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Bioplastia: entenda o que é e quais os riscos desse tipo de técnica

Bancária morreu após procedimento para dar volume aos glúteos apartamento de médico no RJ

Publicado em 17/07/2018 às 13h27

Plástica sem cirurgia e resultado imediato. Diante de um apelo tentador assim, muita gente vai atrás de métodos alardeados na Internet, na maioria das vezes pouco seguros, caindo nas mãos de profissionais nem sempre qualificados. Em nome da vaidade, a vida corre risco.

Esta semana, uma bancária de 46 anos morreu após fazer um procedimento conhecido como bioplastia nas nádegas, realizado em um apartamento no Rio de Janeiro. O médico teria usado a substância polimetilmetacrilato, chamada de PMMA ou metacril. A suspeita é que a causa da morte da paciente tenha sido uma embolia pulmonar.

O uso desse produto quase levou à morte, em 2014, a modelo Andressa Urach, que ficou internada em estado grave por causa de uma infecção surgida após aplicação do PMMA para aumentar o volume do bumbum.

 

A bioplastia consiste em injetar substâncias para remodelar o corpo. Já o PMMA é liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desde que para fins específicos.

“Pode ser feita no corpo ou no rosto. É um método seguro, mas precisa ser feito por um especialista reconhecido. No caso do PMMA, o uso é restrito para alguns casos, como para correções em pacientes com doença imunodepressora”, explica o cirurgião plástico Janes Depizzol.

A aplicação desse produto em glúteos e coxas, que vem sendo feita de forma indiscriminada no país, não é recomendada pelas Sociedades de Dermatologia e Cirurgia Plástica. “Para esse objetivo, há outros recursos indicados que trazem menos complicações, como preenchimento gordura do próprio paciente ou com implantação de silicone. Ou ainda com as duas coisas juntas”, diz Depizzol.

A bancária Lilian Calixto morreu após procedimento estético no Rio. Crédito: Reprodução
A bancária Lilian Calixto morreu após procedimento estético no Rio. Crédito: Reprodução

Materiais

Para preenchimento de áreas pequenas, há ainda outros materiais. “A substância mais indicada é o ácido hialurônico, compatível e reabsorvível pelo organismo. O preenchimento deve ser realizado pelo médico dermatologista ou cirurgião plástico”, comenta a dermatologista Ana Flávia Moll.

De acordo com o cirurgião plástico Adriano Batistuta substâncias como a PMMA ficam difusas no organismo e se misturam com gordura e tecidos. “Fica mais difícil de retirar em caso de alguma complicação”.

O uso inadequado desse produto pode trazer uma série de consequências. “Pode acontecer, com o passar dos anos, às vezes até sete, oito anos depois, a chamada reação de corpo estranho, quando o organismo tenta expulsar a substância”, cita Depizzol.

A curto prazo, os danos podem ser graves também, segundo Batistuta, como infecções, alergias e necroses. “Se a substância for injetada dentro de uma veia, pode obstruir o fluxo de sangue. Interromper esse fluxo em veias importantes para o pulmão, por exemplo, pode causar embolia pulmonar e levar à morte”, alerta ele.

A técnica, que parece ser simples, pode ser fatal. “Muitos pacientes querem algo rápido e acabam caindo na conversa de certos profissionais”, observa o cirurgião plástico Fábio Zamprogno.

Depizzol destaca ainda que procedimentos desse tipo, de acordo com a complexidade, devem ser feitos em clínica ou hospital, locais cercados de recursos apropriados para dar socorro da melhor forma possível.

Entenda mais

Bioplastia

O que é

Trata-se de um procedimento que consiste em injetar substâncias para remodelar o corpo ou dar novo contorno

ao rosto

PMMA

O PMMA ou metacril é uma substância aprovada pela Anvisa, mas o uso não é indicado para fins somente estéticos e sim para casos específicos, como o de paciente Aids, por exemplo, que podem ter deformações no corpo e no rosto devido à doença. O produto não é recomendado para preencher grandes volumes, como coxas e nádegas

Aplicação

A aplicação deve ser feita em ambiente apropriado (clínica ou hospital) por especialista reconhecido, como cirurgião plástico ou dermatologista

Risco

O problema de substâncias como a PMMA é que ela fica difusa no organismo, misturando-se com gorduras e tecidos, o que dificulta a retirada caso haja complicação. Se não for aplicada no local certo, na quantidade certa e do modo certo, pode levar a uma série de consequências de curto e longo prazo, como formação de nódulos, infecção, alergia, necrose ou embolia pulmonar

Alternativas

Para remodelar áreas como nádegas ou coxas, cirurgiões plásticos recomendam uso de próteses de silicone ou enxertos de gordura. Para áreas menores, como no rosto, há ainda outras substâncias, como o ácido hialurônico, compatível e reabsorvível pelo organismo

 

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