Publicado em 25 de março de 2026 às 09:34
Um porta-voz das Forças Armadas do Irã disse nesta quarta-feira (25/3) que os EUA estão "negociando consigo mesmos" e que "alguém como nós jamais chegará a um acordo com alguém como vocês".>
O comentário foi feito por Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã, o principal comando militar do país. Sem mencionar diretamente os EUA e o presidente americano, Donald Trump, ele disse: "Não chamem sua derrota de acordo".>
"O nível do seu conflito interno chegou ao ponto em que vocês estão negociando consigo mesmos?", disse Zolfaghari em uma mensagem de vídeo publicada por veículos de comunicação iranianos.>
"Vocês não verão seus investimentos na região nem os preços anteriores da energia e do petróleo novamente, até que entendam que a estabilidade na região é garantida pela mão poderosa de nossas forças armadas. A estabilidade vem da força", disse Zolfaghari.>
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"Alguém como nós jamais fará um acordo com alguém como vocês. Nem agora, nem nunca".>
Os comentários surgiram depois de Donald Trump insistir que o Irã "quer muito" um acordo.>
"Eles nos deram um presente, e o presente chegou hoje, e era um presente muito grande, que vale uma quantia enorme de dinheiro", disse Trump na terça-feira em entrevista coletiva à imprensa na Casa Branca.>
Trump não disse o que seria esse presente — apenas afirmou que se trata de algo não nuclear, mas sim "relacionado a petróleo e gás".>
O presidente americano disse que os EUA estão conversando com "as pessoas certas" no Irã para chegar a um acordo. "Estamos em negociações agora", disse ele, sem fornecer detalhes.>
A imprensa americana noticiou que o governo Trump estaria prestes a enviar tropas americanas para o Irã. No entanto, algumas informações são conflitantes e não está claro se o presidente Trump aprovou o plano ou se o Pentágono já emitiu uma ordem final.>
Segundo a rede americana CBS News, existe uma expectativa de que o Pentágono enviaria tropas da 82ª Divisão Aerotransportada, incluindo forças terrestres e um elemento de comando.>
Trump não mencionou um possível envio de tropas na sua entrevista coletiva de terça. O Departamento de Defesa não anunciou nenhum envio de tropas.>
Especialistas militares dizem que um possível envio provavelmente se concentraria em aumentar a pressão sobre o Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. O Irã começou a atacar petroleiros comerciais que utilizam o estreito depois que os EUA iniciaram a guerra no mês passado.>
Especula-se também que as tropas americanas poderiam ser usadas para tomar a Ilha de Kharg. A ilha abriga instalações de armazenamento e carregamento de petróleo e responde por cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã.>
Ex-funcionários da defesa dos EUA e especialistas militares disseram à BBC que tropas americanas provavelmente conseguiriam assumir o controle da pequena ilha com facilidade.>
No fim de semana, Trump havia ameaçado aniquilar as "diversas usinas de energia do Irã, começando pela maior", dando ao país 48 horas para permitir a retomada da navegação no Estreito de Ormuz.>
Mas na segunda-feira, pouco antes do final do prazo, Trump anunciou que o Irã havia retornado à mesa de negociações, e adiou sua ameaça de bombardeio por cinco dias. Mas o Irã negou que estivessem ocorrendo negociações.>
No dia seguinte, Trump disse ter enviado um plano de 15 pontos ao Irã para negociar um cessar-fogo.>
A agência de notícias Associated Press noticiou nesta quarta-feira que o Irã teria recebido o plano dos EUA, citando duas autoridades do Paquistão.>
Segundo os oficiais paquistaneses, a proposta americana abrange pontos como alívio das sanções, cooperação nuclear civil, reversão do programa nuclear iraniano, monitoramento pela Agência Internacional de Energia Atômica e limites para mísseis e acesso para navegação pelo Estreito de Ormuz.>
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, já disse em outras ocasiões que o seu país está "pronto" para sediar negociações para um acordo sobre o conflito.>
Em Israel, o ministro da Economia do país, Nir Barkat, disse à BBC ser improvável que o Irã concorde com o plano de 15 pontos supostamente apresentado pelo governo americano. Segundo o ministro, o plano é "bonito no papel", mas precisa de garantias para ser implementado.>
O regime iraniano "não vai mudar", disse ele, e os principais objetivos de Israel para a guerra eram deixar o Irã "sem armas nucleares, sem mísseis e sem aliados".>
"Confio que o presidente Trump e o primeiro-ministro Netanyahu estejam alinhados nesses objetivos e os alcançaremos de uma forma ou de outra", disse Barkat. "Por um lado, talvez Trump esteja abrindo discussões, mas ele também está enviando tropas para a região e, basicamente, dizendo ao povo iraniano que estamos falando sério.">
"Acredito que, ao final desta rodada, alcançaremos os objetivos, com ou sem acordo.">
Ele não confirmou se Israel e EUA estão alinhados em relação ao plano de 15 pontos.>
Nesta quarta-feira, houve relatos de novos ataques em Irã, Israel, Líbano e países do Golfo, como Arábia Saudita e Kuwait.>
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