno de acumulação ainda pode coexistir com diferentes doenças Crédito: Imagem: Stranger Man | Shutterstock

Transtorno de acumulação e outras doenças

Além das consequências citadas para a vida dos indivíduos, o transtorno de acumulação ainda pode coexistir com diferentes doenças, sendo raramente algo isolado. Uma das principais condições é o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) . De acordo com dados da pesquisa Hoarding disorder in adults:   epidemiology, clinical features, assessment, and diagnosis, cerca de 15 a 20% das pessoas que apresentam o distúrbio acumulativo também lidam com o TOC.  

Ademais, “o transtorno de acumulação pode coexistir com depressão, ansiedade, uso de substâncias, distúrbios de personalidade e declínio cognitivo, o que reforça a necessidade de uma abordagem multidisciplinar para avaliação e tratamento”, pontua a Dra. Giovanna de Andrade, psiquiatra da Clínica Revitalis.

Tratamentos indicados

Os tratamentos para o transtorno de acumulação podem incluir uma combinação de psicoterapia , medicamentos e intervenções psicossociais, como terapia motivacional, apoio familiar e treinamentos em habilidades de organização. Além disso, hábitos saudáveis, como sono adequado, atividade física regular e boa alimentação, são essenciais durante os processos terapêuticos.

Contudo, “casos graves podem demandar intervenções comunitárias e atuação de serviços sociais ou autoridades de saúde pública para garantir segurança e condições de moradia”, esclarece a Dra. Giovanna de Andrade.

Os benefícios dos tratamentos geralmente envolvem a diminuição da ansiedade e da angústia em relação ao descarte dos objetos, redução substancial da desorganização doméstica, autonomia, estabilidade emocional, melhorias nas relações familiares e reintegração social.

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