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Empresas do ES se reinventam na pandemia e conquistam novos mercados

Com o caixa em nível crítico, empresários tiveram de adaptar equipes e maquinários e oferecer ao mercado itens de proteção individual para sobreviver

Publicado em 28/08/2020 às 15h08
Atualizado em 31/08/2020 às 09h45
Na PW Brasil, empresa capixaba do ramo do vestuário, a produção foi direcionada para a confecção de máscaras fornecidas à Vale e depois a outras empresas.
Na PW Brasil, empresa capixaba do ramo do vestuário, a produção foi direcionada para a confecção de máscaras fornecidas à Vale e depois a outras empresas. Crédito: Divulgação/PW Brasil

Empresas de segmentos variados tiveram de ligar suas máquinas no modo reinvenção para enfrentar as turbulências causadas pela pandemia da Covid-19. O impacto econômico deflagrado pela queda brusca do consumo exigiu tomada de decisões imediatas e busca de novos contratos para a sobrevivência.

Desde março, desafios vêm sendo impostos, sempre tendo na agenda do dia a identificação de soluções. Já no início da crise provocada pelo novo coronavírus, pesquisas acusavam números preocupantes. Uma delas, do Sebrae Nacional, mostrava que, dos 17,2 milhões de pequenos negócios, 15 milhões (ou seja, 87,5%) registravam redução de faturamento na primeira semana de abril.

Para evitar a quebra, empreendimentos no Estado redirecionam seu público e sua oferta, pisando em mercados antes nunca explorados, sobretudo no fornecimento da demanda do momento, os equipamentos de proteção individual (EPIs). E o que era medida de urgência virou oportunidade múltipla, com perspectivas até de expansão da clientela.

Foi firmando contratos com novos setores que Wellington Geraldo Fernandes Silva, proprietário da Red Summer, conseguiu continuar de pé e garantir capital de giro para sua atividade. O industrial, que viu sua venda de camisas ir a praticamente zero em virtude da restrição da abertura do comércio e do isolamento social, só manteve o fôlego financeiro por direcionar sua mira para a confecção de máscaras de algodão e fornecimento sob encomenda para outras companhias.

Wellington Geraldo Fernandes Silva, proprietário da Red Summer, viu sua venda de camisas ir a praticamente zero e só manteve o fôlego financeiro por confeccionar produtos de proteção à Vale.
Wellington Geraldo Fernandes Silva, proprietário da Red Summer, viu sua venda de camisas ir a praticamente zero e só manteve o fôlego financeiro por confeccionar produtos de proteção à Vale. Crédito: Divulgação/Red Summer

“Tivemos de nos reinventar, e houve toda uma adaptação conceitual. Em dois meses, não produzimos nem uma camisa, mesmo porque tínhamos um estoque intacto. Nada saía. Ninguém comprava. Nesse tempo, só fizemos máscaras para entregar a outras empresas. A principal delas foi a Vale, onde nos cadastramos para fornecer as máscaras. Esse negócio foi crucial para honrarmos os nossos compromissos e mantermos o fluxo de caixa”, afirma ele, que tem uma fábrica em Vila Velha e lojas na Grande Vitória.

Fornecedores locais

No Espírito Santo, a Vale contratou R$ 23 milhões em produtos e serviços voltados para o combate e a prevenção da Covid-19, no período de março a junho deste ano com fornecedores capixabas. Além disso, 243 pequenas e médias empresas no estado tiveram o pagamento antecipado.

“Os empreendedores locais atenderam a uma demanda que surgiu de forma inesperada. Entramos em contato com fornecedores parceiros e identificamos outros no mercado local. Juntos, desenvolvemos as especificações dos produtos e demos o suporte técnico necessário para a adaptação do maquinário”, explica o gerente de suprimentos da mineradora, Giovanni Eustáquio.

Protetores faciais comprados pela Vale foi um dos tipos de produtos adquiridos com a cadeia de fornecimento local.
Protetores faciais comprados pela Vale foram um dos tipos de produtos adquiridos com a cadeia de fornecimento local. Crédito: Divulgação/Vale

Esses acordos vieram num momento determinante, avalia o proprietário da PW Brasil, Paulo Vieira, donas das marcas Missbella e Vide Bula, ambas do ramo do vestuário. Para quem estava com caixa comprometido, acrescenta, a parceria ajudou até as duas unidades fabris, em Baixo Guandu e Colatina, a se qualificar para a entrega da encomenda.

“A pandemia havia desorganizado a cadeia de abastecimento. Produzíamos mensalmente 70 mil peças, e tudo basicamente parou. Foi um momento de total desespero. Ninguém queria receber a nossa produção de inverno. Nem sequer matéria-prima chegava para nós. Ou seja, mesmo se quiséssemos produzir roupas, não tínhamos como. Por isso, o fornecimento de máscaras foi um grande impulso, com compras significativas da mineradora não só para o meu, mas também para vários empreendimentos que se uniram e passaram a concorrer em pregões em nível nacional para contratações em várias outras companhias.”

Sem conseguir vender a coleção de inverno, o empresário Paulo Vieira, dono da PW, enfrentou o período crítico produzindo EPIs: acordo com a Vale “foi determinante”.
Sem conseguir vender a coleção de inverno, o empresário Paulo Vieira, dono da PW, enfrentou o período crítico produzindo EPIs: acordo com a Vale “foi determinante”. Crédito: Divulgação/PW Brasil

Para aqueles que têm a oferta de soluções como DNA das operações, a readaptação nos tempos de pandemia foi um caminho natural, mas que exigiu empenho. Com 22 anos de atuação, a Plastin Indústria e Comércio, na Serra, que apresenta como especialidade justamente o desenvolvimento de produtos sob demanda de cliente – trabalhando com injeção de plástico com ferramentaria –, pela primeira vez projetou, produziu e vendeu protetores faciais, fabricando duas unidades a cada 30 segundos.

“Por conta da carência desses itens, aceitamos esse desafio. Se não tivéssemos desenvolvido esse produto, teríamos grandes problemas, pois o número de clientes de produção normal, mês a mês, diminuiu muito. Teríamos impacto de 70% a 80% da nossa produção. A compra feita pela Vale e por outras empresas foi essencial. Crescemos neste período”, avalia o diretor da Plastin, Neviton Gasparini.

Equipe de produção da Red Summer em atividade: adaptação conceitual e treinamento para atender à demanda da Vale.
Equipe de produção da Red Summer em atividade: adaptação conceitual e treinamento para atender à demanda da Vale . Crédito: Divulgação/Red Summer

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