Publicado em 6 de novembro de 2025 às 10:27
Com 28 anos de idade, Rama Duwaji será a primeira-dama mais jovem da história da cidade americana de Nova York. E os holofotes se voltaram para ela assim que seu marido, Zohran Mamdani, venceu as eleições para a prefeitura da cidade, na noite de terça-feira (4/11).>
No seu discurso da vitória, o prefeito eleito fez uma saudação especial para a esposa, que estava bem atrás dele.>
"E, para minha incrível esposa, Rama, hayati ['minha vida', em árabe], não há ninguém que eu preferiria ter ao meu lado neste momento — e em todos os momentos", declarou ele.>
Duwaji é uma artista com raízes na Síria que mora em Nova York. Seu trabalho costuma explorar temas do Oriente Médio.>
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As obras de Duwaji já apareceram na BBC News, nos jornais The New York Times e The Washington Post, na revista Vice e no museu Tate Modern, em Londres.>
"Rama não é apenas minha esposa. É uma artista incrível, que merece ser conhecida pelo seu trabalho", escreveu Mamdani nas redes sociais em 12 de maio, ao anunciar que eles haviam se casado três meses antes.>
"Oh, meu Deus, ela é de verdade", brincou Duwaji, em um comentário na mesma postagem.>
O casal se conheceu no aplicativo de namoros Hinge. "Ou seja, ainda há esperança nesses aplicativos", declarou Mamdani em entrevista ao portal The Bulwark.>
Duwaji raramente era vista durante a campanha eleitoral do marido até recentemente. Os principais oponentes afirmavam que o então legislador estadual de 33 anos estaria "escondendo" sua esposa.>
Sua ausência era notável, considerando que os candidatos nos Estados Unidos costumam exibir suas esposas, para demonstrar seu compromisso com os valores familiares.>
Mamdani respondeu às críticas sobre a ausência da esposa na sua postagem de maio, incluindo uma série de fotografias mostrando seu casamento no cartório municipal de Nova York.>
"Se você der uma olhada no Twitter hoje ou em qualquer outro dia, verá como a política pode ser cruel", escreveu ele.>
"Normalmente, eu ignoro, sejam as ameaças de morte ou pedidos pela minha deportação. Mas é diferente quando é sobre aqueles que amamos... Vocês podem criticar minhas opiniões, mas não minha família.">
Duwaji optou por permanecer longe dos holofotes, mesmo quando a popularidade do marido disparou. Mas o que se diz é que ela é uma força motriz nos bastidores, segundo a CNN.>
A rede de TV afirma que ela trabalhou na finalização da marca que identificava Mamdani, incluindo a iconografia e a fonte usadas nos seus materiais de campanha de cor amarela, laranja e azul.>
Mesmo com ela longe das câmeras pela maior parte do tempo, diversos amigos de Duwaji se manifestaram a seu respeito em entrevistas, em meio às especulações sobre seu papel em um eventual governo Mamdani. >
"Ela é a nossa princesa Diana moderna", declarou um amigo, Hasnain Bhatti, ao The New York Times no mês passado.>
Outros descreveram que Duwaji estava animada, mas impressionada com a crescente atenção em torno dela, segundo o jornal New York Post.>
Duwaji é formada na Universidade da Comunidade da Virgínia e obteve grau de mestrado em ilustração na Escola de Artes Virtuais, em Nova York.>
"Usando retratos desenhados e movimento, Rama examina as nuances da sororidade e das experiências comunitárias", segundo o website profissional da artista.>
Grande parte do seu trabalho é produzido em preto e branco, ilustrando cenas do mundo árabe. Duwaji é da etnia síria e nasceu no Texas, declarou um porta-voz da campanha ao The New York Times.>
Em 2022, suas obras foram incluídas no documentário Who Killed My Grandfather ("Quem matou o meu avô", em tradução livre), do Serviço Mundial da BBC, que investigou o assassinato de um político do Iêmen em 1974.>
Algumas das suas obras relacionadas no Instagram criticam o "imperialismo americano", o que ela chama de crimes de guerra de Israel e denunciam a "limpeza étnica" dos palestinos, refletindo algumas das posições políticas do marido.>
Israel nega veementemente as acusações de prática de genocídio na Faixa de Gaza.>
Suas obras também demonstram seu apoio ao estudante Mahmoud Khalil, da Universidade Columbia, nos Estados Unidos. O governo Trump vem tentando deportar o jovem, qualificando seu trabalho de defesa dos palestinos como "antissemitismo". >
A artista do Brooklyn passou a maior parte da pandemia de covid-19 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde mora sua família, declarou ela em entrevista ao portal YUNG, em abril deste ano.>
Na ocasião, Duwaji foi questionada sobre os recentes acontecimentos no Oriente Médio, a volta de Donald Trump à Casa Branca e o forte aumento das batidas antimigratórias.>
"Não vou mentir, tudo está sombrio, agora, em Nova York", respondeu ela. "Eu me preocupo com meus amigos e minha família e tudo parece completamente fora das minhas mãos.">
"Com tantas pessoas sendo pressionadas e silenciadas pelo medo, tudo o que posso fazer é usar minha voz para denunciar o que está acontecendo nos Estados Unidos, na Palestina e na Síria, o máximo que posso", destacou Duwaji.>
Ela também foi questionada sobre a responsabilidade dos artistas, sobre discutir questões globais.>
"A obrigação do artista, para mim, é refletir a sua época", respondeu ela, citando a cantora e compositora Nina Simone (1933-2003).>
"Acredito que todos têm a responsabilidade de se manifestar contra a injustiça e a arte tem a capacidade de denunciá-la.">
"Não acho que todos devam fazer obras políticas, mas a arte é inerentemente política na sua produção, financiamento e divulgação. A própria criação de arte como refúgio dos horrores que observamos, para mim, é política.">
"É uma reação ao mundo à nossa volta", conclui Rama Duwaji.>
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