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Transplante

Ricardo Blat: como é o tratamento após o transplante de medula

O transplante é recomendado para as leucemias que são de alto risco

Publicado em 31 de Agosto de 2026 às 12:08

Guilherme Sillva

Publicado em 

31 ago 2026 às 12:08
Ricardo Blat
Ricardo Blat  está em tratamento de leucemia Divulgação TV Globo/Estevam Avellar
O ator Ricardo Blat, de 75 anos, está em tratamento de leucemia e passou por um transplante de medula. Durante participação no programa Sem Censura, apresentado por Cissa Guimarães, Caio Blat, que é primo do ator, contou que ele recebeu a medula de uma jovem de pouco mais de 20 anos, moradora do interior de São Paulo. A identidade da doadora, no entanto, é desconhecida pelo ator.

"Ele pediu para te mandar um recado, Cissa. Ele agradece a todas as pessoas que doaram sangue, plaquetas e medula. Ele recebeu uma doação de medula de uma menina de 20 e poucos anos, do interior de São Paulo, que ele não sabe quem é. Ele pediu para dizer que essa menina salvou a vida dele. Ele manda um beijo para essa menina que salvou a vida dele e ele nem sabe o nome. É importante falarmos sobre a doação de sangue, de plaquetas e de medula. Isso pode salvar vidas", afirmou.

O diagnóstico de leucemia veio no ano passado. E eles acabaram fazendo uma peça juntos. "Meu primo é um dos atores que mais amo, um gênio, um ator magnético, imprevisível, incrível. Ele descobriu que estava com um problema de saúde e eu nunca tinha feito uma peça com ele. Falei: 'Tem que ser agora!' Ele é meu primo, um privilégio. Não posso perder a possibilidade de trabalhar com ele de jeito nenhum."
Saiba como é o tratamento

A leucemia aguda é um câncer da medula óssea, em que células jovens chamadas de blastos perdem a capacidade de formar as células maduras do nosso sangue. Os blastos ocupam toda a medula óssea, prejudicando a formação celular, causando quadros de anemia, plaquetas baixas, células de defesa baixa, o que também deixa o paciente exposto a infecções.


"Dentro das leucemias agudas existem a leucemia mieloide aguda e a leucemia linfoblástica aguda. Normalmente a leucemia linfoblástica aguda é mais comum em pacientes jovens, principalmente em crianças. A leucemia mieloide aguda mais comum em adultos, principalmente idosos, a partir dos sessenta anos de idade", explica o hematologista Douglas Stocco.


Os sinais da doença estão justamente relacionados à deficiência das células sangue. A anemia gera fraqueza e indisposição, e a plaqueta baixa vai dar hematomas pelo corpo, sangramentos espontâneos. Já a deficiência nas células de defesa, causa uma predisposição a infecções, que se manifesta principalmente por febre.


O transplante é recomendado para as leucemias que são de alto risco. "São aquelas em que a quimioterapia, sozinha, não é suficiente pra tratar. Se o paciente não fizer o transplante, a doença corre um alto risco de voltar", diz o médico. Nesses pacientes, o sistema imunológico que falhou em detectar o surgimento dessa célula e combater o surgimento dela é trocado por um sistema imunológico novo, que ajuda a combater a leucemia.


O hematologista explica que durante a preparação, é feita uma terapia pra destruir a medula óssea do receptor e aí o transplante é feito como se fosse uma transfusão dessas células-tronco coletadas no doador para o receptor. "Após essa preparação, a medula óssea do receptor ela fica vazia e aí vão ser infundidas as células-tronco. Essas células-tronco sabem para onde têm que ir, ao circular, elas vão se instalar na medula óssea".

Douglas Covre Stocco
Douglas Covre Stocco fala sobre o tratamento da doença Divulgação

Durante e após o transplante, o paciente necessita de uma série de cuidados. Dentro da unidade em que eles está sendo tratado, existe uma série de cuidados restritos, como filtro pra prevenir a entrada de bactérias e fungos

Douglas Stocco Hematologista

Após o transplante o paciente é considerado curado se ele mantém a medula e não apresenta recidiva da doença. "É importante a gente dizer que recidivas podem acontecem mesmo após um transplante. Por isso, após a realização do transplante, esse paciente segue sendo monitorado", finaliza o médico. 

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