Publicado em 17 de fevereiro de 2026 às 19:13
A ex-secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, acusou a administração do presidente americano, Donald Trump, de tentar 'abafar' os arquivos relacionados ao criminoso sexual Jeffrey Epstein, pela forma como o governo vem tratando o caso. >
"Divulguem os arquivos. Eles estão enrolando", disse em entrevista à BBC, em Berlim, onde ela participou do Fórum Mundial anual. >
A Casa Branca rebateu as críticas e disse que, ao liberar os documentos, fez "mais pelas vítimas do que os democratas jamais fizeram".>
Milhões de novos arquivos ligados a Epstein foram divulgados no início deste mês pelo Departamento de Justiça dos EUA.>
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Na ocasião, o vice-procurador-geral dos Estados Unidos disse que cerca de três milhões de páginas não haviam sido divulgadas devido à existência de prontuários médicos pessoais, descrições gráficas de abuso infantil e outros materiais que poderiam comprometer investigações em andamento.>
Questionada se Andrew Mountbatten-Windsor — ex-príncipe e irmão do rei Charles 3° — deveria depor perante um comitê do Congresso, Hillary Clinton afirmou: "Eu acho que todas as pessoas deveriam depor se forem convocadas para isso".>
Aparecer nos arquivos, contudo, não é uma indicação de envolvimento em irregularidades. Andrew sempre negou qualquer conduta ilegal. >
O comitê não tem poder para obrigá-lo a comparecer, mas pressionou o casal Clinton a depor — o que ambos aceitaram no mês passado.>
Bill Clinton deve depor em 27 de fevereiro, enquanto Hillary comparecerá no dia anterior.>
Uma votação que poderia abrir processo por desacato ao Congresso contra o casal foi suspensa depois que ambos concordaram em depor. A medida havia sido cogitada após a recusa inicial dos dois em comparecer ao comitê.>
Essa será a primeira vez que um ex-presidente americano testemunha diante de um comitê do Congresso desde Gerald Ford, em 1983.>
Hillary voltou a defender que a audiência seja pública, e não realizada a portas fechadas.>
"Vamos comparecer, mas achamos que seria melhor que fosse em público", disse à BBC.>
O presidente republicano do comitê, James Comer, acusou os Clinton de "protelar" para testemunhar e afirmou que o casal "cedeu" diante da possibilidade de votação por desacato.>
"Eu só quero que seja justo. Quero que todos sejam tratados da mesma forma", respondeu Hillary. >
"Não temos nada a esconder. Pedimos por diversas vezes a divulgação integral desses arquivos. Acreditamos que a transparência é o melhor remédio.">
A ex-candidata à Presidência dos EUA argumentou ainda que ela e o marido estariam sendo usados para desviar a atenção de Donald Trump.>
"Vamos falar dos Clinton — até da Hillary Clinton, que nunca encontrou esse homem", disse.>
Hillary afirmou ter conhecido Ghislaine Maxwell, ex-namorada de Epstein — e condenada por ajudar o bilionário a abusar de adolescentes — "em poucas ocasiões".>
Bill Clinton, que aparece nos arquivos, disse ter tido contato com Epstein, mas afirmou ter rompido relações há cerca de duas décadas.>
Nenhum dos dois foi acusado de cometer algum tipo de irregularidade pelas vítimas dos abusos de Epstein, e ambos dizem que não tinham conhecimento dos crimes na época.>
Os milhões de novos arquivos relacionados a Jeffrey Epstein se tornaram públicos no início deste mês após o Congresso aprovar uma lei obrigando a divulgação de materiais ligados às investigações do caso.>
Os documentos foram divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA.>
O órgão afirmou ter liberado todos os arquivos exigidos pela nova legislação, mas parlamentares dizem que a divulgação ainda é insuficiente. >
O deputado republicano de Kentucky Thomas Massie, um dos autores da lei, defendeu que o departamento também torne públicos memorandos internos que expliquem decisões passadas sobre denunciar ou não Epstein e seus associados.>
Epstein foi encontrado morto em 10 de agosto de 2019, em uma cela de prisão em Nova York, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual, sem direito à fiança. >
A morte ocorreu mais de uma década após sua condenação por aliciar uma menor para prostituição, crime que o levou a ser registrado como agressor sexual.>
Segundo a justiça americana, Epstein tirou a própria vida. >
Andrew, ex-príncipe, enfrenta pressão crescente de autoridades americanas e da família de Virginia Giuffre — que o acusou publicamente de abuso sexual — para depor diante do Comitê de Supervisão do Congresso sobre suas ligações com Epstein.>
Andrew tem negado qualquer irregularidade e firmou, em 2022, um acordo extrajudicial com Giuffre sem admissão de culpa. Giuffre tirou a própria vida em 2025.>
Trump, que é mencionado nos arquivos de Epstein, também nega qualquer irregularidade em relação ao criminoso sexual, com quem ele afirma ter cortado relações décadas atrás. >
O presidente americano não foi acusado de crimes pelas vítimas de Epstein. >
Questionado sobre as declarações de Hillary Clinton à BBC, Trump disse que não tem nada a esconder. >
"Fui inocentado. Não tive nada a ver com Jeffrey Epstein. Eles investigaram esperando encontrar algo, e encontraram exatamente o contrário", afirmou o presidente a bordo do avião oficial.>
"Eles é que estão sendo envolvidos. E isso é problema deles... Clinton e muitos outros democratas foram puxados para isso", declarou.>
Sobre as alegações envolvendo Trump, o Departamento de Justiça dos EUA afirmou anteriormente que "alguns documentos continham acusações sensacionalistas e contra Trump que foram apresentadas ao FBI pouco antes da eleição de 2020". >
"As alegações são infundadas e falsas e, se tivessem qualquer credibilidade, já teriam sido usadas politicamente contra o republicano.>
A Casa Branca declarou que, "ao liberar milhares de páginas de documentos, cooperar com a intimação do Comitê de Supervisão da Câmara e defender novas investigações sobre aliados democratas de Epstein, o governo Trump tem feito mais pelas vítimas do que os democratas jamais fizeram".>
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