Publicado em 21 de fevereiro de 2026 às 10:12
O governo do Reino Unido está estudando a possibilidade de introduzir legislação para remover Andrew Mountbatten-Windsor, o ex-príncipe Andrew, da linha de sucessão real.>
O ministro britânico da Defesa, Luke Pollard, disse à BBC que a medida — que impediria Andrew de se tornar rei — era a "coisa certa a se fazer", independentemente do resultado de uma investigação policial sobre o ex-príncipe.>
Atualmente, Andrew, que é irmão do rei Charles 3º, permanece em oitavo lugar na linha de sucessão ao trono, apesar de ter sido destituído de seus títulos — incluindo o de "príncipe", em outubro passado — em meio à pressão sobre suas ligações com o financista pedófilo Jeffrey Epstein.>
Na noite de quinta-feira (19/2), Andrew foi liberado, mas segue sob investigação, 11 horas após ter sido detido por suspeita de má conduta em cargo público. Ele tem negado veementemente e consistentemente qualquer irregularidade.>
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Em entrevista ao programa Any Questions da BBC Radio 4, Pollard confirmou que o governo estava "com certeza" trabalhando com o Palácio de Buckingham em planos para impedir que o ex-príncipe "estivesse potencialmente a um passo do trono".>
Ele disse que isso era "algo que espero que tenha apoio de todos os partidos, mas é correto que isso só aconteça quando a investigação policial for concluída".>
O Secretário-Chefe do Tesouro, James Murray, disse à BBC que "qualquer pergunta nessa esfera seria bastante complicada", acrescentando que a investigação policial em andamento precisa "chegar a um fim".>
Neste sábado (21/2), vários carros da polícia descaracterizados foram vistos novamente entrando no Royal Lodge, a propriedade de 30 cômodos em Windsor onde Andrew morou por muitos anos.>
Em um determinado momento na sexta-feira, mais de 20 veículos podiam ser vistos estacionados na propriedade, embora não se saiba se todos estavam relacionados à investigação e às buscas.>
A Polícia do Vale do rio Tâmisa, a força policial que o deteve, deve continuar as buscas no Royal Lodge até segunda-feira, segundo informações da BBC. Diversas outras forças em todo o Reino Unido também estão considerando a possibilidade de iniciar investigações, afirmou Danny Shaw, ex-conselheiro da ex-secretária do Interior, Yvette Cooper.>
"Há o risco de a situação sair do controle", disse Shaw ao programa Today da Radio 4. Por causa disso, essas investigações podem levar "um tempo considerável", acrescentou.>
A proposta do governo de remover Andrew da linha de sucessão surge depois que alguns parlamentares, incluindo os Liberais Democratas e o Scottish National Party, sinalizaram seu apoio a tal legislação.>
Alguns parlamentares trabalhistas que têm sido críticos da monarquia disseram à BBC que estavam menos convencidos de que a medida era necessária — em parte porque é muito improvável que o ex-Duque de York fique perto do trono na linha de sucessão.>
Em outubro, o governo britânico havia dito que não tinha planos de introduzir uma lei para alterar a linha de sucessão.>
Após as mais recentes revelações, o historiador David Olusoga disse ao programa Newsnight da BBC que agora existe "um desejo desesperado dentro do governo e dentro do palácio de criar uma barreira... entre esta crise e a monarquia em geral".>
O Palácio de Buckingham não se pronunciou publicamente sobre os planos do governo de remover Andrew da linha de sucessão.>
A medida exigiria uma lei do Parlamento, que teria de ser aprovada pelos deputados e membros da Câmara dos Lordes e entraria em vigor após receber a sanção real do Rei.>
Também precisaria do apoio dos 14 países da Commonwealth onde Charles 3º é chefe de Estado, incluindo Canadá, Austrália, Jamaica e Nova Zelândia.>
A última vez que a linha de sucessão foi alterada por uma lei do Parlamento foi em 2013, quando a Lei de Sucessão à Coroa reintegrou indivíduos que haviam sido excluídos anteriormente por terem se casado com um católico.>
A lei também pôs fim à "primogenitura masculina", segundo a qual um filho mais novo pode substituir uma filha mais velha na linha de sucessão. Isso se aplica aos nascidos após 28 de outubro de 2011.>
A última vez que alguém foi removido da linha de sucessão por uma lei do Parlamento foi em 1936, quando o então Edward 8º e seus descendentes foram removidos devido à sua abdicação.>
O líder do Partido Liberal Democrata, Ed Davey, disse que a polícia deveria ter "permissão para realizar seu trabalho, agindo sem medo ou favorecimento".>
Ele acrescentou: "Mas é evidente que esta é uma questão que o Parlamento terá de considerar quando chegar o momento certo; naturalmente, a monarquia vai querer garantir que ele nunca se torne rei.">
O SNP apoiaria a remoção de Andrew da linha de sucessão se fosse necessária legislação, de acordo com o líder do partido no Parlamento, Stephen Flynn.>
A deputada trabalhista Rachael Maskell, que representa York Central, também apoiou a medida.>
Ela disse: "Eu apoiaria uma legislação para remover Andrew da linha de sucessão e do cargo de conselheiro de Estado.">
Quanto ao rei, ele será capaz de analisar este mais recente desafio sob uma perspectiva que separa os laços familiares do dever oficial, disse Julian Payne, ex-secretário de comunicação do monarca.>
"Eles são muito claros: trata-se de um indivíduo. Não é um membro da Família Real", disse Payne ao programa BBC Breakfast. "E eles tratam os dois de maneira muito, muito diferente.">
A rainha consorte Camilla, que Payne observou ter se casado com um membro da realeza e ter sido uma cidadã "normal" por décadas, também é "muito hábil em perceber o humor da opinião pública".>
"Ela coletará todas as informações e as usará para ajudar o rei quando estiverem formulando suas decisões e decidindo qual caminho seguir.">
Conselheiros de Estado podem substituir um monarca doente ou no exterior, embora, na prática, apenas os membros da família real em exercício sejam chamados a desempenhar essas funções.>
Remover Andrew da linha de sucessão também o privaria desse papel, de acordo com a Biblioteca da Câmara dos Comuns.>
Andrew afastou-se das funções públicas em 2019, após uma reação negativa decorrente de uma entrevista ao programa Newsnight da BBC sobre seu relacionamento com Epstein.>
A líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, afirmou que "todos nós na vida pública precisamos dar espaço" para que a investigação policial seja realizada.>
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