Publicado em 25 de março de 2026 às 07:34
Se o preço do petróleo atingir US$ 150 por barril, isso desencadeará uma recessão global, afirmou à BBC o CEO da gigante financeira americana BlackRock.>
Larry Fink, que lidera a maior gestora de ativos do mundo, disse que, se o Irã "continuar sendo uma ameaça" e os preços do petróleo permanecerem altos, isso terá "implicações profundas" para a economia global.>
Em uma entrevista exclusiva, ele também negou a existência de uma bolha em torno da inteligência artificial, embora tenha afirmado que a nova tecnologia está levando muitas pessoas a buscar diplomas universitários — enquanto há poucos interessados em formação técnica.>
A BlackRock é uma gigante do setor financeiro, com cerca de US$ 14 trilhões (aproximadamente R$ 73 trilhões) sob gestão, e está entre os maiores investidores em muitas das maiores empresas do mundo.>
>
O tamanho e a presença da BlackRock dão a Fink — um dos oito cofundadores da empresa, fundada em 1988 — uma visão privilegiada da saúde da economia global.>
O conflito no Oriente Médio provocou oscilações bruscas nos mercados financeiros, à medida que as pessoas tentam avaliar o que acontecerá com os custos de energia.>
Para Fink, ainda é cedo para determinar a escala e o desfecho final do conflito, mas ele acredita que será um de dois cenários extremos.>
No primeiro cenário, se o conflito for resolvido e o Irã voltar a ser um país aceito pela comunidade internacional, o preço do petróleo poderia cair para níveis inferiores aos registrados antes da guerra.>
Caso contrário, ele afirma que pode haver "anos com o petróleo acima de US$ 100, próximo de US$ 150", o que teria "implicações profundas para a economia" e poderia resultar em "uma recessão provavelmente drástica e acentuada".>
>
O aumento nos custos de energia levou alguns setores no Reino Unido a defender que o país deveria priorizar a produção doméstica de petróleo e gás.>
Na terça-feira (24/3), a associação Offshore Energies UK afirmou que, sem maior produção interna, o país corre o risco de se tornar dependente de importações "em um momento de crescente instabilidade global".>
Fink afirma que os países precisam ser pragmáticos em relação à sua matriz energética, utilizando todas as fontes disponíveis, mas que o fornecimento de energia barata é fundamental para impulsionar o crescimento econômico e elevar o padrão de vida.>
"Aumentar os preços da energia é um imposto muito regressivo. Afeta mais os pobres do que os ricos.">
Embora o Reino Unido já conte com fontes como energia solar, eólica e hidrocarbonetos, Fink afirma que, se o preço do petróleo subir para US$ 150 por três ou quatro anos, "muitos países passariam a migrar rapidamente para a energia solar e, possivelmente, também para a eólica".>
Os países não devem depender de apenas uma fonte, afirma ele.>
"Use o que você tem, sem dúvida, mas também avance de forma agressiva para fontes alternativas.">
Alguns analistas têm apontado semelhanças entre o momento atual dos mercados e o período que antecedeu a crise financeira de 2007-2008.>
Os preços da energia estão em alta, e há quem identifique sinais de fragilidade no sistema financeiro. A própria BlackRock está entre as empresas que limitaram saques de investidores preocupados em fundos de crédito privado.>
Mas Larry Fink descarta qualquer possibilidade de repetição da crise financeira de 2007-2008, quando diversos bancos ao redor do mundo quebraram ou precisaram ser resgatados. Segundo ele, as instituições financeiras hoje estão mais seguras.>
"Não vejo nenhuma semelhança", afirmou. "Zero.">
Fink acrescenta que os problemas que afetam alguns fundos representam apenas uma pequena parcela do mercado, e que o investimento de instituições permanece forte.>
Fink também rejeita a ideia de que o aumento nos investimentos em inteligência artificial — que já somam bilhões de dólares — tenha sido exagerado. >
"Não acredito que tenhamos uma bolha", afirma.>
"Poderíamos ter um ou dois fracassos na IA? Claro, isso não é um problema.">
No ano passado, a BlackRock integrou um consórcio que adquiriu uma das maiores operadoras de data centers do mundo, a Aligned Data Centres, em um negócio avaliado em US$ 40 bilhões.>
"Eu acredito que há uma corrida pela liderança tecnológica. Se não investirmos mais, a China vencerá", disse. >
"É fundamental que desenvolvamos agressivamente nossas capacidades em IA.">
Segundo Fink, o principal obstáculo para a expansão da inteligência artificial nos Estados Unidos e na Europa é o custo da energia.>
Enquanto a China investe massivamente em energia solar e nuclear, na Europa "só vejo muita conversa e nenhuma ação", diz ele, enquanto nos EUA "por mais que sejamos independentes em termos energéticos, é melhor começarmos a focar na energia solar... porque precisamos de energia barata e acessível para avançar na IA".>
No início desta semana, em sua carta anual aos acionistas, Fink afirmou que o avanço da inteligência artificial corre o risco de ampliar a desigualdade, com apenas um pequeno número de empresas e investidores se beneficiando. >
No entanto, em entrevista à BBC, ele enfatizou que a IA deve criar uma "quantidade enorme de empregos".>
Fink disse que, em sua carta, ele escreveu sobre quantos empregos seriam criados "relacionados a eletricistas, soldadores e encanadores".>
Em contrapartida, a demanda por alguns empregos de escritório pode diminuir à medida que a inteligência artificial evolui, o que pode levar a uma reavaliação dos tipos de funções necessárias, já que "a sociedade está mudando e evoluindo".>
"Colocamos muito peso sobre muitos empregos e muitas pessoas que provavelmente não deveriam ter seguido carreiras em áreas como bancos, mídia ou direito, e que talvez tivessem se destacado em trabalhos manuais. Precisamos agora reequilibrar essa abordagem", afirma.>
Segundo ele, nos EUA, depois da Segunda Guerra Mundial, "construímos a base da educação e dissemos a todos os jovens: vão para a faculdade, vão para a faculdade, vão para a faculdade. E provavelmente exageramos".>
"Precisamos equilibrar isso, nos orgulhar de que uma carreira pode ser sólida nessas áreas de encanamento e eletricidade.">
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta