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Barragens no Sul do ES recebem monitoramento para evitar acidentes

No Sul do Espirito Santo, duas grandes barragens são monitoradas para evitar rompimentos e riscos à população

Publicado em 13/10/2020 às 20h10
Barragem em Venda Nova do Imigrante
Barragem em Venda Nova do Imigrante. Crédito: Reprodução/ TV Gazeta Sul

Uma barragem ou represa é um reservatório artificial, feito para reter grandes proporções de água para uso na agricultura, para abastecer cidades ou para geração de energia. No Sul do Espirito Santo, duas reservas são monitoradas para evitar rompimentos e riscos à população: a barragem de Alto Bananeiras, em Venda Nova do Imigrante, e a barragem de Rive, em Alegre.

Segundo o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal ( Idaf), existem no Espírito Santo cerca de 12 mil barragens, aproximadamente 20% delas se encontram na região Sul do Estado.

Em Venda Nova do Imigrante, a barragem de Alto Bananeiras comporta um bilhão de litros de água. Pelo menos quatro comunidades estão na área de risco, caso haja um rompimento.

“É importante que tenha armazenamento de água, mas junto com o reservatório é mais importante ainda que se tenha um plano, para caso aconteça o rompimento. Nos períodos de chuva, tem que ser monitorada 24 horas para propiciar que a água desça com menos velocidade, porque se deixar para abrir uma comporta após a água tomar, virá numa velocidade arrasadora”, comentou a ambientalista Dalva Ringuier.

Rive, distrito de Alegre, possui outra barragem, desta vez para a geração de energia. Em janeiro deste ano, com as fortes chuvas, a comunidade ficou alagada, o nível da água subiu e a barragem ameaçou romper. O morador do local, Helson dos Santos Júnior, não teve tempo de salvar nada, viu animais morrerem afogados e o desespero das pessoas para evacuar a água.

“Foi fração de segundos, veio com tudo como uma onda arrastando tudo pela frente. Abriram lá e não avisaram nada, quando avisaram, não tinha o que fazer dentro de Rive. Foi uma correria desordenada. Uns subiram para um morro, outros para um torre, não sabiam a quantidade de água que iria vir para Rive”, relembra o morador.

Barragem em Rive, em Alegre
Barragem em Rive, em Alegre. Crédito: Reprodução/ TV Gazeta Sul

Segundo o coordenador regional da empresa Statkraft, Rodrigo Prestes, que administra a barragem Francisco Gross, há um protocolo de aberturas das comportas. Ele afirma que o protocolo foi seguido no início deste ano.

“Fizemos a abertura protocolizada das comportas para manter a vazão do rio. Não adicionamos vazão ao rio, essa vazão continuou o curso dela, pois não conseguimos segurar mais. Esse grande volume provocou danos ao pé da barragem. A empresa, logo após a ocorrência, iniciou os trabalhos de recuperação emergencial e fizemos obras de contenção para a segurança da população de Rive”, disse o coordenador regional.

A empresa também disse que finalizou o cadastro social dos moradores do entorno e definiu com a engenharia a melhor defesa de alerta em caso de acidentes. Uma reunião é prevista com a Defesa Civil Estadual.

“A barragem é uma obra de engenharia e sempre vai ter essa prerrogativa de ter um projetista pra emitir os laudos de segurança. Também tem que ter esse olhar do proprietário, de que ele é responsável pela segurança da barragem”, disse a subgerente de Licenciamento Ambiental do Idaf, Ahnaiá Silva.

PRESERVAÇÃO

No interior de Conceição do Castelo, toda uma área de agrofloresta do senhor Eliomar Maretto foi inundada pela enchente, a água chegou a 1,30 metro acima do leito normal do rio. Apesar de trazer sujeira, não causou danos na propriedade. Bem diferente, aconteceu do outro lado do rio, onde não havia mata preservada, a água passou levando tudo.

Edmar Maretto, produtor do interior de Conceição do Castelo
Edmar Maretto, produtor do interior de Conceição do Castelo. Crédito: Reprodução/ TV Gazeta Sul

A agrofloresta, além de ser abrigo para fauna e flora, também produz e gera lucro. O produtor rural planta palmito, café, banana. As árvores dão sombra e protegem o solo. Eliomar Maretto cresceu e aprendeu com o avô a tirar o sustento da terra.

“O meu avó, eu lembro que na Semana Santa ele autorizava que cada filho tirasse uma cabeça de palmito para a família. Pensei assim, se o objetivo dele é o não extermínio da planta, se eu cultivar posso comer. Esse era o pensamento de criança”, conta o produtor.

“A enchente passou por aqui e o solo permaneceu. As árvores têm esse papel de segurar. Sem elas, quanto mais chuvas pesadas tivermos, mais terra vai ser levada para o rio e mais assoreamento vai acontecer. Enquanto a floresta preserva a margem do rio, a fauna e ainda é uma forma de renda para o produtor rural”, disse o biólogo Helimar Rabello.

MONITORAMENTO

A Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) disse que atua na fiscalização das barragens de armazenamento de água para fins agropecuários e industriais (exceto Geração de Energia, que é de competência da Aneel).

Atualmente, há 280 barragens no Cadastro Estadual de Segurança de Barragens. Dessas, 218 já foram vistoriadas e são acompanhadas desde o início de 2019 pela equipe de fiscalização da Agerh. De acordo com o planejamento feito com base no Cadastro de Segurança e no cruzamento com imagens de satélite, mais de 400 barragens devem ser vistoriadas no Espírito Santo nos próximos três anos.

Sobre a barragem de Venda Nova do Imigrante, a prefeitura disse que a estrutura da barragem também é monitorada quinzenalmente pela Defesa Civil Municipal. O Plano de Contingência prevê a remoção dos moradores das áreas de risco para um ponto de encontro de conhecimento da comunidade (Quadra da Apae).

Em 2019, foi realizado um simulado de emergência, em que população e autoridades puderam praticar as ações que devem ser tomadas em caso de rompimento da barragem.

Com informações de Mônica Camolesi, repórter da TV Gazeta Sul.

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