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Câncer ou lesão muscular? Influenciadora de 29 anos morre após confundir sintomas

Câncer ou lesão muscular? Influenciadora de 29 anos morre após confundir sintomas

A morte da influenciadora taiwanesa Wang Wei-Chien, após um câncer diagnosticado em estágio avançado, reacende o alerta para os sinais silenciosos do linfoma

Publicado em 23 de março de 2026 às 18:31

Wang Wei-Chien
Wang Wei-Chien foi diagnosticada com um câncer em estágio avançado Crédito: Reprodução @fayzzzzzzz_

A morte da influenciadora taiwanesa Wang Wei-Chien, aos 29 anos, após um câncer diagnosticado em estágio avançado, reacende o alerta para os sinais silenciosos do linfoma, um tipo de tumor que pode começar com sintomas facilmente confundidos com condições benignas, como lesões musculares.

A jovem começou a sentir dores e um inchaço na região da axila, que inicialmente atribuiu ao esforço físico. A percepção de um caroço persistente, no entanto, levou à procura por atendimento médico, quando recebeu o diagnóstico de linfoma, em 2021. Apesar do início do tratamento, a doença evoluiu rapidamente nos anos seguintes.

Durante o período em que enfrentou a doença, Wei-Chien compartilhou sua rotina nas redes sociais com milhares de seguidores, relatando os desafios físicos e emocionais do tratamento. Em uma das publicações mais marcantes, após a queda de cabelo causada pela quimioterapia, recebeu o apoio do namorado e de amigos, que rasparam a cabeça em solidariedade. “Naquele momento, senti que não precisava ter medo”, escreveu à época.

Além da presença digital, ela também fundou uma marca de skincare enquanto realizava o tratamento. Após sua morte, a empresa informou o encerramento das atividades. Em sua última publicação, feita na véspera do Ano Novo, deixou uma mensagem breve: “Vejo vocês no próximo ano”.

Na última década, o termo Linfoma ganhou as manchetes após uma série de personalidades famosas revelarem o diagnóstico da doença. E não é à toa que ouvir falar sobre esse tipo de câncer está mais comum: de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Brasil, são estimados cerca de 15.630 novos casos de linfomas para cada ano do triênio de 2026-2028, sendo 3.070 do tipo Hodgkin e 12.560 do não Hodgkin. E, segundo a entidade, por motivos ainda desconhecidos, o número duplicou nos últimos 25 anos, principalmente entre pessoas com mais de 60 anos.

De acordo com uma pesquisa feita pelo Observatório de Oncologia, entre 2008 e 2017, foi mostrado que o linfoma costuma ser diagnosticado tardiamente no Brasil. Cerca de 58% dos pacientes descobrem a doença em estágio avançado e 60% dos homens e 57% das mulheres têm um diagnóstico tardio.

Mas, do que se trata esse tipo de tumor?

De forma simplificada, os linfomas podem ser classificados como Hodgkin, mais raro e que afeta em especial jovens entre 15 e 25 anos e, em menor escala, adultos na faixa etária de 50 a 60 anos, ou não Hodgkin, cujo grupo de risco é composto por pessoas na terceira idade (mais de 60 anos). Para Mariana Oliveira, onco-hematologista da Oncoclínicas, apesar de não haver prevenção por desconhecimento do que leva ao surgimento da neoplasia, a chave para deter a evolução progressiva do tumor é o conhecimento. "A boa notícia é o fato de os linfomas terem alto potencial curativo. O diagnóstico precoce é fundamental para alcançar o êxito no processo terapêutico, por isso o esclarecimento à população é essencial", afirma.

Os sintomas em geral são aumento dos gânglios linfáticos (linfonodos ou ínguas, em linguagem popular) nas axilas, na virilha e/ou no pescoço, dor abdominal, perda de peso, fadiga, coceira no corpo, febre e, eventualmente, pode acometer órgãos como baço, fígado, medula óssea, estômago, intestino, pele e cérebro.

"As duas categorias - Hodgkin e não-Hodgkin -, contudo, apresentam outros subtipos específicos, com características clínicas diferentes entre si e prognósticos variáveis. Por isso, o tratamento não segue um padrão, mas usualmente consiste em quimioterapia, radioterapia ou a combinação de ambas as modalidades", explica Mariana Oliveira.

Em certos casos, terapias alvo-moleculares, que tem como meta de ataque uma molécula da superfície do linfócito doente, podem ser indicadas. "Estas proteínas feitas em laboratório atuam como se fosse um ‘míssil teleguiado’ - que reconhece e destrói a célula cancerosa do organismo", ressalta. Ainda, dependendo da extensão dos tumores e eficácia das medicações, pode haver a indicação de transplante de medula óssea.

Diante dos desafios impostos pela crescente incidência da doença, novas alternativas terapêuticas vêm surgindo para combater os linfomas, especialmente para os que não respondem aos tratamentos convencionalmente indicados. "A medicina tem avançado nos últimos anos principalmente através da terapia celular", afirma a especialista.

Ela conta que o autotransplante, tratamento no qual é realizada uma quimioterapia mais intensa seguida pela infusão da medula do próprio paciente, é uma delas. A terapia com imunoterapia é outra. Com bons resultados apontados por estudos e pesquisas de referência global, o tratamento estimula o organismo do paciente a reconhecer e combater as células tumorais. "De forma bastante simplificada, podemos dizer que os imunoterápicos desativam os receptores dos linfócitos e, assim, permite que as células doentes sejam reconhecidas. Isso faz com que o organismo volte a combater o tumor - e sem causar efeitos colaterais comuns a outras medicações habitualmente adotadas nos processos terapêuticos", finaliza Mariana Oliveira.

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