Publicado em 7 de setembro de 2025 às 19:32
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), marcou presença neste domingo (7/9) em protesto em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Avenida Paulista. >
Tarcísio, que tenta conquistar o apoio de Bolsonaro para uma eventual candidatura à presidência nas eleições de 2026, defendeu a anistia para o ex-presidente e subiu o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF), criticando o que chamou de "tirania" do ministro Alexandre de Moraes.>
Durante a fala do governador, manifestantes começaram a gritar "fora, Moraes". >
E Tarcísio respondeu: "Por que vocês estão gritando isso? Talvez porque ninguém aguente mais. Ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Moraes. Ninguém aguenta mais o que está acontecendo nesse país.">
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Horas depois da fala de Tarcísio na Paulista, o ministro Gilmar Mendes do STF, respondeu ao governador de São Paulo através de suas redes sociais.>
"Não há no Brasil 'ditadura da toga', tampouco ministros agindo como tiranos. O STF tem cumprido seu papel de guardião da Constituição e do Estado de Direito, impedindo retrocessos e preservando as garantias fundamentais", escreveu Mendes, em sua conta no X (antigo Twitter).>
"O que o Brasil realmente não aguenta mais são as sucessivas tentativas de golpe que, ao longo de sua história, ameaçaram a democracia e a liberdade do povo. É fundamental que se reafirme: crimes contra o Estado Democrático de Direito são insuscetíveis de perdão! Cabe às instituições puni-los com rigor e garantir que jamais se repitam", completou o decano do STF.>
>No Dia da Independência, é oportuno reiterar que a verdadeira liberdade não nasce de ataques às instituições, mas do seu fortalecimento. Não há no Brasil “ditadura da toga”, tampouco ministros agindo como tiranos. O STF tem cumprido seu papel de guardião da Constituição e do…— Gilmar Mendes (@gilmarmendes) September 7, 2025
Em seu discurso na Av. Paulista, Tarcísio também defendeu que Bolsonaro possa disputar as eleições no próximo ano — publicamente, Tarcísio tem reiterado que Bolsonaro deve ser o candidato em 2026, embora nos bastidores ele articule sua própria candidatura. >
"Vamos defender a nossa democracia representativa. E é fundamental que para isso as pessoas possam ser avaliadas nas urnas. Pra isso é fundamental que nós tenhamos Jair Messias Bolsonaro na eleição do ano que vem. Só existe um candidato pra nós que é Jair Messias Bolsonaro", disse Tarcísio, em seu discurso. >
Bolsonaro está inelegível desde 2023 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por uso da máquina pública para disseminar desinformação sobre as urnas eletrônicas. O ex-presidente não pôde participar dos atos deste domingo porque está em prisão domiciliar, após violar medidas restritivas impostas por Moraes. >
Tarcísio criticou ainda o julgamento de Bolsonaro e outros sete réus no STF por tentativa de golpe de Estado. E questionou as provas apresentadas pela acusação e a validade da delação do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid.>
"Nós temos um julgamento de um crime que não existiu", disse ele. "Não existe uma ligação entre o 8 de janeiro e Jair Bolsonaro, não existe um documento, não existe uma ordem. Então, que história é essa? Como é que vão condenar uma pessoa sem nenhuma prova?", questionou o governador.>
"Uma única delação de um colaborador que mudou a versão seis sete vezes em três dias sob coação. Essa delação vale pra alguma coisa? Uma delação mentirosa.">
Na primeira semana do julgamento de Bolsonaro, o procurador-Geral da República, Paulo Gonet, reiterou em sua fala, no entanto, que as acusações contra Bolsonaro são baseadas em uma ampla gama de provas, para além da delação de Cid. >
Tarcísio justificou sua defesa da anistia para Bolsonaro alegando que o processo contra o ex-presidente estaria "viciado".>
"A condenação sem prova abre uma ferida que nunca vai fechar. E se a gente está aqui hoje defendendo uma anistia, é porque a gente sabe que esse processo está maculado. A gente sabe que esse processo está viciado e essa anistia, assim como foi em 79, tem que ser ampla, tem que alcançar todo mundo, tem que ser irrestrita", disse ele, fazendo referência à anistia concedida por crimes políticos praticados durante a ditadura militar no país.>
Na semana que passou, enquanto Bolsonaro era julgado no STF, avançaram na Câmara tratativas para que um projeto de anistia seja aprovado na Casa.>
Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, inclusive disse que já há maioria dos deputados para pautar o assunto. Ele afirmou que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), teria avisado a líderes partidários que o assunto seria pautado — embora ainda não haja data determinada para isso.>
Ele afirmou que a ideia é que a anistia abranja desde os atingidos pelo chamado "inquérito das fake news", de 2019, ao "presente momento" — incluindo um mecanismo para beneficiar Bolsonaro, em caso de condenação do ex-presidente.>
Na quarta-feira (3/9), no entanto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) disse ao jornal Folha de S.Paulo que pretende apresentar uma proposta alternativa à que está em discussão na Câmara.>
A ideia, que desagrada aos bolsonaristas, é apresentar um plano que reduza as penas dos envolvidos no 8 de janeiro, mas sem incluir um perdão a Bolsonaro. >
Além de Tarcísio, estiveram no carro de som na Avenida Paulista o pastor Silas Malafaia, organizador do evento; a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro; o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema.>
"Nós não temos plano B, nosso plano é Bolsonaro presidente", disse Valdemar Costa Neto. "Vamos aprovar a anistia. O PP está com o PL, União Brasil, PSD. Nós temos maioria para aprovar a anistia." >
Em pleno Dia da Independência do Brasil, bolsonaristas levaram uma bandeira gigante dos Estados Unidos à Avenida Paulista.>
Em publicação no X, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos EUA desde março, disse que a bandeira é um "agradecimento" ao presidente americano, Donald Trump.>
Desde julho, Trump impôs tarifas de 50% contra produtos brasileiros, abriu uma ampla investigação comercial contra o Brasil e impôs sanções contra autoridades brasileiras, incluindo a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, pressionando pela absolvição de Bolsonaro no caso da tentativa de golpe. >
Com informações da reportagem de Laís Alegretti e Mariana Alvim, da BBC News Brasil em Londres e em São Paulo>
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