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Governo brasileiro condena ataque contra Irã e fala em 'grave preocupação'

Governo brasileiro condena ataque contra Irã e fala em 'grave preocupação'

Itamaraty diz apelar a todas as partes para que respeitem o Direito Internacional e afirma que único caminho viável é o da paz

Publicado em 28 de fevereiro de 2026 às 14:08

BRASÍLIA - O governo Lula (PT) condenou, por meio de nota, os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã neste sábado (28), manifestando "grave preocupação" com o episódio. Os países travavam processo de negociação pela paz antes dos bombardeios.

"O governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região", diz o Itamaraty.

Smoke rises following an explosion, after Israel and the U.S. launched strikes on Iran, in Tehran, Iran
Nuvem de fumaça formada após bombardeio à capital do Irã Crédito: Majid Asgaripour/WANA/Reuters

De acordo com o governo brasileiro, as embaixadas do Brasil na região acompanham os desdobramentos das ações militares, com particular atenção às necessidades dos brasileiros presentes nos países afetados.

"O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil", diz ainda a nota.

O embaixador do Brasil em Teerã está em contato direto com a comunidade brasileira para transmitir atualizações sobre a situação e orientações de segurança.

Neste sábado, Lula cumpre agenda em Minas Gerais em decorrência das fortes chuvas que atingiram cidades do estado nos últimos dias e deixaram mais de 60 mortos e milhares de desabrigados.

Por conta disso, Lula sobrevoa nesta tarde a região da Zona da Mata, pelos municípios de Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa (MG), três dos mais afetados, e não deve abordar o conflito internacional durante sua passagem por lá.

Na avaliação de auxiliares do Planalto, abordar o tema neste momento tiraria o foco da tragédia nacional.

Em episódio recente, com o ataque dos Estados Unidos à Venezuela em janeiro deste ano, foi realizada uma reunião de emergência com os ministros do governo no Palácio do Itamaraty, em Brasília. Na ocasião, Lula também não estava na capital e participou de forma remota – o que não deve acontecer desta vez por conta dos compromissos em Minas.

Conforme ocorre em episódios desta natureza, o governo recomendou aos brasileiros que residem no país atacado que estejam atentos às orientações de segurança das autoridades locais nos países onde morem ou se encontrem.

Membros do governo brasileiro avaliam que o ataque americano contra o Irã acaba com qualquer resquício de legitimidade do Conselho de Paz criado pelo presidente Donald Trump. O conselho foi lançado por Trump com os objetivos declarados de promover a paz na Faixa de Gaza e resolver outros conflitos do mundo.

O Brasil foi convidado para integrar o conselho, mas, a exemplo de países como a França e Alemanha, resiste. A percepção é de que o órgão será instrumentalizado por Trump para enfraquecer ainda mais a ONU (Organização das Nações Unidas) e o sistema multilateral.

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