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Muito além da dieta: a nutrição entra na era da prevenção 

Exames laboratoriais, saúde metabólica e informações individuais ampliam o papel do nutricionista na identificação de riscos e na promoção da saúde

Publicado em 31 de Agosto de 2026 às 13:14

Portal Edicase

Publicado em 

31 ago 2026 às 13:14
Com o avanço de fatores de risco associados às doenças crônicas, a nutrição passa a ocupar um papel mais estratégico na prevenção (Imagem: KucherAV | Shutterstock)
Com o avanço de fatores de risco associados às doenças crônicas, a nutrição passa a ocupar um papel mais estratégico na prevenção Crédito: Imagem: KucherAV | Shutterstock

Celebrado em 31 de agosto, o Dia do Nutricionista chama atenção para uma mudança que vai além da elaboração de dietas. Segundo o Vigitel (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) 2024, do Ministério da Saúde, entre 2006 e 2024, a proporção de adultos com excesso de peso nas capitais e no Distrito Federal passou de 42,6% para 62,6%. No mesmo período, a obesidade aumentou de 11,8% para 25,7%.

Diante do avanço de fatores de risco associados às doenças crônicas, a nutrição passa a ocupar um papel mais estratégico na prevenção, ao permitir que alterações no metabolismo, na composição corporal, nos hábitos e em indicadores laboratoriais sejam acompanhadas antes que o cuidado fique restrito ao tratamento de um problema já instalado.

Bruna Makluf, nutricionista e mestre em Saúde, diretora de Nutrição daWeFit, healthtech brasileira especializada em saúde personalizada e nutrição de precisão, defende que a prevenção nutricional começa pela compreensão do indivíduo como um todo, e não apenas pela análise do que ele coloca no prato.

“A alimentação continua sendo central, mas a prevenção exige uma leitura mais ampla. Precisamos entender exames, metabolismo, saúde intestinal, composição corporal, sono, rotina e histórico do paciente para identificar o que pode ser ajustado antes que determinadas alterações avancem”, afirma.

Para Bruna, os dados do Ministério da Saúde, por exemplo, reforçam a necessidade de colocar a alimentação dentro de uma estratégia contínua de promoção da saúde, e não apenas como resposta a uma meta de emagrecimento.

Prevenção começa pela leitura do organismo

Na prática, essa mudança amplia as informações disponíveis ao nutricionista. Exames laboratoriais podem mostrar alterações em marcadores metabólicos , enquanto a composição corporal ajuda a acompanhar mudanças que a balança, isoladamente, não revela. Informações sobre hábitos, sono e saúde intestinal completam essa avaliação.

Recursos como testes genéticos e análise da microbiota também podem integrar esse processo quando houver indicação. O ponto, segundo a diretora de Nutrição da WeFit, não é transformar esses exames em respostas isoladas, mas utilizá-los dentro de uma interpretação clínica mais ampla.

“Um teste genético não determina sozinho o que uma pessoa deve comer, assim como um exame de microbiota não explica toda a saúde daquele paciente. A ciência está justamente em cruzar essas informações com exames laboratoriais, hábitos, histórico e objetivos para tomar decisões mais individualizadas”, explica Bruna Makluf.

A própria produção de dados sobre saúde no Brasil caminha nessa direção. Em julho, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou a Pesquisa Nacional de Saúde 2026, que deverá visitar cerca de 140 mil domicílios. Além de investigar hábitos e acesso aos serviços, o levantamento prevê medidas de peso, altura e pressão arterial, além da realização de exames de sangue e urina em parte dos participantes.

A prevenção nutricional amplia as informações disponíveis, mas não reduz a importância do nutricionista (Imagem: Standret | Shutterstock)
A prevenção nutricional amplia as informações disponíveis, mas não reduz a importância do nutricionista Crédito: Imagem: Standret | Shutterstock

Mais informação exige mais interpretação

Para Bruna Makluf, o aumento da quantidade de dados disponíveis não reduz a importância do nutricionista. O efeito é justamente o contrário. “Ter mais informação não significa automaticamente cuidar melhor da saúde. É preciso saber o que aquele dado representa, como ele se relaciona com os demais e se realmente deve interferir na conduta. O nutricionista ganha importância na prevenção porque transforma informação científica em uma estratégia possível para a vida daquela pessoa”, ressalta.

A evolução da nutrição desloca, assim, o foco exclusivo da dieta e do emagrecimento. Ao acompanhar sinais metabólicos, hábitos e características individuais ao longo do tempo, o nutricionista passa a participar de forma mais ativa da prevenção de doenças e da manutenção da saúde antes que o problema se torne o motivo da consulta.

Por Carolina Lara

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