Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 07:11
Ao menos 39 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em uma colisão de trens no sul da Espanha no domingo (18/1), segundo a Guarda Civil espanhola. A tragédia já é considerada o pior acidente ferroviário da história do país em mais de uma década.>
Vagões de um trem com destino a Madri descarrilaram e cruzaram para os trilhos opostos, colidindo com um trem que vinha na direção oposta em Adamuz, na noite de domingo.>
Quatrocentos passageiros e funcionários estavam a bordo dos dois trens, informaram as empresas ferroviárias. Os serviços de emergência atenderam 122 pessoas. Destas, 48 pessoas — incluindo cinco crianças — seguem hospitalizadas. Onze adultos e uma criança estão em unidades de terapia intensiva.>
As autoridades iniciaram uma investigação sobre as causas do acidente. O ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, disse que o número de mortos "ainda não é definitivo".>
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Puente disse que o acidente é "extremamente estranho". Todos os especialistas ferroviários consultados pelo governo "estão extremamente perplexos com o acidente", disse ele a repórteres em Madri.>
A operadora da rede ferroviária Adif disse que a colisão ocorreu às 19h45, horário local de domingo (14h45 no horário de Brasília), cerca de uma hora depois que o trem partiu de Málaga em direção a Madri, quando descarrilou.>
O acidente aconteceu em um trecho reto da linha férrea perto da cidade de Córdoba que havia passado por recente renovação, tendo recebido 700 milhões de euros para a obra, segundo declarações do ministro ao jornal espanhol El País. Outro fator que causou estranheza às autoridades é que o trem era considerado "praticamente novo" — tendo sido fabricado há quatro anos.>
A força do impacto empurrou os vagões do segundo trem para um aterro, disse Puente. Ele afirmou que a maioria dos mortos e feridos estava nos vagões da frente do segundo trem, que viajava de Madri para Huelva, no sentido sul.>
O tipo de trem envolvido no acidente era um Freccia 1000, que pode atingir velocidades máximas de 400 km/h, disse um porta-voz da empresa ferroviária italiana Ferrovie dello Stato à agência de notícias Reuters.>
As equipes de resgate disseram que os destroços retorcidos dos trens dificultaram o resgate de pessoas presas dentro dos vagões.>
"Tivemos até que remover um cadáver para conseguir chegar a alguém com vida. É um trabalho difícil e complicado", disse o chefe dos bombeiros de Córdoba, Francisco Carmona, à emissora pública espanhola RTVE. >
Salvador Jimenez, jornalista da RTVE que estava em um dos trens, disse que o impacto foi como um "terremoto".>
"Eu estava no primeiro vagão. Houve um momento em que senti como se fosse um terremoto e o trem realmente descarrilou", disse Jimenez.>
Imagens do local mostram que alguns vagões tombaram para o lado. Equipes de resgate podem ser vistas escalando o trem para retirar pessoas pelas portas e janelas tortas.>
José, um passageiro que viajava para Madri, disse à emissora pública Canal Sur: "Havia pessoas gritando e chamando por médicos.">
Todos os serviços ferroviários entre Madri e a Andaluzia foram suspensos após o acidente e devem permanecer fechados durante toda segunda-feira (19/1).>
A Iryo, empresa ferroviária privada que operava a viagem de Málaga, informou que cerca de 300 passageiros estavam a bordo do trem que descarrilou primeiro, enquanto o outro trem – operado pela empresa estatal Renfe – transportava cerca de 100 passageiros.>
A causa oficial ainda não é conhecida. A investigação não deve ser concluída em menos de um mês, segundo o ministro dos Transportes.>
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, disse que o país passará por uma "noite de profunda dor".>
O prefeito de Adamuz, Rafael Moreno, foi uma das primeiras pessoas a chegar ao local do acidente, descrevendo a situação como "um pesadelo".>
O rei Felipe 6º e a rainha Letizia disseram que acompanhavam as notícias do desastre "com grande preocupação".>
"Expressamos as nossas mais sinceras condolências aos familiares e entes queridos dos falecidos, bem como o nosso amor e votos de rápida recuperação aos feridos", disse o palácio real em publicação no X.>
A agência de emergência da região da Andaluzia pediu a todos os sobreviventes do acidente que entrem em contato com suas famílias ou publiquem nas redes sociais que estão vivos.>
Postos médicos foram instalados para que os passageiros afetados pudessem receber tratamento para seus ferimentos e serem transferidos para o hospital. A Adif informou que disponibilizou espaços para os familiares das vítimas nas estações de Atocha, Sevilha, Córdoba, Málaga e Huelva.>
A Cruz Vermelha Espanhola enviou serviços de apoio emergencial ao local, além de oferecer apoio psicológico às famílias das proximidades.>
Miguel Ángel Rodríguez, da Cruz Vermelha, disse à rádio RNE: "As famílias estão passando por uma situação de grande ansiedade devido à falta de informações. São momentos muito angustiantes.">
O presidente da França, Emmanuel Macron, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, publicaram declarações oferecendo condolências.>
"Meus pensamentos estão com as vítimas, suas famílias e todo o povo espanhol. A França está ao seu lado", escreveu Macron nas redes sociais.>
Em 2013, a Espanha sofreu o pior descarrilamento de trem de alta velocidade de sua história. O acidente aconteceu na Galícia, noroeste do país, e deixou 80 mortos e 140 feridos.>
A rede ferroviária de alta velocidade da Espanha é a segunda maior do mundo, atrás da China, conectando mais de 50 cidades em todo o país. Dados da Adif mostram que a malha ferroviária espanhola tem mais de 4 mil km de extensão.>
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