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Anomalia de Ebstein: entenda a doença rara da filha de Juliano Cazarré

Maria Guilhermina já passou por múltiplas cirurgias e procedimentos médicos desde o seu nascimento em junho de 2022

Publicado em 01 de Setembro de 2026 às 15:15

Guilherme Sillva

Publicado em 

01 set 2026 às 15:15
Maria Guilhermina, filha de Leticia e Juliano Cazarré, tem uma doença rara
Maria Guilhermina, filha de Leticia e Juliano Cazarré, tem uma doença rara Reprodução @cazarre e @leticiacazarre
A filha Leticia e Juliano Cazarré, Maria Guilhermina, 4 anos, deu entrada no Centro de Terapia Intensiva neste domingo. A menina já passou por múltiplas cirurgias e procedimentos médicos desde o seu nascimento em junho de 2022. Ela nasceu com uma rara cardiopatia congênita e convive com sequelas da anomalia de Ebstein.

"Depois de quatro dias doente, um deles sentada trabalhando 10h seguidas, eu jurei que o meu domingo seria 100% de descanso (merecido!) e com as crianças. Quantas vezes pode um alguém se enganar? Céus! Deus tinha, obviamente, outros planos. E, claro, mesmo que eu não entenda, os planos dEle são sempre melhores e mais perfeitos que os nossos. Maria Guilhermina está estável, mas precisando de suporte e de exames. Quando a gente entra no CTI, nunca sabe quando vai sair. Reze com a gente para que seja breve!", compartilhou a mãe.

A cardiologista Cristiane Nunes Martins explica que a anomalia de Ebstein é uma doença cardíaca congênita rara que acomete a formação da valva Tricúspide, ou seja, a valva que se localiza entre o átrio direito e o ventrículo direito. 

"A alteração encontrada nesta malformação é que os folhetos da valva são malformados e implantados em uma posição mais baixa levando a uma falha no fechamento desta valva e acarretando um escape de sangue para trás, ou seja, do Ventrículo direito para o átrio direito. O grau de escape é que vai ser responsável pela apresentação clínica da doença". 

Para a médica, é importante entender que a anomalia tem um amplo espectro de apresentação. "Encontramos desde bebês com um escapes pequenos que não apresentam sintomas e podem aguardar para serem submetidos a tratamento cirúrgico na infância. Ou nos casos muito graves onde o escape de sangue é tão grande que leva a quadros de grave insuficiência cardíaca ainda intra-útero ou logo após o nascimento". 

A médica explica que nestes bebês o coração se torna tão grande que ocupa quase todo o tórax comprimindo os pulmões, fazendo com que o fluxo de sangue não consiga chegar da forma adequada aos pulmões levando a quadros de severa cianose (coloração azulada na pele, nos lábios causada por uma escassez de oxigênio no sangue).

Elisangela Gonçalves Vescovi, cardiopediatra e ecocardiografia fetal e pediátrica da Rede Meridional, diz que nos casos graves, os sinais clínicos incluem cianose (baixa oxigenação sanguínea com coloração arroxeada de mucosas e pele), arritmias cardíacas e insuficiência cardíaca. "Na vida intrauterina, a condição pode progredir para hidropsia fetal e apresentar risco elevado de morte perinatal. Já as formas leves podem ser assintomáticas ou cursar com sintomas brandos".

O exame essencial para diagnóstico é o ecocardiograma (ECO), com ênfase no ecocardiograma fetal para a detecção ainda na gestação. "O procedimento identifica detalhadamente o deslocamento da valva, mensura a regurgitação sanguínea, avalia o volume das câmaras cardíacas e rastreia indicadores de gravidade hemodinâmica", diz Elisangela.

A suspeita da condição pode ser feita durante a gestação. A identificação pré-natal é realizada por meio do ecocardiograma fetal seriado. "O rastreamento precoce é fundamental para o aconselhamento dos pais e para o planejamento estruturado do parto em centros cirúrgicos terciários e especializados em cardiopatias congênitas", diz a médica.

A abordagem terapêutica depende diretamente do grau de gravidade. "Quadros leves demandam apenas acompanhamento clínico periódico. Casos graves manifestados no recém-nascido exigem suporte intensivo medicamentoso e intervenção cirúrgica — como a técnica do cone para reparo da valva tricúspide ou cirurgias paliativas", finaliza Elisangela Gonçalves Vescovi.

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