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Publicado em 28 de outubro de 2023 às 11:14
Nota A no Tesouro Nacional há 12 anos, o Espírito Santo tem sido um exemplo para todo o país e pode ter a fórmula do equilíbrio fiscal exportada para outros Estados. É o que avaliam a economista-chefe do Santander, Ana Paula Vescovi, e o CEO do Bradesco Asset, Bruno Funchal.>
Segundo eles, durante painel Panorama econômico, que abriu o segundo dia do Pedra Azul Summit 2023, a saúde financeira permite o governo cumprir com obrigações e realizar investimentos. O ponto forte do Estado é a preocupação com as futuras gerações, que conta desde de 2019 com o Fundo Soberano, uma poupança formada com compensações pelas atividades de produção do petróleo.>
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No evento, realizado pela Rede Gazeta, Funchal e Ana Paula debateram com o consultor financeiro e comentarista da CBN Teco Mediana sobre a atual conjuntura brasileira de dificuldades de atingir as metas fiscais.>
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Os dois economistas destacaram que o Espírito Santo vive uma "ilha de prosperidade" com modelo de gestão fiscal e controle de contas pública, enquanto em outros Estados e mesmo no país o desafio é reduzir os gastos. >
Na última sexta-feira (27), uma declaração do presidente Lula sinalizando que dificilmente o país vai alcançar déficit zero em 2024 provocou reações negativas no mercado, levantando o receio de aumento das despesas e consequentemente da inflação.>
Para Ana Paula, o exemplo do Espírito Santo vem de um processo de superação que se iniciou em 2003 com a união do setor empresarial, da sociedade civil e de lideranças políticas para organizar o Estado e implementar ações para garantir um futuro.>
Ela alerta, no entanto, que é preciso vigilância para não se perder a característica de ter uma sociedade empreendedora e organizada. “É um Estado que aprendeu como ter instituições que assegurem esse processo de desenvolvimento, inclusive sustentável. Não podemos perder isso. Acho que nós deveríamos ensinar essas experiências aos outros”, defende Ana Paula.>
Bruno Funchal também acredita que o modelo adotado pelo Espírito Santo para conectar poder público e lideranças empresariais deve ser levado para outros Estados e cita o Pedra Azul Summit como exemplo para fortalecer esses laços. "Eventos assim mobilizam e ajudam a fortalecer e dar perenidade para os desafios", afirma.>
A declaração desta sexta-feira (27) do presidente Lula sobre o país dificilmente atingir a meta fiscal em 2024 também foi tema do painel. >
Os economistas defenderam que o país precisa ter o corte de gastos como caminho para garantir o crescimento da economia e também a redução de juros. E conversaram sobre quando o país deve parar de falar sobre meta fiscal, já que o assunto está em pauta constantemente desde 2013.>
Ana Paula Vescovi destacou que a situação é mais do que ter equilíbrio nas contas. “Temos um setor público despoupador enquanto as famílias e as empresas fazem esforço para economizar”, defendeu Ana Paula.>
Para Ana Paula, equilíbrio é ter financiamento do governo pelos impostos que a sociedade está disposta a pagar. E afirma ainda que há um enorme conflito na sociedade, que não quer pagar mais impostos. Ao mesmo tempo, existem um movimento de aumentar gastos para depois arrecadar mais. >
“É importante a sociedade entender que, para a termos menos impostos, precisamos ter menos gastos e um Estado equilibrado na essência, ou seja, menos extrator da poupança pública”, afirma. >
Já Bruno Funchal destacou que gastos devem ser cortados sempre e destacou que quando se fala em não cumprir metas fiscais acaba se trazendo incertezas. Com isso, quem paga a conta é a sociedade. O economista também confronta a justificativa do governo para não cumprir a meta, que teria o objetivo de investir.>
“O reflexo em juros será tão grande que o investimento agregado fica menor. Sairá mais caro para todo mundo investir”, lembra. >
Para perseguir a meta de inflação, Ana Paula estabelece alguns caminhos, como avanço nas reformas, como a tributária, que será em breve discutida no Senado. A pauta, segundo ela, será importante para a credibilidade e para reduzir riscos.>
E sinalizou também outra medida importante que foi a manutenção da meta de inflação em 3% e fixação da meta de forma permanente. “Temos que aproveitar essa vantagem e colocar a independência do Banco Central funcionando e avançar nas reformas. Não tem mágica”, disse.>
A economista fez ainda uma previsão para taxa de juros, que está em ciclo de redução. Para ela, com o cenário internacional e as questões fiscais do país, a perspectiva é de chegar a 10% ou até 9,5% em 2024.>
Segundo dia do Pedra Azul Summit 2023
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