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Saúde do homem

Câncer de próstata causa 50 mortes por dia no país; confira os sintomas

Nas fases iniciais, quando as chances de cura são de cerca de 90%, o câncer de próstata costuma ser silencioso, o que reforça a importância da avaliação médica para a detecção precoce da doença

Publicado em 28 de Outubro de 2026 às 14:28

Redação A Gazeta

Publicado em 

28 out 2026 às 14:28
Homem com dor
A recomendação é que homens a partir de 50 anos procurem um urologista shutterstock
Mais de 77 mil homens devem receber o diagnóstico de câncer de próstata este ano no Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Embora as chances de cura cheguem a cerca de 90% quando a doença é diagnosticada na fase inicial, o tumor de próstata segue como o mais incidente entre os homens no país.

Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde apontam que de 2017 a setembro de 2026 foram registrados mais de 160,3 mil óbitos devido ao câncer de próstata, representando um crescimento de aproximadamente 20% no período. Em 2025, foram 18.469 mortes, o equivalente a mais de 50 mortes por dia.

“Cuidar da saúde precisa fazer parte da rotina do homem, e não ser uma preocupação apenas quando surgem sintomas. Especialmente quando falamos de câncer de próstata, tumor que na fase inicial não costuma apresentar sintomas, o diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença nas chances de sucesso do tratamento. Este ano, o tema da nossa campanha Novembro Azul é: ‘Homem que se cuida vai ao urologista’. É uma oportunidade de reforçar essa mensagem, mas esse cuidado deve acontecer durante todo o ano”, ressalta Roni de Carvalho Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). 
Sintomas costumam aparecer em estágios avançados

Nas fases iniciais, quando as chances de cura são de cerca de 90%, o câncer de próstata costuma ser silencioso, o que reforça a importância da avaliação médica para a detecção precoce da doença. Quando o tumor está em estágios mais avançados, podem surgir sintomas como: 


- Presença de sangue na urina ou no sêmen


- Aumento da frequência urinária


- Fluxo urinário fraco ou interrupções ao urinar


- Disfunção erétil


- Dores nos ossos.


A recomendação da SBU é que homens a partir de 50 anos procurem um urologista para uma avaliação individualizada com foco na orientação e no diagnóstico precoce. A recomendação diminui para 45 anos para quem possui histórico familiar da doença (pai, avô ou irmão com câncer de próstata), é negro ou obeso. 


“O maior risco é esperar pelos sintomas. O câncer de próstata costuma ser silencioso nas fases iniciais, justamente quando as chances de cura são maiores. Por isso, a avaliação individualizada com o urologista deve começar aos 50 anos, ou aos 45 para homens negros ou com histórico familiar da doença. A obesidade também merece atenção, por estar associada a formas mais agressivas do câncer e a maior mortalidade. A consulta permite identificar fatores de risco e definir, de forma individualizada e compartilhada, a necessidade de exames complementares e as condutas mais adequadas”, alerta a médica Karin Jaeger Anzolch.


Nos últimos anos, novas opções de tratamento têm ampliado as possibilidades de combate à doença, por meio de medicina de precisão e protocolos mais individualizados para o paciente. Entre as opções estão a vigilância ativa, para casos selecionados de baixo risco, e o ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU), além de cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapia hormonal.

Cirurgia robótica no SUS

Este ano a prostatectomia radical assistida por robô foi incorporada oficialmente na tabela de procedimentos do SUS para tratamento do câncer de próstata, por meio da Portaria GM/MS nº 11.842, de 2 de julho de 2026. E a ANS também tornou a cobertura obrigatória para planos de saúde a partir de abril de 2026.


Na prostatectomia radical, o robô oferece visão em 3D ampliada e instrumentos articulados com filtro de tremor, o que permite uma dissecção mais precisa numa região estreita da pelve. “Para o paciente, significa menos sangramento, menos dor, alta mais rápida e melhores condições de preservar os nervos da ereção e o mecanismo de continência urinária”, explica o médico André Berger.


Atualmente cerca de 20 centros do SUS já têm a tecnologia, e a expectativa é que a inclusão na tabela amplie esse número. “O grande desafio é formar cirurgiões, e a SBU vem estruturando cursos próprios e em parceria com hospitais de excelência. A telementoria e a telecirurgia vão ajudar a levar esse conhecimento a centros distantes. A inteligência artificial vai potencializar todo este processo: no treinamento específico de cirurgiões, na otimização das cirurgias, no apoio à tomada de decisão, na personalização do tratamento e na análise de resultados. O objetivo é oferecer o mesmo padrão de qualidade e segurança em todo o país", completa Berger.


Também este ano, o Conselho Federal de Medicina aprovou o HIFU e a crioblação para tratamento do câncer de próstata. A terapia focal amplia as opções para tratamento do câncer de próstata. “É menos invasiva e tratamos a região onde está o tumor, com uma margem de segurança, sem precisar retirar toda a próstata. O HIFU utiliza ultrassom de alta intensidade para destruir o tecido tumoral pelo calor, enquanto a crioterapia faz isso pelo congelamento. A proposta é preservar uma maior quantidade de tecido saudável e, com isso, reduzir o risco de problemas como a perda de urina e a dificuldade de ereção”, esclarece Rafael Tourinho.


O urologista alerta, entretanto, que é recomenda cautela na indicação. “É preciso avaliar as características do tumor, onde ele está e se aquele paciente realmente pode se beneficiar dessa abordagem. Selecionar bem é o ponto mais importante; queremos preservar as funções urinária e sexual, mas o controle do câncer continua sendo a nossa prioridade. E o paciente precisa entender que o acompanhamento depois do tratamento é indispensável”, acrescenta Tourinho.

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