Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 17:11
Depois de dar à luz seu segundo filho, a jornalista freelancer Rose Stokes se sentia exausta o tempo todo.>
"Eu realmente só conseguia fazer o mínimo indispensável para cuidar dos meus filhos", ela conta. "Eu os colocava para dormir às sete da noite e precisava ir direto para a cama.">
Stokes achava que seu cansaço era simplesmente consequência de ser mãe de duas crianças pequenas. Mas aquele não era o único problema.>
"Eu também tinha outros sintomas, como queda de cabelo", relembra ela.>
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"Eu tinha um gosto metálico engraçado na boca o tempo todo. Eu tinha sempre aftas na língua e também sofria falta de ar e tontura." >
"Fui ao médico algumas vezes e sempre ouvia 'bem, você é mãe de crianças pequenas, o que você esperava?' Mas o nível de exaustão era muito intenso", contou ela ao programa Woman's Hour, da BBC Rádio 4.>
Após diversas consultas médicas, Stokes pediu um exame de sangue, que mostrou baixos níveis da proteína ferritina.>
O primeiro médico de Stokes descartou seus níveis de ferritina porque, nas suas palavras, "não eram tão baixos".>
Mas ela conseguiu consulta com outro médico que chegou a um diagnóstico: deficiência de ferro, um problema relativamente comum, especialmente entre as mulheres.>
Segundo o Instituto Nacional de Saúde e Excelência Clínica britânico, cerca de 8% das mulheres apresentam deficiência de ferro. Mas muito menos homens são afetados pela condição — no Reino Unido, são apenas 3%.>
E uma causa comum é a gravidez, um período que Rose Stokes havia atravessado recentemente.>
Os sintomas de Stokes (cansaço, tontura e aftas na língua) são apenas alguns dos sinais de alerta.>
Outros sintomas comuns podem incluir respiração curta, palpitações cardíacas, pele mais clara que a habitual e dores de cabeça. >
Algumas pessoas podem sofrer sintomas mais raros, como zumbido no ouvido, síndrome das pernas inquietas e perda de cabelo.>
Para suprir a deficiência, o médico receitou inicialmente comprimidos de ferro, que são a forma mais comum de tratamento. Mas Stokes tentou três tipos diferentes e nenhum deles resolveu o problema.>
A hematologista Sue Pavord, dos Hospitais NHS em Oxford, no Reino Unido, orienta que a melhor forma de administração é ingerir os comprimidos de ferro logo cedo de manhã, em jejum, com um copo d'água ou um pouco de vitamina C. Caso contrário, você corre o risco de que os comprimidos não funcionem de forma eficaz.>
Depois da baixa resposta dos comprimidos, o médico de Stokes a encaminhou para receber uma infusão de ferro, que é uma forma de fazer com que a substância chegue rapidamente à corrente sanguínea.>
Este procedimento pode ser "transformador para as mulheres com deficiência grave", segundo Pavord. Mas ela também destaca que os comprimidos podem funcionar "extremamente bem", de forma que é importante tentar primeiro esta forma de administração.>
A alimentação também pode ajudar a reduzir o risco de deficiência de ferro, segundo Pavord.>
Ela sugere alimentos que contenham ferro absorvível, como carne vermelha, frango, fígado e peixe.>
Verduras como espinafre, couve kale e brócolis também contêm ferro, mas o corpo não absorve a substância dessas fontes com a mesma eficácia.>
Dois meses e meio após sua infusão, Stokes afirma que se sente "uma pessoa totalmente diferente".>
"Consigo fazer as coisas", ela conta.>
"Já no princípio, eu chegava ao final do dia pensando 'OK, podemos nos sentar e assistir a um pouco de TV', ou conseguia acordar com as crianças de manhã sem a sensação de estar morrendo.">
Ouça aqui o episódio do programa Woman's Hour, da BBC Rádio 4 (em inglês), que deu origem a esta reportagem.>
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