Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 02:09
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez seu discurso anual de Estado da União na noite desta terça-feira (24/2) em Washington.>
A cerimônia é uma tradição da política norte-americana, na qual o presidente apresenta ao Congresso as prioridades do governo e faz um balanço do que foi realizado até o momento.>
O discurso desta terça-feira é considerado especialmente relevante porque haverá eleições legislativas no segundo semestre, em um ano que começa com Trump atento aos próprios índices de popularidade. >
Uma pesquisa recente da CNN indica que sua aprovação está em torno de 36%, enquanto um levantamento do Washington Post a coloca em aproximadamente 39%.>
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Durante seu discurso, Trump criticou a Suprema Corte dos EUA, disse que as tarifas impostas pelo governo americano contra produtos de outros países promoveram uma "reviravolta econômica impressionante" e que elas vão continuar. >
Ele também afirmou que prefere resolver as tensões com o Irã por meio da diplomacia, mas voltar a fazer ameaças dizendo que não deixará o país ter uma arma nuclear. >
Na última sexta-feira (20/2), a Suprema Corte americana derrubou as tarifas impostas no ano passado pelo presidente americano contra dezenas de parceiros comerciais globais. >
No fim de semana, Trump anunciou que usaria um novo instrumento legal para aplicar uma tarifa de 15% sobre produtos importados do resto do mundo. Essas tarifas entrariam em vigor na terça com validade de apenas 150 dias.>
Em seu discurso no Congresso, o presidente dos EUA chamou a decisão da Corte de "decepcionante" e "lamentável", se dirigindo a quatro dos nove juízes que assistiam à cerimônia. >
Apesar disso, afirmou que "as tarifas permanecerão em vigor sob bases legais alternativas totalmente aprovadas e testadas", acrescentando que elas "podem algum dia substituir totalmente o imposto de renda dos americanos".>
"Acredito que as tarifas pagas por países estrangeiros irão, como no passado, substituir substancialmente o sistema moderno de imposto de renda, aliviando um grande fardo financeiro das pessoas que amo", declarou.>
O Brasil é um dos países mais beneficiados pela decisão da Suprema Corte de derrubar tarifas de Trump que vigoravam desde o ano passado, segundo um estudo que avalia os impactos da mudança nos EUA.>
Mesmo com a nova tarifa de 15% anunciada pela Casa Branca, o Brasil segue em melhor posição do que estava com o "tarifaço" original. >
Um estudo do Global Trade Alert (GTA) — um grupo que compila dados comerciais, ligado a uma entidade sem fins lucrativos baseada na Suíça — mostra que o Brasil é o terceiro país no mundo com maior queda na alíquota de seus produtos exportados para os EUA.>
O GTA afirma que a mudança de tarifas nos EUA produziu "vencedores e perdedores claros", e colocou o Brasil no primeiro grupo.>
Antes da decisão da Suprema Corte, produtos brasileiros vinham sendo taxados em 26,33% em média — a 17ª maior tarifa do mundo. O GTA estima que a taxação brasileira cairá em 13,56 pontos percentuais. Essa queda é a terceira maior do mundo, atrás apenas da redução de tarifas para produtos importados pelos EUA de Mianmar e Laos.>
Com a decisão da Suprema Corte e o novo instrumento usado por Trump, o GTA prevê que a tarifa média paga por produtos brasileiros será de 12,77% — fazendo com que o país caia da 17ª para a 125ª posição entre os mais taxados pelos EUA.>
O presidente também dedicou parte do seu discurso para falar do Irã, em meio a atual tensão entre os dois países.>
Os dois países voltaram a negociar sobre o programa nuclear iraniano, após repetidas ameaças militares dos EUA contra o Irã.>
Na semana passada, Trump deu um ultimato ao país, dizendo que o mundo descobriria "nos próximos provavelmente 10 dias" se eles chegariam a um acordo ou se tomaria medidas militares.>
Nesta terça-feira, ele disse que "prefere resolver o problema por meio da diplomacia", mas que não vai permitir que o Irã tenha uma arma nuclear. >
Trump ainda acrescentou que o o governo iraniano quer fazer um acordo para evitar novos ataques dos EUA, mas ainda não se comprometeu a nunca produzir uma arma nuclear.>
"Minha preferência é resolver esse problema por meio da diplomacia. Mas uma coisa é certa: nunca permitirei que o maior patrocinador do terrorismo do mundo — e eles são de longe — tenha uma arma nuclear", afirmou.>
O presidente americano também falou da Venezuela na cerimônia. Ele disse que os EUA já receberam mais de 80 milhões de barris de petróleo do país sul-americano. >
"A produção de petróleo dos EUA aumentou em mais de 600.000 barris por dia, e acabamos de receber de nosso novo amigo e parceiro, a Venezuela, mais de 80 milhões de barris de petróleo", declarou.>
Dias após Nicolás Maduro ser preso durante uma operação americana na Venezuela, Trump publicou uma mensagem na rede social Truth Social anunciando que o governo da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, entregaria entre 30 milhões e 50 milhões de barris de petróleo aos EUA (equivalente a entre um e dois meses da produção venezuelana nos níveis atuais).>
O presidente declarou que o petróleo bruto seria vendido a preços de mercado e que ele controlaria a receita dessa venda para garantir "que ela seja usada em benefício do povo da Venezuela e dos EUA".>
No dia seguinte, o Departamento de Energia dos EUA (DOE, na sigla em inglês) anunciou em comunicado que os Estados Unidos haviam começado a negociar petróleo venezuelano no volume de barris mencionado e indicou que esse mecanismo seria aplicado indefinidamente.>
A estatal petrolífera venezuelana, PDVSA, confirmou as negociações para tal acordo com os EUA, mas não mencionou que ele seria aplicado indefinidamente e o comparou ao acordo existente com a petroleira americana Chevron>
"[O acordo] baseia-se numa transação estritamente comercial, com critérios de legalidade, transparência e benefício para ambas as partes", afirmou a PDVSA.>
Em comunicado, o DOE afirmou que os EUA contataram "as principais empresas de comercialização de commodities do mundo e bancos importantes" para executar e fornecer apoio financeiro para essas vendas de petróleo bruto.>
Posteriormente, foi revelado que as empresas envolvidas eram a Vitol e a Trafigura, duas das maiores empresas de comercialização de commodities do mundo.>
Juntas, elas movimentam um volume diário de petróleo suficiente para atender ao consumo combinado do México, Alemanha, Índia e Japão, segundo a Bloomberg.>
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