Publicado em 2 de dezembro de 2025 às 20:44
Uma reportagem publicada pelo Washington Post na última sexta-feira (28/11) revelou que os Estados Unidos ordenaram um segundo ataque contra um uma embarcação venezuelana — suspeita de ser usada pelo tráfico de drogas — após duas pessoas terem sobrevivido à primeira explosão.>
Segundo o jornal americano, o episódio aconteceu no dia 2 de setembro. A reportagem, cuja veracidade não foi confirmada pela BBC, diz que os sobreviventes teriam sido mortos após o secretário de Defesa, Pete Hegseth, autorizar um segundo bombardeio e ordenar verbalmente: "matem todos". >
Hegseth afirmou que a notícia é falsa. >
A publicação reascendeu questionamentos sobre a legalidade das operações americanas no mar do Caribe e levou parlamentes americanos a pressionar o governo de Donald Trump por respostas. >
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Comitês liderados por republicanos prometeram realizar uma "investigação rigorosa" dos ataques americanos a embarcações na região.>
Nesta segunda-feira (1/12), a Casa Branca confirmou que um segundo bombardeio foi ordenado pelo Almirante Frank Bradley — que supervisionava a ação — com autorização do secretário de Defesa, mas negou a ordem para "matar todos".>
"O Almirante [Frak] Bradley agiu corretamente dentro de sua autoridade e da lei", disse a Secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, em uma coletiva de imprensa.>
Leavitt, contudo, não confirmou se a primeira explosão deixou dois sobreviventes e nem se o segundo bombardeio tinha a intenção de matá-los.>
"O presidente Trump e o secretário Hegseth deixaram claro que os grupos designados como narcoterroristas pelo presidente estão sujeitos a ataques letais de acordo com as leis de guerra", acrescentou Leavitt.>
Na segunda, Hegseth publicou no X que o almirante Bradley "é um herói americano, um verdadeiro profissional".>
"Eu o apoio e as decisões de combate que ele tomou — na missão de 2 de setembro e em todas as outras desde então", e acrescentou:>
"Cada narcotraficante que matamos está associado a uma Organização Terrorista Designada.">
Já o presidente Trump defendeu seu secretário de Defesa: "Ele disse que não disse isso. E eu acredito nele 100%.">
Trump afirmou que sua administração "vai investigar" o assunto.>
Os Estados Unidos expandiram sua presença militar no Caribe nas últimas semanas e realizaram uma série de ataques contra embarcações supostamente usadas por narcotraficantes em águas internacionais nas costas da Venezuela e da Colômbia.>
Mais de 80 pessoas morreram desde o início de setembro.>
O governo Trump alega estar agindo em legítima defesa para destruir embarcações que transportam drogas ilícitas para os EUA e diz que está envolvido em um conflito armado não internacional com supostos traficantes.>
Já a Venezuela diz que o objetivo é tirar o presidente Nicolás Maduro do poder.>
Após a divulgação dos supostos ataques de 2 de setembro, legisladores republicanos e democratas se manifestaram sobre o caso.>
Eles disseram não saber se o que foi publicado pelo Washington Post era verdadeiro, mas que atacar sobreviventes de um ataque inicial com mísseis levantava sérias dúvidas sobre sua legalidade.>
"Isso chega ao nível de um crime de guerra, se for verdade", disse o senador democrata Tim Kaine em entrevista à rede CBS.>
"Obviamente, se isso aconteceu, seria muito grave, e concordo que seria um ato ilegal", afirmou Mike Turner, ex-presidente do Comitê de Inteligência, à CBS.>
Durante o fim de semana, o Comitê de Serviços Armados do Senado anunciou que realizará uma "investigação rigorosa para apurar os fatos.>
O presidente do comitê, o senador republicano Roger Wicker, disse na segunda-feira que os parlamentares planejam entrevistar "o almirante que estava no comando da operação". >
Ele acrescentou que também estão buscando áudios e vídeos para "ver quais foram as ordens".>
Já Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Deputados informou que liderará uma "ação bipartidária para obter um relato completo da operação em questão".>
O presidente do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, órgão que reúne os mais altos oficiais, reuniu-se com os comitês de serviços armados da Câmara e do Senado no fim de semana.>
As discussões se concentraram nas operações na região e "na intenção e legalidade das missões para desarticular redes de tráfico ilícito", informou o grupo.>
Vários especialistas consultados pela BBC levantaram dúvidas se o segundo ataque contra os supostos sobreviventes poderia ser considerado legal segundo o direito internacional. >
Os sobreviventes poderiam estar protegidos pelas normas aplicadas a náufragos ou àquelas destinadas a combatentes que não têm capacidade de continuar lutando.>
A administração Trump afirma que suas operações no Caribe configuram um conflito armado não internacional com os supostos narcotraficantes.>
As regras de engajamento em conflitos desse tipo — conforme estabelecido nas Convenções de Genebra — proíbem atacar feridos, determinando que eles sejam detidos e recebam cuidados.>
Durante o governo do ex-presidente Barack Obama, os militares americanos foram criticados por dispararem múltiplas rajadas a partir de drones, prática conhecida como "double tap", que às vezes resultava em vítimas civis.>
No domingo, a Assembleia Nacional da Venezuela condenou os ataques ao barco e prometeu realizar uma "investigação rigorosa e aprofundada" sobre os ataques de 2 de setembro.>
Em entrevista ao programa BBC Newsnight na segunda-feira, o procurador-geral venezuelano, Tarek William Saab, afirmou que as alegações de Trump decorrem de "grande inveja" pelos recursos naturais do país.>
Ele também pediu um diálogo direto entre os governos dos EUA e da Venezuela, "para dissipar a atmosfera tóxica que temos testemunhado desde julho do ano passado".>
No domingo, Trump confirmou que conversou em uma breve ligação telefônica com o presidente venezuelano Nicolás Maduro, na qual o pressionou a renunciar e deixar a Venezuela com sua família.>
Segundo reportagens, durante a chamada, Trump disse a Maduro que ele poderia escolher o destino para onde iria, mas apenas se concordasse em partir imediatamente. >
Após a recusa, Trump publicou nas redes sociais que o espaço aéreo sobre a Venezuela deveria ser considerado "totalmente fechado".>
Maduro pediu anistia para seus principais assessores e que fosse autorizado a continuar controlando os militares após deixar o governo. Trump rejeitou ambas as exigências, segundo The Miami Post e a Reuters — informações que a BBC não conseguiu confirmar.>
Autoridades americanas alegam que Maduro faz parte de uma organização designada pelos EUA como terrorista, a chamada Cartel dos Sóis, que incluiria altos oficiais militares e de segurança venezuelanos envolvidos no tráfico de drogas. Maduro nega as acusações.>
Com reportagem adicional de Lucy Gilder e Thomas Copeland.>
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