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Entenda para que servem os óculos de luz verde usados por Arrascaeta

Dispositivo utilizado por atletas de alta performance ajuda a regular o estado de alerta, mas especialista alerta que seu uso deve ser orientado e não substitui hábitos saudáveis de sono

Publicado em 04 de Setembro de 2026 às 13:48

Por Redação

Publicado em 

04 set 2026 às 13:48
Arrascaeta usa óculos de luz verde antes de partida
Arrascaeta usa óculos de luz verde antes de partida Reprodução @sportv
O meia uruguaio Arrascaeta chamou a atenção dos torcedores ao chegar para uma partida do Campeonato Brasileiro no último dia 02 de setembro, usando um óculos iluminado por luz verde. O acessório, utilizado por alguns atletas de alta performance antes de competições, rapidamente viralizou nas redes sociais.

Trata-se de um óculos da AVA, desenvolvido pelo engenheiro Rodrigo Santana, que leva o nome de Circádia. O nome faz referência a um dos objetivos do acessório: contratar a regulação circadiana da região dos olhos. O objetivo é regular o ciclo de acordar e de dormir. Segundo informações, o aparelho deve ser utilizado por apenas alguns minutos

Segundo o oftalmologista Cesar Ronaldo Filho, do Hospital de Olhos Vitória (HOV), pelas notícias divulgadas, o dispositivo faz parte de uma terapia baseada na exposição controlada à luz, capaz de estimular mecanismos naturais do organismo relacionados ao relógio biológico.

"A retina não participa apenas da formação da visão. Ela possui células especializadas que identificam a presença da luz e enviam essa informação para áreas do cérebro responsáveis por regular o ciclo circadiano, que controla nossos períodos de vigília e sono. Quando utilizamos uma luz com características específicas, é possível estimular esse sistema e aumentar temporariamente o estado de alerta”, explica o médico.

O especialista explica que a chamada fototerapia já é utilizada na medicina em situações específicas, como distúrbios do ritmo circadiano, adaptação ao fuso horário e alguns transtornos relacionados ao sono. No entanto, isso não significa que qualquer pessoa deva utilizar esse tipo de equipamento indiscriminadamente.

"Existe uma base científica para o uso da luz na regulação do relógio biológico. O que precisamos diferenciar é o tratamento médico da utilização esportiva. Em atletas, o objetivo é preparar o organismo para uma atividade em determinado horário. Isso é diferente de afirmar que os óculos aumentam desempenho físico, velocidade ou reflexos em qualquer pessoa”, pontua.
Luz verde é diferente da luz das telas?
A popularização do assunto também levantou comparações com a luz emitida por celulares, computadores e tablets. Apesar de ambas influenciarem o organismo, o oftalmologista explica que elas não são a mesma coisa.

"Os dispositivos terapêuticos utilizam uma emissão controlada de luz, por um período curto e com finalidade específica. Já a exposição prolongada às telas, principalmente durante a noite, pode desregular o ciclo do sono justamente porque mantém o cérebro em estado de alerta quando ele deveria iniciar o processo de descanso”, ressalta.

Por isso, a recomendação continua sendo reduzir o uso de telas nas horas que antecedem o sono e manter hábitos de higiene do sono, especialmente para quem já apresenta dificuldade para dormir.
Todo mundo pode usar esse tipo de óculos?
Pacientes com doenças da retina, fotossensibilidade, histórico de enxaqueca desencadeada por luz ou outras condições oftalmológicas precisam de avaliação antes de utilizar qualquer dispositivo de fototerapia.

"Nem toda tecnologia usada no esporte deve ser reproduzida sem orientação. A luz é um estímulo poderoso para o organismo e pode não ser indicada para todos os pacientes. O ideal é que qualquer uso com finalidade terapêutica seja acompanhado por um profissional de saúde”, pondera o oftalmologista.

O interesse por tecnologias voltadas ao desempenho esportivo cresce a cada ano, mas o médico reforça que elas devem ser encaradas como ferramentas complementares, e não como soluções milagrosas.

"O maior ganho para a saúde ocular continua sendo manter exames oftalmológicos em dia, cuidar da qualidade do sono, da alimentação e da exposição adequada à luz ao longo do dia. Esses fatores têm impacto comprovado tanto na visão quanto no bem-estar geral”, explica.

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