Publicado em 17 de fevereiro de 2026 às 22:12
O Irã afirmou ter chegado a um entendimento com os Estados Unidos sobre os 'princípios básicos' de um possível acordo em relação ao programa nuclear iraniano, após nova rodada de negociações indiretas realizada em Genebra nesta terça-feira (17/2). >
Mas, segundo o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, ainda há muito trabalho a ser feito. Os EUA disseram que "houve progresso".>
Já de acordo com Badr Albusaidi, ministro das Relações Exteriores de Omã, que faz a mediação, as conversas "terminaram com um bom avanço na identificação de objetivos comuns e questões técnicas relevantes".>
A reunião aconteceu após repetidas ameaças militares dos EUA contra o Irã devido à repressão violenta aos protestos antigoverno que acontecem no país e às suas atividades nucleares.>
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Os EUA e alguns países europeus suspeitam que o Irã esteja avançando para desenvolver uma arma nuclear, algo que Teerã sempre negou.>
Na semana passada, o presidente americano, Donald Trump, disse que o Irã queria fazer um acordo. >
Antes das conversas desta terça-feira, realizadas na residência do embaixador de Omã na Suíça, o Irã afirmou que pretendia concentrar as discussões em seu programa nuclear e na possível retirada das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos.>
Washington já havia indicado que queria discutir outras questões, como o desenvolvimento de mísseis iranianos. >
Não se sabe ainda quais assuntos foram efetivamente discutidos em Genebra, mas um funcionário americano disse à BBC que "houve progresso, mas ainda há muitos detalhes a discutir". >
Segundo ele, os iranianos se comprometeram a voltar nas próximas duas semanas com propostas detalhadas para discutir algumas divergências entre as posições. >
Questionado sobre as negociações durante entrevista à Fox News, o vice-presidente americano, JD Vance, disse: >
"De certa forma, correu bem. No fim das contas, eles concordaram em se reunir. Mas, por outro lado, ficou muito claro que o presidente estabeleceu alguns limites que o Irã ainda não está disposto a reconhecer ou negociar.">
Classificando as conversas como "muito importantes", Trump disse mais cedo que estaria "indiretamente" envolvido e sugeriu que Teerã estava mais inclinada a negociar desta vez. >
"Eu não acho que eles queiram arcar com as consequências de não chegar a um acordo", disse Trump a repórteres a bordo do avião presidencial Air Force One, acrescentando que o Irã aprendeu no ano passado as consequências de uma postura dura, quando os EUA bombardearam instalações nucleares iranianas.>
"Poderíamos ter chegado a um acordo em vez de enviar os B-2 para destruir seu potencial nuclear. E tivemos que enviar os B-2", disse ele, se referindo aos bombardeiros americanos que realizaram os bombardeios no Irã. >
"Espero que eles adotem uma postura mais flexível.">
As ameaças de Trump ocorrem em meio ao aumento da presença militar dos EUA no Oriente Médio nas últimas semanas. >
Usando imagens de satélite, a BBC Verify — equipe de checagem de dados da BBC — confirmou que o porta-aviões americano USS Abraham Lincoln estava próximo do Irã.>
A BBC também registrou um aumento na presença de destróieres, navios de combate e caças americanos na região. >
Os EUA também afirmaram ter enviado para o Oriente Médio o USS Gerald R. Ford, o maior navio de guerra do mundo, que pode chegar nas próximas três semanas.>
Em resposta às ameaças, o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, afirmou nesta terça-feira que "mais perigoso do que um porta-aviões é a arma capaz de enviá-lo ao fundo do mar". >
Ele também acusou Washington de tentar predeterminar o resultado das negociações e classificou essa postura como "errada e insensata".>
"Ele [Trump] diz que o exército dos EUA é o mais forte do mundo. O 'exército mais forte do mundo' pode, às vezes, receber um golpe tão forte que não consiga se reerguer.">
Já o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, reuniu-se na segunda-feira com o chefe da agência nuclear da ONU e escreveu na rede social X que estava em Genebra para "buscar um acordo justo e equilibrado".>
"O que não está em discussão: submissão diante de ameaças", disse Araghchi.>
O Irã tem respondido ao aumento da presença militar dos Estados Unidos com sua própria demonstração de força. >
Na segunda-feira (16/2), a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) lançou um exercício marítimo no Estreito de Ormuz, localizado no Golfo Pérsico entre Omã e o Irã.>
O exercício contou com a presença do comandante da Guarda, major Mohammad Pakpour, inspecionando navios de guerra em um porto, antes do lançamento de mísseis de um navio, informou a agência de notícias Tasnim, ligada à IRGC.>
O Estreito é considerado uma das rotas marítimas mais importantes do mundo e um ponto crucial para o trânsito de petróleo. >
Cerca de um quinto do petróleo e gás do mundo flui pelo Estreito, incluindo o produzido na Ilha de Kharg, o principal terminal de exportação do produto do Irã. >
Após a ação, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que chegar a um acordo com Teerã seria "muito difícil".>
"Acho que existe uma oportunidade de alcançar um entendimento por vias diplomáticas… mas também não quero exagerar", disse Rubio durante visita à Hungria na segunda. "Vai ser difícil.">
As primeiras negociações indiretas entre Irã e EUA ocorreram em Omã no início deste ano, o que o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, descreveu posteriormente como "um bom começo".>
Reportagem adicional de Ghoncheh Habibiazad, da BBC Persa. >
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