Publicado em 17 de janeiro de 2026 às 15:11
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (17/1) a imposição de novas tarifas sobre a Dinamarca e outros sete países europeusque se opõem ao seu plano de aquisição da Groenlândia.>
Trump afirma que essas tarifas permanecerão em vigor até que os EUA cheguem a um acordo para a compra completa da Groenlândia.>
Em uma mensagem em sua rede social Truth Social, o presidente americano declarou que Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia pagarão uma tarifa de 10% sobre todos os produtos enviados aos Estados Unidos a partir de 1º de fevereiro.>
Em 1º de junho, essa tarifa aumentará para 25%, de acordo com a publicação no Truth Social.>
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Trump disse em sua mensagem que, depois de séculos, "é hora de a Dinamarca nos pagar".>
"A paz mundial está em jogo! A China quer a Groenlândia e a Dinamarca não pode fazer nada a respeito", afirmou, alegando que a ilha é protegida apenas por dois trenós puxados por cães.>
O presidente também afirmou que os países europeus sobre os quais está impondo novas tarifas "foram à Groenlândia para fins desconhecidos" e estão jogando um "jogo muito perigoso", referindo-se ao envio, esta semana, de um pequeno contingente de tropas dessas nações europeias à ilha ártica em uma suposta missão de reconhecimento.>
"Medidas enérgicas" devem ser tomadas para garantir que esta "situação potencialmente perigosa termine rápida e definitivamente", acrescentou Trump.>
Além da Dinamarca e da Groenlândia, outros países se opõem aos seus planos, e muitos nos Estados Unidos expressaram ceticismo quanto a uma possível aquisição da ilha.>
Na sexta-feira, uma delegação bipartidária do Congresso dos EUA visitou a Groenlândia para demonstrar seu apoio ao território.>
O grupo de 11 parlamentares incluía republicanos que expressaram preocupação com os apelos do presidente para que os Estados Unidos adquiram a Groenlândia por razões de segurança nacional. Eles se reuniram com membros do parlamento, bem como com a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, e seu homólogo groenlandês, Jens-Frederik Nielsen.>
O líder do grupo, o senador democrata Chris Coons, disse que a viagem tinha como objetivo ouvir os moradores locais e levar suas opiniões a Washington "para amenizar a situação".>
Trump tem afirmado repetidamente que a Groenlândia é vital para a segurança dos EUA e que Washington obterá o controle da ilha "por bem ou por mal", numa aparente referência à compra do território ou à sua tomada pela força.>
A Groenlândia é pouco povoada, mas rica em recursos naturais, e sua localização entre a América do Norte e o Ártico confere-lhe uma posição privilegiada para sistemas de alerta precoce em caso de ataques com mísseis e para o monitoramento de navios na região.>
Os Estados Unidos já mantêm mais de 100 soldados locados permanentemente em Pituffik, uma estação de monitoramento de mísseis no noroeste da Groenlândia, operada pelos EUA desde a Segunda Guerra Mundial.>
De acordo com os acordos existentes com a Dinamarca, os Estados Unidos têm autoridade para enviar quantos soldados desejarem para a Groenlândia.>
Mas Trump afirma que os Estados Unidos precisam "assumir o controle" da região para defendê-la adequadamente contra potenciais ataques russos ou chineses.>
A Dinamarca alertou que uma ação militar significaria o fim da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança de defesa transatlântica da qual os Estados Unidos são o membro mais influente.>
A Otan baseia-se no princípio de que os aliados devem ajudar-se mutuamente em caso de ataque externo; nunca houve a possibilidade de um membro usar a força contra outro.>
Os aliados europeus juntaram-se à Dinamarca no apoio à aliança.>
Afirmaram também que a região do Ártico é igualmente importante para eles e que a sua segurança deve ser uma responsabilidade conjunta da Otan, com a participação dos Estados Unidos.>
França, Alemanha, Suécia,Noruega, Finlândia, Países Baixos e Reino Unido enviaram um pequeno número de tropas para a Gronelândia esta semana numa alegada missão de reconhecimento.>
O presidente francês Emmanuel Macron anunciou o iminente destacamento de "recursos terrestres, aéreos e marítimos".>
A visita da delegação do Congresso dos EUA à Groenlândia ocorreu dias depois de conversas em Washington entre representantes da ilha e da Dinamarca e membros do governo Trump não terem conseguido dissuadir o presidente de seus planos.>
A delegação incluía senadores e membros da Câmara dos Representantes dos EUA, todos defensores da Otan.>
Embora Coons e a maioria do grupo sejam democratas e opositores declarados de Trump, a delegação também incluía os senadores republicanos moderados Thom Tillis e Lisa Murkowski.>
A deputada groenlandesa Aaja Chemnitz disse que o encontro com os parlamentares americanos lhe deu esperança. Ela declarou à BBC: "Precisamos de amigos. Precisamos de aliados.">
Questionada sobre a grande diferença entre a visão da Casa Branca e a posição da Groenlândia e da Dinamarca, ela respondeu: "É uma maratona, não uma corrida de curta distância.">
"A pressão do lado americano é algo que vemos desde 2019. Seria ingenuidade pensar que tudo acabou", disse Chemnitz.>
"A situação está mudando quase a cada hora. Portanto, quanto mais apoio conseguirmos, melhor", acrescentou ela. >
Murkowski é uma das patrocinadoras de um projeto de lei bipartidário que visa bloquear qualquer tentativa de anexação da Groenlândia. >
Um congressista republicano também apresentou um projeto de lei concorrente que apoia a anexação da ilha.>
O enviado de Trump à Groenlândia, Jeff Landry, disse à Fox News na sexta-feira que os Estados Unidos deveriam conversar com os líderes da Groenlândia, e não com os da Dinamarca.>
"Acredito firmemente que um acordo será alcançado assim que essa situação for resolvida", afirmou.>
"O presidente está falando sério. Acredito que ele preparou o terreno", disse Landry.>
"Ele disse à Dinamarca o que quer, e agora cabe ao Secretário de Estado Marco Rubio e ao Vice-Presidente J.D. Vance chegarem a um acordo.">
"Os Estados Unidos sempre foram receptivos. Não entramos lá tentando conquistar ninguém ou tomar o controle de nenhum país.">
"Dizemos: 'Escutem. Defendemos a liberdade. Defendemos a força econômica. Defendemos a proteção'", disse Landry.>
Os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia se reuniram com Vance e Rubio na Casa Branca na quarta-feira (14/1). >
Segundo um funcionário dinamarquês que falou à BBC sob condição de anonimato sobre a reunião, o vice-presidente dos EUA propôs encontrar um meio-termo que satisfizesse Trump, a Dinamarca e a Groenlândia.>
O funcionário afirmou que a possibilidade de uma anexação da Groenlândia pelos EUA não foi levantada na reunião na Casa Branca.>
"Nunca tivemos discussões com nenhum alto funcionário ou ministro sobre a possibilidade de os Estados Unidos enviarem tropas para a Groenlândia", disse o funcionário.>
Mesmo assim, ele afirmou que a Dinamarca leva a sério o objetivo declarado de Trump de anexar a Groenlândia.>
"Nossa premissa é que, neste assunto, o que ele diz é o que ele pensa", concluiu o funcionário.>
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