Publicado em 14 de agosto de 2024 às 14:48
Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) da África devem anunciar que a mpox se tornou uma emergência de saúde pública em todo o continente, por causa da rápida propagação da enfermidade por alguns países da região.>
A mpox é um novo nome adotado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a antiga varíola dos macacos (ou monkeypox, em inglês)>
O atual surto de mpox é mais preocupante do que os anteriores porque envolve uma nova variante do vírus, que os especialistas dizem ser a versão mais perigosa que já se viu.>
No Brasil, 709 casos e 16 mortes por mpox foram notificados em 2024 — e, com os temores de um novo problema de saúde pública, o Ministério da Saúde convocou uma reunião para discutir a questão.>
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Em nota, o ministério diz que pretende atualizar as recomendações e o plano de contingência para a mpox no país. >
O texto ainda aponta que o governo "acompanha com atenção" a situação da mpox no mundo e monitora informações junto à OMS e outras instituições.>
"A avaliação é que o evento apresenta risco baixo neste momento para o Brasil", destacou ao ministério. >
Confira a seguir o que se sabe sobre a doença — e as formas de prevenção, diagnóstico e tratamento.>
A mpox é uma doença causada pelo vírus monkeypox. >
Esse agente infeccioso pertence ao mesmo grupo de vírus da varíola, embora costume ser muito menos prejudicial.>
Esse vírus foi originalmente transmitido de animais para humanos, mas agora também circula entre pessoas.>
Ele é mais comum em aldeias remotas nas florestas tropicais da África, especialmente em países como a República Democrática do Congo.>
Nessas regiões, ocorrem milhares de casos e centenas de mortes por mpox todos os anos — as crianças com menos de 15 anos são as mais afetadas.>
Duas cepas principais do vírus circulam pelo mundo.>
A primeira, chamada de "clado 1" é endêmica na África Central. >
Já a "clado 1b" abrange uma nova versão do patógeno, que é mais virulenta e está envolvida no surto atual.>
O CDC africano afirma que foram detectadas mais de 14,5 mil infecções e mais de 450 mortes por mpox entre o início de 2024 e o final de julho. >
Isso representa um aumento de 160% nos casos e um incremento de 19% nos óbitos em comparação com o mesmo período de 2023.>
Embora 96% dos casos de mpox ocorram na República Democrática do Congo, a doença se propagou para muitos países vizinhos, como Burundi, Quênia, Ruanda e Uganda, onde normalmente não é endêmica.>
Uma cepa mais branda de mpox, que pertence ao chamado "clado 2", causou um surto global em 2022.>
Ela se disseminou por quase 100 países, incluindo o Brasil e partes da Europa e da Ásia, que normalmente o vírus não circula.>
O surto foi controlado por meio da vacinação de grupos vulneráveis.>
O acesso às vacinas e aos tratamentos contra mpox é deficiente na República Democrática do Congo — e as autoridades de saúde seguem preocupadas com a propagação da doença.>
Os sintomas iniciais incluem febre, dores de cabeça, inchaços, dores nas costas e dores musculares.>
Assim que a febre diminui, podem ocorrer erupções na pele. Elas geralmente começam pelo rosto e depois se espalham para outras partes do corpo, mais comumente nas palmas das mãos e nas solas dos pés.>
Esses machucados, que podem causar muita coceira e dor, passam por diferentes estágios antes de finalmente formarem uma crosta, que posteriormente cai. >
Essas lesões ainda podem deixar cicatrizes.>
A infecção geralmente desaparece sozinha e dura entre 14 e 21 dias.>
Em casos graves, as lesões podem atacar todo o corpo, principalmente a boca, os olhos e os órgãos genitais.>
A mpox se espalha por meio do contato próximo com alguém infectado — inclusive por meio de sexo, contato pele a pele e até conversa ou respiração perto de outra pessoa.>
O vírus pode entrar no corpo através de um ferimento na pele, do trato respiratório ou de olhos, nariz ou boca.>
O patógeno também pode ser transmitido pelo toque em objetos contaminados pelo vírus, como roupas de cama, roupas e toalhas.>
O contato próximo com animais infectados, como macacos, ratos e esquilos, é outro possível caminho de contaminação.>
Durante o surto global de 2022, o vírus se espalhou principalmente por meio do contato sexual.>
O atual surto na República Democrática do Congo parece estar relacionado ao contato sexual, mas a doença foi diagnosticada em públicos diversos.>
A maioria dos diagnósticos envolve pessoas sexualmente ativas e homens que fazem sexo com homens. >
Indivíduos que possuem vários parceiros ou novos parceiros sexuais podem estar em maior risco.>
Mas qualquer pessoa que tenha contato próximo com alguém com sintomas pode contrair o vírus — incluindo profissionais de saúde e familiares.>
O conselho é evitar o contato próximo com qualquer pessoa com mpox e lavar as mãos com água e sabão se o vírus for detectado na sua comunidade.>
Aqueles que têm mpox devem ficar isolados até que todas as lesões desapareçam.>
Os preservativos devem ser usados como precaução durante 12 semanas após a recuperação, segundo as diretrizes da OMS.>
Uma terapia desenvolvida para tratar a varíola comum também pode ser útil no tratamento da mpox, mas há pesquisas limitadas sobre a eficácia do remédio.>
Os surtos de mpox podem ser controlados por meio da prevenção de infecções — e a melhor maneira de fazer isso é com as vacinas.>
Existem três imunizantes disponíveis, mas geralmente apenas as pessoas em risco ou que tiveram contato próximo com uma pessoa infectada podem tomá-los.>
A OMS não recomenda atualmente a vacinação massiva, de populações inteiras.>
São necessários mais estudos para saber o nível de proteção das vacinas atuais contra as novas versões do vírus.>
A OMS pediu recentemente às farmacêuticas responsáveis por esses imunizantes para que elas fizessem testes mais amplos. >
A ideia seria entender se esses produtos podem ser úteis numa situação de emergência, mesmo que ainda não tenham sido formalmente aprovados nos países onde podem ser necessários.>
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