Nas fases iniciais, quando as chances de cura são de cerca de 90%, o câncer de próstata costuma ser silencioso, o que reforça a importância da avaliação médica para a detecção precoce da doença. Quando o tumor está em estágios mais avançados, podem surgir sintomas como:
- Presença de sangue na urina ou no sêmen
- Aumento da frequência urinária
- Fluxo urinário fraco ou interrupções ao urinar
- Disfunção erétil
- Dores nos ossos.
A recomendação da SBU é que homens a partir de 50 anos procurem um urologista para uma avaliação individualizada com foco na orientação e no diagnóstico precoce. A recomendação diminui para 45 anos para quem possui histórico familiar da doença (pai, avô ou irmão com câncer de próstata), é negro ou obeso.
“O maior risco é esperar pelos sintomas. O câncer de próstata costuma ser silencioso nas fases iniciais, justamente quando as chances de cura são maiores. Por isso, a avaliação individualizada com o urologista deve começar aos 50 anos, ou aos 45 para homens negros ou com histórico familiar da doença. A obesidade também merece atenção, por estar associada a formas mais agressivas do câncer e a maior mortalidade. A consulta permite identificar fatores de risco e definir, de forma individualizada e compartilhada, a necessidade de exames complementares e as condutas mais adequadas”, alerta a médica Karin Jaeger Anzolch.
Nos últimos anos, novas opções de tratamento têm ampliado as possibilidades de combate à doença, por meio de medicina de precisão e protocolos mais individualizados para o paciente. Entre as opções estão a vigilância ativa, para casos selecionados de baixo risco, e o ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU), além de cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapia hormonal.
Este ano a prostatectomia radical assistida por robô foi incorporada oficialmente na tabela de procedimentos do SUS para tratamento do câncer de próstata, por meio da Portaria GM/MS nº 11.842, de 2 de julho de 2026. E a ANS também tornou a cobertura obrigatória para planos de saúde a partir de abril de 2026.
Na prostatectomia radical, o robô oferece visão em 3D ampliada e instrumentos articulados com filtro de tremor, o que permite uma dissecção mais precisa numa região estreita da pelve. “Para o paciente, significa menos sangramento, menos dor, alta mais rápida e melhores condições de preservar os nervos da ereção e o mecanismo de continência urinária”, explica o médico André Berger.
Atualmente cerca de 20 centros do SUS já têm a tecnologia, e a expectativa é que a inclusão na tabela amplie esse número. “O grande desafio é formar cirurgiões, e a SBU vem estruturando cursos próprios e em parceria com hospitais de excelência. A telementoria e a telecirurgia vão ajudar a levar esse conhecimento a centros distantes. A inteligência artificial vai potencializar todo este processo: no treinamento específico de cirurgiões, na otimização das cirurgias, no apoio à tomada de decisão, na personalização do tratamento e na análise de resultados. O objetivo é oferecer o mesmo padrão de qualidade e segurança em todo o país", completa Berger.
Também este ano, o Conselho Federal de Medicina aprovou o HIFU e a crioblação para tratamento do câncer de próstata. A terapia focal amplia as opções para tratamento do câncer de próstata. “É menos invasiva e tratamos a região onde está o tumor, com uma margem de segurança, sem precisar retirar toda a próstata. O HIFU utiliza ultrassom de alta intensidade para destruir o tecido tumoral pelo calor, enquanto a crioterapia faz isso pelo congelamento. A proposta é preservar uma maior quantidade de tecido saudável e, com isso, reduzir o risco de problemas como a perda de urina e a dificuldade de ereção”, esclarece Rafael Tourinho.
O urologista alerta, entretanto, que é recomenda cautela na indicação. “É preciso avaliar as características do tumor, onde ele está e se aquele paciente realmente pode se beneficiar dessa abordagem. Selecionar bem é o ponto mais importante; queremos preservar as funções urinária e sexual, mas o controle do câncer continua sendo a nossa prioridade. E o paciente precisa entender que o acompanhamento depois do tratamento é indispensável”, acrescenta Tourinho.