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Publicado em 9 de julho de 2025 às 09:00
A insuficiência cardíaca é uma condição que afeta milhões de brasileiros, caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue de forma eficiente para todo o corpo. Embora seja frequentemente associada à dor no peito, os primeiros sinais da doença são muitas vezes confundidos com o cansaço natural da idade ou da rotina. >
A cardiologista Beatriz Zamuner, do Hospital Evangélico de Sorocaba, alerta que é preciso atenção redobrada para sintomas mais sutis, que podem indicar o início de uma insuficiência cardíaca. “É importante observar sinais como cansaço exagerado em atividades simples, falta de ar ao deitar, inchaço nas pernas e tornozelos, ganho de peso rápido (por retenção de líquidos), e dificuldade para dormir por falta de ar”, diz.>
Mas o que diferencia o cansaço “comum” da fadiga provocada por um coração que está perdendo força? De acordo com a médica, a diferença está na persistência e no contexto em que os sintomas surgem. “O cansaço comum costuma melhorar com descanso e aparece após esforço ou após um dia cansativo, com rotina agitada. Já a fadiga por insuficiência cardíaca é persistente e aparece mesmo em tarefas leves, como tomar banho ou caminhar poucos metros. Muitas vezes vem acompanhada de falta de ar ou inchaço”, explica.>
A insuficiência cardíaca pode inclusive se manifestar em repouso. “Um exemplo típico é acordar à noite com falta de ar ou precisar dormir com vários travesseiros. Sensação de peso nas pernas, cansaço matinal desproporcional e dificuldade para respirar mesmo sentado são outros alertas do corpo”, completa a especialista.>
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Uma observação importante diz respeito à faixa etária dos pacientes, já que a insuficiência cardíaca não é exclusiva dos idosos. “Jovens também podem ter insuficiência cardíaca, causada por miocardite, doenças genéticas ou uso de drogas tóxicas. Atualmente temos visto um aumento da doença em pessoas jovens principalmente em decorrência do uso de reposição hormonal sem indicação médica, para fins estéticos”, observa a médica.>
A insuficiência cardíaca é uma condição clínica em que o coração não consegue bombear sangue com eficiência para o restante do corpo. Pode surgir após diversas doenças cardíacas, como infarto, pressão alta não controlada, doenças das válvulas ou do músculo cardíaco.>
De acordo com a cardiologista Daniella Motta, da Rede Meridional, os sinais mais comuns incluem falta de ar ao fazer esforço, cansaço progressivo, inchaço nos pés e pernas, palpitações e ganho de peso por retenção de líquidos. Em fases mais graves, o paciente pode apresentar dificuldade para respirar mesmo em repouso e necessidade frequente de internações. O diagnóstico é feito com base nos sintomas, exame físico, exames laboratoriais e de imagem, como o ecocardiograma, além da dosagem de biomarcadores específicos. >
O tratamento envolve uma combinação de mudanças no estilo de vida, medicamentos modernos que controlam os sintomas e retardam a progressão da doença, além de, em alguns casos, dispositivos implantáveis que ajudam o coração a bater de forma mais coordenada e segura. A adesão ao tratamento e o seguimento médico regular são fundamentais para melhorar a qualidade de vida e reduzir as hospitalizações.>
A médica explica, ainda, que uma parcela dos pacientes evolui para formas mais graves da doença, com sintomas persistentes mesmo após o uso das terapias indicadas. Nesses casos, é essencial o encaminhamento para centros especializados em IC. >
O transplante surge como opção para casos selecionados, quando outras terapias não oferecem mais benefício clínico. No Brasil, esse procedimento é realizado em centros de referência com bons resultados de sobrevida e qualidade de vida. A decisão pelo transplante exige avaliação criteriosa, suporte multidisciplinar e preparo cuidadoso do paciente.>
“O reconhecimento precoce dos sintomas, o acompanhamento contínuo com profissionais capacitados e o acesso às terapias corretas podem mudar significativamente a trajetória da doença. É essencial conscientizar a população e fortalecer os serviços de saúde para enfrentar esse desafio crescente de forma eficaz”, concluiu a médica.>
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