Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 09:09
"Eu costumava andar com os ombros curvados, só para não mostrar que tinha seios grandes. Lembro disso porque eu sentia muita, muita vergonha.">
Em 2010, a professora universitária argentina Raquel decidiu se submeter a uma cirurgia de redução dos seios.>
Agora com 52 anos, ela conta que os resultados ofereceram a ela uma "sensação de liberdade" que ela nunca havia sentido antes.>
Ter seios grandes é considerado atraente em muitas partes do mundo. Mas a realidade pode ser difícil, devido a problemas significativos que prejudicam a saúde e a qualidade de vida das mulheres.>
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Os seios grandes são relacionados a diversos sintomas, como dores crônicas nas costas, dores de cabeça, má postura, dormência e distúrbios do sono, além de problemas de saúde mental.>
Os dados mais recentes da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética demonstram que foram realizadas, em todo o mundo, 652.676 cirurgias de redução dos seios em 2024.>
O Brasil registrou o maior número dessas cirurgias (115.647), seguido pelos Estados Unidos (67.478), França (38.780), Alemanha (32.068), Turquia (25.334) e Índia (22.400).>
A título de curiosidade: o Brasil teve, no mesmo período, 232.593 cirurgias para aumentar seios. >
Raquel conta que sofria dores crônicas nas costas, devido aos seus grandes seios, desde que era adolescente. Mas, na Argentina, ter seios grandes, muitas vezes, era considerado uma bênção.>
"A maioria das pessoas, mulheres, dizem que você tem muita sorte", explica ela.>
"Eu não tinha sorte. Eu sofria muito. Eu sofri na adolescência, como mulher e como mãe.">
De fato, ela afirma que ainda sofre de dores nas costas devido à forma como ela andava para tentar esconder seu corpo.>
Raquel é uma pessoa ativa e conta que gostava de ioga, pilates e frequentava a academia. Mas ela chegou a um ponto em que seus grandes seios a impediam de fazer exercício.>
A presidente da Associação Britânica de Cirurgiões Plásticos Estéticos, Nora Nugent, afirma que a restrição dos movimentos e as dificuldades para praticar exercícios são algumas das queixas mais comuns das suas pacientes que buscam a cirurgia de redução dos seios.>
"Do ponto de vista funcional, seios grandes são pesados", explica ela. "Por isso, eles tendem a arrastar você para frente e fornecem tensão constante sobre as costas e o pescoço.">
"Eles também deixam os exercícios muito desconfortáveis e dificultam a escolha de sutiãs bem ajustados, que ofereçam sustentação.">
Raquel relembra que precisava usar "dois ou três" sutiãs, apenas para sustentar seus seios. E encontrar um sutiã que se ajustasse gerava uma certa tensão financeira.>
"Na Argentina, os sutiãs para seios grandes são muito caros", ela conta.>
No Reino Unido, Nugent conta que a maioria das suas pacientes retira entre 500 g e 800 g de cada seio. Mas ela já viu volumes maiores.>
"Às vezes, não é um grande volume em peso do corpo, mas sim para uma área pequena", explica ela.>
No caso de Raquel, os médicos retiraram um total de 2,5 kg dos seus seios.>
"Após a cirurgia, eu me lembro do que senti quando precisei pegar algo do chão. Eu pensei 'uau, outro corpo'. Eu me senti muito, muito livre.">
Certa vez, a professora Joanna Wakefield-Scurr marcou uma consulta médica para discutir sua dor crônica nos seios. A recomendação foi que tudo o que ela precisava era de um sutiã bem ajustado.>
A professora é especialista em biomecânica e decidiu pesquisar o que compõe um bom sutiã.>
"Percebi que, na verdade, sabemos muito pouco sobre por que precisamos de sutiãs, quais são seus benefícios e como o sutiã deve funcionar", afirma Wakefield-Scurr.>
"O sutiã foi considerado mais um produto de moda, não algo que é funcional, que tem um propósito, que traz benefícios à saúde. Fiquei muito decepcionada com isso.">
Esta descoberta a motivou a formar um grupo de pesquisa sobre a saúde dos seios na Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, em 2005.>
Sua equipe identificou quatro consequências negativas do uso de um sutiã mal ajustado: dores, estiramento da pele e danos aos tecidos, alterações da forma de respiração e do período de tempo entre os batimentos cardíacos e barreiras à atividade física.>
"Se você tiver seios mais pesados, que fiquem balançando para cima e para baixo, isso pode realmente alterar sua respiração, a forma como você respira", explica a professora.>
"Isso altera a força que você exerce sobre o chão. Tem um certo efeito sobre toda a sua função corporal.">
Depois de anos de pesquisas e experimentos, o grupo também concluiu que os seios se movimentam em forma de oito durante todos os tipos de exercício. Eles determinaram que a solução para reduzir as dores nos seios era diminuir a velocidade do movimento, não o quanto eles se movem.>
A equipe, agora, trabalha com atletas de elite, como as Leoas (como é chamada a seleção de futebol feminino da Inglaterra) e algumas das principais golfistas do mundo, para criar o melhor sutiã possível para elas.>
"Estamos observando organizações, como a Associação de Futebol da Inglaterra e a World Rugby, investindo em iniciativas em prol da saúde das atletas femininas", conta Wakefield-Scurr. "E isso realmente só aconteceu, provavelmente, nos últimos cinco anos.">
"É algo relativamente novo, mas é ótimo observar esta mudança.">
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Raquel precisou enfrentar as opiniões da sociedade e a falta de conhecimento sobre as dificuldades de ter seios grandes.>
Ela conta que se sentiu julgada pelas suas colegas ao fazer a cirurgia de redução dos seios. E era comum que elas tivessem uma percepção errada sobre os seus motivos.>
"Acho que a maioria das pessoas achava que era uma questão estética, não de saúde", segundo ela.>
"Lembro que, quando fiz, uma mulher me disse 'agora, você precisa ir tirar o seu estômago — com uma lipoaspiração'.">
Apesar dessas reações, Raquel afirma que não se arrepende.>
"Estou muito feliz e, agora que estou na menopausa, não sei como conseguiria viver com seios grandes. Não consigo me imaginar com aquele corpo.">
Nugent explica que o aumento do número de pacientes buscando a cirurgia de redução dos seios pode refletir um interesse crescente pelo autocuidado.>
"Definitivamente, existe um aumento não só das mulheres, mas de todos os pacientes que querem viver bem", segundo ela.>
"Não se trata necessariamente da busca da perfeição, mas da busca da saúde e do bem-estar.">
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