Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 09:09
O emprego em uma pequena agência de relações públicas no Reino Unido parecia ideal: equipe unida, clientes importantes e a chance de construir uma carreira promissora.>
O que Maya (nome fictício) não tinha previsto era que tudo isso vinha acompanhado de uma "chefe tóxica" que estabelecia "padrões impossivelmente altos" e repreendia publicamente os funcionários que não os atingiam.>
"Ela costumava chamar a atenção das pessoas na frente de toda a equipe, lançando insultos como 'você é burro?' e 'este trabalho é uma porcaria'", conta ela à BBC.>
Maya diz que o comportamento de sua gerente frequentemente ultrapassava os limites da gestão de desempenho e se transformava em ataques pessoais.>
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Ela cita o exemplo de uma colega que comentou que havia contratado um personal trainer para se preparar para o casamento e foi surpreendida com a foto de uma "noiva gorda" deixada pela chefe na mesa dela.>
Alguns meses depois de começar no emprego, Maya percebeu que "todos os meus colegas choravam quase diariamente". >
A equipe adoecia com frequência "devido a problemas de saúde mental", diz ela. Maya acabou saindo do emprego.>
O caso dela não é isolado — pesquisas apontam que uma em cada três pessoas já pediu demissão por causa de um ambiente de trabalho tóxico ou de um chefe ruim.>
Mas nem todo mau chefe é tóxico, e entender a diferença é importante, afirma Ann Francke, diretora executiva do Chartered Management Institute.>
Muitos líderes se enquadram em uma categoria que o instituto chama de "chefe acidental", em que as pessoas são promovidas por suas habilidades técnicas em vez de sua capacidade de liderança.>
Nesses casos, o mau comportamento geralmente é resultado de inexperiência ou de incerteza, e não motivado pela intenção.>
Um chefe tóxico, diz ela, é diferente, pois "deliberadamente não demonstra empatia e, muitas vezes, também não tem autoconhecimento".>
"Eles podem sabotar ativamente a equipe, se apropriar do trabalho dos outros ou liderar pelo medo e ter expectativas irreais", explica Francke.>
O impacto vai além de conflitos de personalidade, criando ansiedade que pode prejudicar tanto a saúde mental quanto o desempenho dos funcionários.>
"Se você sente um nó no estômago na segunda-feira de manhã, se encolhe pelos cantos para evitar confrontos ou se tem medo de se manifestar em reuniões por receio de represálias, isso é toxicidade, não um conflito de personalidade", afirma ela.>
Josie (nome fictício) conta que passou anos trabalhando para uma chefe que a mantinha sob constante vigilância.>
"Ela me ligava, mandava mensagens e áudios sem parar o dia todo, das 7h da manhã às 22h", disse Josie à BBC. "Mesmo nos dias em que não estava trabalhando, ela queria saber onde eu estava o tempo todo.">
Ela também tirava projetos de Josie e os dava para outras pessoas, além de excluir membros da equipe dos almoços em grupo.>
Hannah (nome fictício) contou à BBC que era humilhada regularmente por sua chefe enquanto trabalhava para uma grande rede de supermercados.>
Certa vez, ela chegou a um evento corporativo usando o mesmo suéter que um dos convidados.>
"Minha chefe me obrigou a tirar o suéter e trabalhar no evento de regata em novembro (quando faz frio na Inglaterra)", disse ela à BBC. "Me senti uma idiota, Foi humilhante.">
A tensão entre chefe tóxico e funcionário é explorada no recente filme Socorro!. No thriller com humor sarcástico os dois são forçados a confrontar questões não resolvidas no ambiente de trabalho depois de ficarem presos juntos em uma ilha deserta após um acidente de avião.>
Em entrevista no lançamento do filme, a atriz Rachel McAdams, que interpreta a funcionária, disse que já passou por ambientes de trabalho difíceis e se lembra de um chefe particularmente ruim em um trabalho temporário durante um verão.>
"Eu simplesmente pedi demissão", ela afirmou. "E meu conselho seria tentar uma demissão silenciosa, se possível, e, caso contrário, tentar praticar um pouco de meditação.">
Muitas vezes, contudo, pedir demissão não é uma opção até que apareça outra vaga. Nesses casos, ou para quem quer tentar lidar com a situação antes de tomar uma decisão definitiva, Francke compartilha recomendações que podem ser úteis:>
Saiba quando recorrer a medidas mais drásticas: Se o comportamento for abusivo ou representar um risco reputacional para a empresa, pode ser necessário abrir um processo formal de denúncia, mas esse pode ser um passo difícil, por conta do temor de represálias.>
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