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Leucemia mieloide: entenda a doença que atinge Afonso Roitman em Vale Tudo

Leucemia mieloide: entenda a doença que atinge Afonso Roitman em Vale Tudo

A leucemia mieloide é um tipo de câncer que afeta as células da medula óssea responsáveis pela formação do sangue

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Guilherme Sillva

Editor do Se Cuida / [email protected]

Publicado em 29 de agosto de 2025 às 08:00

Afonso (Humberto Carrão).
Afonso  decide cortar os cabelos como forma de se antecipar aos efeitos colaterais da quimioterapia Crédito: Imprensa Globo

O personagem de Afonso (Humberto Carrão) vai receber o diagnóstico de leucemia mieloide na novela Vale Tudo. Ele falará sobre a doença durante uma conversa íntima com Solange (Alice Wegmann), que questionará a justiça da vida diante da situação do triatleta.

"A leucemia é uma alteração celular nos glóbulos brancos... Aconteceu, tem um fator de acaso", explicará ele, já consciente da gravidade da situação. Solange tentará convencê-lo de que tudo dará certo: "Pode ter cura. Não, vai ter cura". Em uma das cenas mais emocionantes da novela, ele decide cortar os cabelos como forma de se antecipar aos efeitos colaterais da quimioterapia. 

A leucemia mieloide é um tipo de câncer que afeta as células da medula óssea responsáveis pela formação do sangue. Células que normalmente se transformariam em glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas saudáveis, passam a se multiplicar de forma descontrolada, gerando células imaturas que não desempenham suas funções adequadamente.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Brasil, para cada ano triênio de 2023 a 2025, são estimados cerca de 11.540 novos casos de leucemia. No mundo, em 2020, a estimativa foi de 475 mil casos, o equivalente a 2,5% de todos os tipos de câncer. 

O hematologista Marcelo Aduan, do Hospital Santa Rita, explica que as leucemias são classificadas de acordo com a linhagem e o grau de diferenciação de suas células precursoras, que podem ser de origem linfoide ou mieloide. “A Leucemia Mieloide Aguda (LMA) tem evolução rápida e agressiva, exigindo tratamento imediato. Já a Leucemia Mieloide Crônica (LMC) se desenvolve lentamente e, muitas vezes, é descoberta em exames de rotina. A LMC está associada a uma mutação genética chamada cromossomo Filadélfia, responsável por estimular o crescimento desordenado das células”, relata.

De acordo com o médico, na Leucemia Mieloide Aguda (LMA) ocorrem diversas alterações genéticas nas células-tronco de origem mieloide, levando à produção de blastos, que são células imaturas que não conseguem completar seu processo de diferenciação. “Essas células permanecem em um estágio inicial de desenvolvimento, incapazes de se transformar em células sanguíneas funcionais, e começam a se proliferar de maneira descontrolada. Os blastos se acumulam rapidamente na medula óssea, prejudicando a formação de células sanguíneas saudáveis. Como consequência, há um aumento expressivo na quantidade de blastos dentro da medula óssea”, pontua. Já no diagnóstico da LMA, o número de células saudáveis - células vermelhas, células brancas e plaquetas - pode cair.

É quando o indivíduo começa a apresentar anemia, infecções e sangramentos, o que dependerá muito do acesso às redes de saúde o mais rápido possível

Marcelo Aduan

Hematologista

Segundo Marcelo Aduan, estudos da American Cancer Society, de 2023, mostram que a Leucemia Mieloide Aguda (LMA) afeta principalmente adultos mais velhos, sendo rara antes dos 45 anos. A idade média de um paciente com leucemia mieloide aguda é de 68 anos, mas também pode ocorrer em crianças, é levemente mais frequente entre homens do que entre mulheres, mas o risco médio durante a vida em ambos os sexos é de aproximadamente 1%.

Saiba os principais sinais e o tratamento

Entre os principais sinais das leucemias estão cansaço intenso, palidez, perda de peso sem explicação, febre persistente, infecções frequentes, manchas roxas na pele, sangramentos espontâneos e aumento do baço ou do fígado. “Esses sintomas resultam da substituição progressiva das células normais do sangue por células leucêmicas”, enfatiza.

O diagnóstico é feito por meio de exames laboratoriais, como o hemograma completo, que pode revelar alterações sugestivas da doença, além de exames mais específicos, como o mielograma, a biópsia de medula óssea, imunofenotipagem e testes genéticos. “Essas análises permitem identificar o tipo de leucemia, seu estágio e as alterações genéticas envolvidas, informações fundamentais para definir o tratamento mais adequado”, diz.

Embora alguns subtipos sejam mais frequentes em crianças e jovens, como a leucemia linfoide aguda (LLA), outros, como a leucemia mieloide aguda (LMA) e a leucemia mieloide crônica (LMC), predominam em adultos e idosos. O tratamento da leucemia depende do tipo diagnosticado, mas pode incluir quimioterapia, imunoterapia, terapias-alvo e, em alguns casos, o transplante de medula óssea.

"Hoje, conseguimos oferecer sobrevida prolongada e até cura em uma parcela significativa dos pacientes. Em alguns subtipos, mais de 80% dos casos podem alcançar remissão completa, principalmente quando o diagnóstico é feito precocemente”, diz o hematologista Douglas Stocco.

Além do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento, a solidariedade é parte essencial dessa luta. No Brasil, mais de 5 milhões de pessoas estão cadastradas como doadoras de medula óssea no Registro Nacional de Doadores Voluntários (Redome). Ainda assim, encontrar um doador compatível é um desafio, pois as chances podem ser de apenas 1 em 100 mil.

O tratamento da LMA geralmente envolve quimioterapia intensiva e, em alguns casos, transplante de medula óssea. Já a LMC é tratada com medicamentos chamados inibidores de tirosina quinase, como o imatinibe, que atuam diretamente na mutação responsável pela doença, permitindo controle a longo prazo e boa qualidade de vida.

“Novas terapias-alvo e imunoterapias também vêm sendo estudadas e aplicadas com resultados promissores, especialmente nos casos resistentes às abordagens tradicionais. O acompanhamento especializado e o diagnóstico precoce são fundamentais para o sucesso do tratamento e para o aumento das chances de cura", finaliza Marcelo Aduan.

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