Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 08:09
A corrida eleitoral pelo Palácio do Planalto já começa a se desenhar. A nove meses das eleições de 2026, ao menos sete candidatos já se colocaram como pré-candidatos à Presidência da República. >
Entre eles está o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que buscará seu quarto mandato, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal candidato da oposição e representante do clã Bolsonaro nas eleições — já que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), não poderá concorrer ao pleito em 2026. >
Bolsonaro está preso por golpe de Estado e outros quatro crimes e cumpre pena de mais de 27 anos no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.>
Além de Lula e Flávio Bolsonaro, que aparecem em 1° e 2° lugar em pesquisas de intenção de voto, outros pré-candidatos já movimentam o tabuleiro eleitoral, como o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), o líder do MBL Renan Santos (Missão), Samara Martins (UP) e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que disputará a indicação de seu partido com os governadores Eduardo Leite e Ratinho Junior.>
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O quadro, contudo, ainda deve mudar. Até 15 de agosto, prazo final para o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), novos nomes podem surgir e outros desistir da disputa.>
O primeiro turno das eleições gerais deste ano está marcado para 4 de outubro. Caso nenhum candidato obtenha mais da metade dos votos válidos, haverá segundo turno, previsto para 25 de outubro.>
A BBC News Brasil lista os nomes que até o momento anunciaram pré-candidatura à Presidência. >
Durante a campanha eleitoral em 2022, Lula chegou a dizer que caso fosse eleito, seria "um presidente de um mandato só".>
Mas, nos últimos anos, o petista veio dando sinais de que poderia mudar de ideia. >
Em 2025, as durante um evento no Rio de Janeiro, Lula foi direto ao dizer que o país poderia "ter pela primeira vez um presidente eleito 4 vezes".>
Meses depois, durante visita a Jacarta, capital da Indonésia, ele confirmou a jornalistas, durante coletiva de imprensa, que iria concorrer a um quarto mandato.>
Aos 80 anos, o presidente Lula (PT) disputará sua sétima eleição para presidente.>
O atual mandatário aparece em primeiro lugar em todos os cenários de 1º turno da eleição presidencial, segundo pesquisa mais recente divulgada pela Quaest em fevereiro.>
Os percentuais de intenção de voto de Lula variam entre 35% e 39%.>
Na pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada em 25/02, o petista tem 45% (ou mais, dependendo de variações no cenário de candidatos).>
O desafio do petista contudo, é enfrentar a rejeição. A pesquisa Quaest mostra que 54% dos entrevistados não votariam no petista e que 57% não acreditam que ele mereça ser reeleito. >
Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro entrou na política em 2002, quando foi eleito para deputado estadual do Rio de Janeiro.>
Na Assembleia Legislativa, ele exerceu quatro mandatos até se tornar senador da República em 2018, sendo reeleito em 2022. >
A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto foi lançada em dezembro de 2025, quando ele anunciou ter sido escolhido pelo pai para ser o candidato do PL a disputar a Presidência.>
A escolha foi confirmada em nota assinada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto.>
O anúncio foi feito após semanas de desentendimentos entre membros da família Bolsonaro e da oposição em torno de articulações sobre quem deveria liderar a direita bolsonarista.>
Flávio deverá ser o principal candidato da oposição. Ele aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenções de voto realizados pela Quaest, com índices que variam entre 29% a 33%. >
Na pesquisa da Atlas/ Bloomberg entretanto, Flávio tem entre 37.9% e 39.1% das intenções de voto. A mesma pesquisa apontou, perla primeira vez, uma pequena vantagem de Flávio se disputasse o 2º turno com Lula — ele teria 46.3%, e Lula, 46.2%. >
Mas, assim como Lula, o filho do ex-presidente também enfrenta alta rejeição. 55% dos entrevistados pela pesquisa Quaest informaram que não votariam em Flávio Bolsonaro em 2026. >
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, anunciou sua pré-candidatura à Presidência em agosto do ano passado, durante um evento em São Paulo. >
Na ocasião, ele fez críticas a Lula e disse que iria "varrer o PT do mapa". >
Em entrevista à BBC dias antes de se lançar como pré-candidato, Zema admitiu ter afinidade em propostas com o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas que poderia não ter o apoio dele na eleição. >
Tanto em 2018 quanto em 2022, Zema declarou apoio a Bolsonaro nas eleições presidenciais. >
O empresário mineiro estreou na política em 2018, quando disputou sua primeira eleição para o governo de Minas Gerais. >
Ele venceu no segundo turno com mais de 70% dos votos válidos e se tornou o primeiro governador eleito pelo partido Novo. Zema foi reeleito em 2022 com 56,18% dos votos válidos no primeiro turno.>
Antes de entrar para a política, Zema atuou por 26 anos como CEO do Grupo Zema, que atua nos mercados de varejo, distribuição de combustível, concessionárias de veículos, serviços financeiros e autopeças. Em 2022, ele declarou um patrimônio de quase R$ 130 milhões.>
O governador de Minas Gerais pode ser o terceiro candidato lançado pelo Novo à Presidência. >
Em 2018, o empresário João Amoêdo, então presidente do partido, surpreendeu ao terminar o primeiro turno em quinto lugar — com 2,5% dos votos válidos —, à frente de candidatos como Henrique Meirelles e Marina Silva (Rede).>
Já em 2022, o Novo lançou o cientista político Felipe D'Ávila, que recebeu 0,47% dos votos válidos.>
Zema aparece com 1% de intenções de voto na pesquisa mais recente da Quaest, e com 3.9% e 5.7% nos cenários que preveem participação de Lula e Flávio na corrida presidencial (no quarto cenário, com Tarcísio de Freitas no lugar de Flávio Bolsonaro, Zema levaria 8.5% dos votos) na pesquisa da Atlas/ Bloomberg. >
Figura histórica do PCdoB, ao qual foi filiado por cerca de 40 anos, o ex-ministro Aldo Rebelo lançou sua pré-candidatura à Presidência pelo partido Democracia Cristã (DC) no fim de janeiro. >
Durante o evento, fez críticas ao governo do presidente Lula, de quem foi aliado, e ao Supremo Tribunal Federal (STF).>
Aldo Rebelo integrou o núcleo político dos governos petistas e comandou ministérios estratégicos nas gestões de Lula e Dilma Rousseff. Mas, nos últimos anos, afastou-se desse campo político e se aproximou do bolsonarismo.>
Rebelo chegou a convidar o ex-ministro das Comunicações Fábio Wajngarten, do governo Bolsonaro, para compor sua chapa como vice.>
Rebelo é jornalista, foi deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados entre 2005 e 2007. >
Ele aparece com 1% de intenções de voto na pesquisa mais recente da Quaest, e entre 0.9% e 1.1% nos cenários da pesquisa Atlas/ Bloomberg.>
Em 2022, o DC lançou José Maria Eymael — que usou o nome de Constituinte Eymael para as urnas — como candidato à Presidência. Ele teve 0,01% dos votos válidos. >
Cofundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos lançou em janeiro sua pré-candidatura à Presidência pelo Missão, legenda idealizada por integrantes do próprio MBL. >
Ele aparece com 1% das intenções de voto na pesquisa Quaest. Na pesquisa Atlas/ Bloomberg ele fica com entre 2.5% e 3.7% dos votos.>
O Movimento Brasil Livre foi criado em 2014 e ganhou projeção nacional durante as manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff, quando ajudou a organizar protestos de rua contra o governo do PT.>
Junto com Kim Kataguiri (União), que hoje exerce o cargo de deputado federal, Santos ficou conhecido por sua atuação nas mobilizações de rua e presença nas redes sociais.>
Em 2018, o MBL apoiou a candidatura de Bolsonaro. Em 2022, fizeram campanha pelo voto nulo no segundo turno. >
Em entrevista à BBC News Brasil em dezembro do ano passado, Kataguiri disse que apoiar Bolsonaro em 2026 estava "fora de cogitação" e que Santos seria o representante do movimento. >
No início de fevereiro, o Partido Unidade Popular (UP) lançou Samara Martins como pré-candidata à disputa pelo Palácio do Planalto. >
Samara tem 36 anos, é dentista e vice-presidente nacional do partido. Ela também atua no Movimento de Mulheres Olga Benário e na Frente Negra Revolucionária.>
O nome dela não aparece na pesquisa mais recente divulgada pela Quaest. >
Na última eleição, o UP lançou Léo Péricles como candidato à presidência. Ele obteve 0,05% dos votos válidos. >
Nas eleições de 2022, o PSD não lançou um nome à Presidência e deixou seus filiados livres para apoiarem Lula ou Bolsonaro no segundo turno. >
Mas em 2026 o cenário deve ser diferente.>
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, já anunciou que o partido vai ter candidato próprio na disputa pelo Palácio do Planalto. O nome, contudo, só deve ser definido em abril, segundo Kassab.>
A estratégia é apresentar uma alternativa de centro-direita desvinculada de Bolsonaro.>
Entre os nomes cotados estão os governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior, do Paraná. Todos eles exercem o segundo mandato em seus respectivos Estados.>
Político experiente com uma trajetória de mais de três décadas, passando pela Câmara dos Deputados e Senado, o atual governador de Goiás já manifestou diversas vezes sua intenção de disputar a Presidência.>
Em abril de 2025, quando ainda fazia parte dos quadros do União Brasil, Ronaldo Caiado lançou sua pré-candidatura ao Planalto em um evento do partido em Salvador — que não contou com a presença do presidente da sigla, Antônio Rueda.>
Após pressões internas para desistir da candidatura, ele anunciou sua saída do União e se filiou ao PSD em janeiro deste ano. >
Na época, Caiado concedeu uma entrevista para a BBC News Brasil, em que criticou o PT, mas evitou falar do ex-presidente Jair Bolsonaro.>
Apesar de ter apoiado Bolsonaro em 2018 e em 2022, Caiado se afastou do bolsonarismo durante a pandemia, por defender posições diferentes em relação ao isolamento social, e também ao repudiar os atos golpistas de 8 de janeiro, classificando o ocorrido, na época, como "inadmissível, inaceitável e condenável".>
Para se cacifar como candidato, Caiado, visto como um dos principais representantes políticos do "agro", vai ter que superar outros nomes dentro do partido e superar o fato de ser pouco conhecido fora do seu Estado.>
Na pesquisa mais recente da Quaest, Caiado aparece com 4% das intenções de voto no primeiro turno. Já nos cenários da pesquisa Atlas Bloomberg, ele receberia entre 4.9% e 5.1%.>
Caso o governador de Goiás seja o candidato escolhido pelo PSD, essa não seria a primeira vez que ele disputaria a presidência da República. >
Em 1989, Caiado disputou a cadeira do Palácio do Planalto. Naquelas eleições, Caiado ficou em 10º lugar, com menos de 1% dos votos.>
Filiado ao PSD desde maio de 2025 — após encerrar uma trajetória de quase 25 anos no PSDB — , Eduardo Leite é outro nome cotado por Kassab para a Presidência. >
Ele aparece com 4% das intenções de voto no primeiro turno na pesquisa da Quaest e com 1.9% na pesquisa da Atlas/ Bloomberg. >
Em 2022, o governador do Rio Grande do Sul chegou a concorrer às prévias do PSDB para disputar o Palácio do Planalto, mas foi derrotado nas eleições internas pelo então governador de São Paulo, João Dória. >
Posteriormente, a legenda desistiu de lançar um candidato.>
Nas eleições de 2018, Leite declarou voto e apoio a Bolsonaro. Já em 2022, disse que ficaria neutro no segundo turno. >
Em entrevista à BBC News Brasil em dezembro de 2025, o governador do Rio Grande do Sul disse não se sentir representado nem por Lula e nem por Bolsonaro, e afirmou que o PSD não vai estar em nenhum dos dois lados em 2026.>
Ele também não escondeu seu desejo de ser candidato a presidente, mas têm ciência de que há outros nomes dentro do partido e que tudo vai depender do aval de Kassab.>
Caso Leite não seja o escolhido do PSD, deve disputar uma vaga ao Senado. >
Entre as opções do PSD, o governador do Paraná, Ratinho Júnior, tem se mostrado o mais competitivo, apesar de sua pré-candidatura ainda não ter decolado. >
Ele aparece com 8% das intenções de voto no primeiro turno na pesquisa Quaest, e com 3.8% na pesquisa Atlas/ Bloomberg. >
Aos 44 anos, Ratinho Jr. se coloca como parte de uma nova geração da política e declarou recentemente que "sentiria orgulho" em ser o escolhido pelo partido para disputar a presidência. >
Filho do apresentador de TV Ratinho, o governador do Paraná é o pré-candidato do PSD mais conhecido pelos entrevistados, segundo a Quaest. São 63% os que afirmaram conhecê-lo.>
Apesar disso, ele também é o que que enfrenta mais rejeição. 40% dos entrevistados disseram que não votariam nele. >
Tanto em 2018 quanto em 2022 ele declarou apoio a Bolsonaro nas eleições presidenciais. >
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