Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 08:10
Joan Scourfield entende por que tanta gente considera extraordinário vê-la abraçando o homem que causou a morte de seu filho.>
James Hodgkinson sofreu um grave traumatismo craniano depois de ter sido derrubado com um único soco em Nottingham, no Reino Unido, e morreu nove dias depois.>
Hoje, a mãe, enfermeira em Derby, faz campanha ao lado do autor do golpe fatal ocorrido em 2011.>
Sua história de perdão diante de uma tragédia devastadora transformou-se em um espetáculo teatral com ingressos esgotados tanto em Londres quanto em Nova York.>
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Joan diz que James, de 28 anos, era um filho afetuoso, que sonhava em se tornar paramédico de ambulância e gostava de esportes de aventura, como wakeboard, esporte aquático em que a pessoa desliza sobre a água em uma prancha curta.>
"O gosto dele por esportes cheios de adrenalina era uma grande preocupação. As pessoas diziam: 'vamos fazer uma corrida divertida para arrecadar dinheiro', e ele aparecia (para correr) usando uma fantasia de lutador de sumô", disse.>
James morreu depois de ir assistir fantasiado a uma partida de críquete, quando a Inglaterra disputava uma partida no estádio Trent Bridge (Nottingham), em julho de 2011.>
Seu grupo seguiu para um bar no centro da cidade, onde um desconhecido embriagado pegou um dos chapéus de pirata que usavam.>
Seguiu-se uma confusão, James foi atingido por um soco e morreu nove dias depois.>
Jacob Dunne, então com 19 anos, morador do bairro The Meadows, em Nottingham, admitiu homicídio culposo no julgamento.>
Em novembro de 2011, ele foi condenado a 30 meses em um centro de detenção para jovens infratores.>
"As pessoas recebiam penas maiores por roubar uma televisão", disse Joan. "Eu achava que a vida de James valia mais… que justiça James teve?">
Mas, 14 anos depois, Joan descreve Dunne como um amigo e diz que às vezes se encontra com ele para almoçar ou tomar café.>
Eles uniram forças para chamar a atenção para os perigos dos ataques de "um único soco" e para os benefícios do que é conhecido como justiça restaurativa.>
A justiça restaurativa é uma iniciativa voluntária que permite que vítima e agressor compartilhem entre si como o crime os afetou, o que pode ocorrer pessoalmente, por escrito ou por meio de entrevistas gravadas.>
Esse processo deu a Joan e a seu ex-marido, David, a oportunidade de escrever a Dunne enquanto ele ainda cumpria pena.>
Eles queriam que ele explicasse por que deu o soco fatal que tirou a vida do filho do casal.>
Joan relata que essas cartas acabaram levando a um encontro presencial tenso, depois que Dunne deixou a prisão.>
"Eu só tinha visto a foto policial, então eu esperava que entrasse uma pessoa má, mas quem entrou na sala foi um jovem vulnerável", afirmou.>
Ela afirma que Dunne ficou surpreso ao perceber que ela se importava o suficiente para perguntar o que ele pretendia fazer da própria vida.>
"Eu não queria essa porta giratória, com ele entrando e saindo da prisão, ficando cada vez pior, e talvez fazer com que outras famílias passem pelo que eu estou passando. Eu me importava com ele, porque queria que ele parasse com a violência", acrescentou.>
Joan conta que, então, disse a Dunne que o perdoava e se ofereceu para dar uma referência que o ajudasse a mudar de vida.>
"Ele disse que iria para a universidade por nossa causa", afirmou. "Eu respondi: 'não vá para a universidade por nós; se for, vá por você'.">
Joan disse: "Não guardo o mesmo ressentimento, porque sinto que fizemos mais por Dunne do que se ele tivesse passado 20 anos na prisão.">
"Estou pedindo que ele abandone as amizades que tinha e mude de vida, isso é um pedido grande para qualquer pessoa, não é?", questionou.>
Dunne concluiu com distinção máxima o curso de criminologia na Nottingham Trent University e publicou o livro Right from Wrong: My Story of Guilt and Redemption (O Certo do Errado: Minha História de Culpa e Redenção, em tradução livre).>
A obra foi adaptada para o teatro pelo premiado dramaturgo James Graham, de Nottingham. A peça, intitulada Punch, volta ao Nottingham Playhouse neste ano, após temporadas no Apollo, no West End de Londres — região de Londres que concentra os principais teatros da cidade —, e no Samuel J. Friedman Theatre, em Nova York (EUA).>
Joan Scourfield disse que foi estranho ver sua personagem interpretada por Julie Hesmondhalgh, ex-atriz da série Coronation Street — a novela mais longeva da TV britânica.>
"Algumas partes são obviamente bastante dolorosas, como a da decisão de desligar a máquina de suporte à vida, o encontro com Jacob [Dunne] ou quando fala sobre James; é muito difícil ouvir tudo isso na voz de outra pessoa", disse.>
Joan Scourfield e Jacob Dunne têm subido juntos ao palco para sessões de perguntas e respostas após apresentações recentes, ocasiões em que ela concorda que o público pode achar extraordinário vê-los se abraçando.>
"É fora do comum, sim, mas eu precisava seguir em frente e não queria ser consumida pelo luto; este é o meu caminho, tentar tirar algo de bom disso", afirmou Joan.>
"Outras pessoas do grupo dele mudaram de vida por causa disso, então algum bem certamente está saindo dessa história.">
Agora, Joan Scourfield quer que a justiça restaurativa seja oferecida de forma rotineira a vítimas e autores de crimes traumáticos, e disse estar convencida de que o filho aprovaria a iniciativa.>
"Eu acho que James ficaria honrado e surpreso, porque ele sempre foi alguém que ajudava jovens; para mim, isso fecha um ciclo", disse.>
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