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Boca seca e coceira na pele: veja alguns sintomas silenciosos da menopausa

Boca seca e coceira na pele: veja alguns sintomas silenciosos da menopausa

Um dos sintomas mais negligenciados, a boca seca, resulta da queda nos níveis de estrogênio, que afeta diretamente as glândulas salivares

Publicado em 29 de julho de 2025 às 15:46

Coceira na pele
A  coceira na pele é frequentemente confundida com alergias ou problemas dermatológicos Crédito: Shutterstock/ Kmpzzz

menopausa é o período em que ocorre a interrupção permanente da menstruação e da capacidade reprodutiva da mulher, marcando o fim da fase reprodutiva. Os sintomas podem variar, mas incluem ondas de calor, suores noturnos, irregularidades menstruais, alterações de humor, secura vaginal...

Porém o corpo feminino pode manifestar condições que a mulher não está atenta. Sintomas como boca seca, coceira na pele, afinamento cutâneo, enxaqueca e mudanças drásticas na composição corporal continuam invisíveis, silenciados pela falta de conhecimento.

“A mulher chega ao consultório dizendo que acorda com a boca colando, com uma coceira inexplicável pelo corpo ou com roupas que já não servem mais, mesmo sem ganhar peso, e quase sempre, ninguém associou isso à queda do estradiol”, afirma ginecologista Fabiane Berta, pesquisadora em menopausa.

Um dos sintomas mais negligenciados, a boca seca, ou xerostomia, é resultado da queda nos níveis de estrogênio, que afeta diretamente as glândulas salivares. A mulher começa a ter dificuldade para engolir, sente a garganta irritada, desenvolve mais cáries e infecções na gengiva, mas raramente alguém liga os pontos. “É impressionante como a saúde bucal da mulher menopausada ainda está fora do radar da medicina tradicional. E estamos falando de desconfortos que comprometem o sono, a alimentação e até a autoestima”, alerta Fabiane.

Outro sintoma subestimado é a coceira na pele, frequentemente confundida com alergias ou problemas dermatológicos. “Já atendi pacientes que passaram por inúmeros dermatologistas, usaram cremes, corticóides, fizeram testes de contato e ninguém pensou em olhar os ovários”, explica.

Fabiane Berta, ginecologista
Fabiane Berta fala sobre os sintomas silenciosos da menopausa Crédito: Divulgação Fabiane Berta

A pele resseca, a barreira cutânea se rompe e a mulher coça até sangrar e o problema é hormonal

Fabiane Berta

Ginecologista

O afinamento da pele, causado pela perda acelerada de colágeno, elastina e estrogênio, também é marcante. Pequenos machucados que antes não causavam preocupação passam a demorar semanas para cicatrizar, a pele das mãos e do rosto se torna mais fina e frágil.

As enxaquecas também entram na lista de sintomas ignorados. Mulheres que nunca sofreram com crises passam a ter dores de cabeça intensas, enquanto outras relatam mudanças abruptas nos padrões habituais. “O cérebro da mulher responde diretamente ao estrogênio. As oscilações hormonais interferem na liberação de neurotransmissores e podem desencadear quadros neurológicos que seriam facilmente evitáveis com diagnóstico precoce e o tratamento adequado”, pontua a especialista.

A médica diz que o corpo muda, e não se trata apenas de ganhar peso. “A mulher olha no espelho e não se reconhece. A cintura desaparece, a gordura se acumula no abdômen, o músculo diminui e tudo isso acontece mesmo com alimentação equilibrada e atividade física regular”, destaca. Essa redistribuição da composição corporal é consequência direta do declínio hormonal e tem impactos metabólicos sérios, como aumento de risco cardiovascular e resistência à insulina.

A médica lembra que os efeitos da menopausa se estendem para além dos sintomas visíveis. “Quando a mulher entra no climatério, quatro órgãos principais começam a sofrer: cérebro, coração, osso e músculo. A consequência disso pode ser infarto, demência, sarcopenia e osteoporose. E tudo começa com sinais que a maioria ignora”.

Segundo Fabiane, até 2030, mais da metade da população feminina brasileira vai estar na transição da menopausa ou no pós-menopausa. Um contingente de mais de 45 milhões de mulheres. “Estamos diante da maior corte de mulheres pós-reprodutivas da história do país e ainda assim, seguimos tratando a menopausa como se fosse um detalhe”.

A médica finaliza apontando que os sintomas menos falados precisam se tornar prioridade nos consultórios. “É justamente o que não está sendo dito que mais compromete a saúde da mulher. Está na hora de derrubar o mito de que a menopausa é só calorão e TPM eterna, não é. É uma mudança sistêmica e precisa de atenção proporcional à sua complexidade”.

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