O cantor, compositor e pianista Benito di Paula morreu aos 84 anos neste domingo (18), em São Paulo, em decorrência de câncer de próstata. O artista estava internado e tratava a doença havia cerca de um ano.
Nascido em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, o artista começou sua carreira na década de 1970 tocando em bares e boates. Benito fez grande sucesso com músicas como "Retalhos de Cetim", "Charlie Brown", "Mulher Brasileira" e "Além de Tudo". Sua canção "Amigo do sol, amigo da lua" fez parte da trilha sonora da novela "A gata comeu".
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), podem surgir cerca de 71 mil casos de câncer de próstata no Brasil este ano. “Muitos homens tendem a procurar o médico somente quando sentem dor ou em casos de urgência, negligenciando a saúde preventiva”, ressalta o urologista Alvaro Alexandre Dias Bosco, do IBCC Oncologia.
A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino, do tamanho aproximado de uma noz, localizada abaixo da bexiga e à frente do reto. Ela envolve a parte inicial da uretra (canal por onde passa a urina e o espermatozóide) e sua principal função é produzir parte do sêmen.
“A doença ocorre quando as células da próstata começam a se multiplicar de forma descontrolada, formando um tumor — na grande maioria das vezes, um adenocarcinoma”, afirma o urologista.
Em muitos homens, o câncer de próstata cresce de forma lenta e pode não representar uma ameaça significativa à vida. Em outros, pode ser agressivo, invadindo estruturas próximas (como vesículas seminais e bexiga) ou indo para locais distantes (linfonodos, ossos, pulmões, fígado e cérebro), configurando as metástases.
“O maior desafio é que, na fase inicial, o câncer de próstata costuma ser silencioso, sem sintomas específicos. Por isso os exames de rotina são cruciais. Quando aparecem, os sintomas costumam ser urinários — e muitas vezes se devem a doenças benignas, como a Hiperplasia Prostática Benigna (HPB)”, comenta o médico.
Sinais de alerta mais comuns, segundo o urologista:
Dificuldade para urinar (demora para começar ou terminar);
Jato urinário fraco ou diminuído;
Necessidade de urinar com mais frequência, especialmente à noite (noctúria);
Sangue na urina ou no sêmen (menos comum);
Dor ao urinar ou ao ejacular;
Em casos avançados: dores ósseas (bacia, coluna, quadris), fraqueza ou dormência nas pernas.
Um dos exames que auxiliam na detecção precoce é o PSA, exame de sangue que mede uma proteína produzida pelas células da próstata e que, originalmente, têm a função de liquefação do sêmen. “PSA elevado não significa, por si só, câncer — pode subir por HPB, inflamações ou infecções. O urologista avalia o PSA em conjunto com idade, histórico familiar e exame físico para decidir os próximos passos”, explica o médico.
Outro exame importante é o toque retal, rápido e simples, realizado no consultório. Ele permite avaliar tamanho, forma e consistência da próstata, podendo detectar alterações que o PSA não capta (como tumores que liberam pouco PSA). Por isso, os exames se complementam.
O médico também sinaliza quando é necessário procurar o urologista: homens a partir de 50 anos devem conversar com o médico sobre rastreio com PSA + toque retal e a frequência dos exames. E homens negros e/ou com histórico familiar de câncer de próstata devem iniciar essa conversa aos 45 anos.