Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 23:11
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não conseguirá forçar a Groenlândia a mudar de soberania, afirmou Gary Cohn, ex-assessor econômico do presidente americano.>
Em entrevista à BBC, Cohn, que assessorou Trump durante seu primeiro mandato e foi diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, disse que as ameaças recentes do presidente "podem fazer parte de uma negociação" e relacionou a necessidade de acesso a minerais importantes aos planos de seu ex-chefe para o território.>
"Acabei de sair de uma reunião com uma delegação do Congresso dos EUA, e acho que há um consenso bastante uniforme entre republicanos e democratas de que a Groenlândia continuará sendo a Groenlândia", disse ele.>
Gary Cohn é vice-presidente da IBM e um dos principais executivos de tecnologia dos Estados Unidos, líder na corrida para desenvolver inteligência artificial e computação quântica. >
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Indicando o quão seriamente os líderes empresariais estão encarando a crise, ele alertou que "invadir um país independente que faz parte da Otan" seria "passar dos limites". >
Segundo ele, a Groenlândia ficaria feliz se os EUA aumentassem sua presença militar na ilha, num contexto em que o Atlântico Norte e o Oceano Ártico estão "se tornando mais muito uma ameaça militar".>
Os EUA também poderiam negociar um acordo de "compra futura" para os vastos, porém em grande parte inexplorados, recursos de minerais de terras raras da Groenlândia, sugeriu Cohn.>
"Mas eu acho que invadir um país que não quer ser invadido, que é parte de uma aliança militar, a Otan, me parece um pouco passar dos limitar neste momento", afirmou. >
Cohn sugeriu que o presidente pode estar exagerando suas exigências como parte de uma tática de negociação — algo que, segundo ele, Trump já fez com sucesso no passado.>
"É preciso dar algum crédito a Donald Trump pelos sucessos que ele teve, e muitas vezes ele tentou ir além dos limites para conseguir algo em uma situação de compromisso", disse.>
"Ele exagerou ao anunciar algo para, no fim, conseguir o que realmente queria. Talvez o que ele realmente queira seja uma presença militar maior e um acordo para comprar esses minerais.>
O início do Fórum Econômico Mundial deste ano, em Davos, na Suíça, foi ofuscado pela postura cada vez mais agressiva do presidente em relação ao território ártico, com muitos líderes políticos e empresariais alarmados com o potencial impacto geopolítico e econômico. Trump deve discursar para os delegados no encontro na quarta-feira (21/1).>
Embora Cohn tenha expressado reservas sobre algumas das ações do presidente, ele disse que o governo dos EUA tinha "vários motivos diferentes" para o que estava fazendo.>
Ele afirmou que a decisão de Trump de intervir na Venezuela foi "um caminho" para prejudicar o relacionamento do país com a China, o maior mercado para seu petróleo, assim como com a Rússia e Cuba.>
Cohn também acredita que o presidente passou a se concentrar cada vez mais na importância dos minerais de terras raras, observando que "a Groenlândia tem uma boa quantidade" desses recursos.>
Esses minerais são fundamentais para o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) e da computação quântica, que também são temas centrais em Davos.>
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reagiu nesta segunda-feira (19/1) às alegações de que Trump teria atribuído suas ameaças crescentes sobre a Groenlândia ao fato de não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz.>
Em uma mensagem ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, Trump culpou o país por não lhe conceder o prêmio e disse que não se sente mais obrigado a pensar apenas na paz.>
Bessent disse: "Não sei de nada sobre a carta do presidente à Noruega, e acho que é completamente falsa a ideia de que o presidente faria isso por causa do Prêmio Nobel.">
"O presidente está vendo a Groenlândia como um ativo estratégico para os Estados Unidos. Não vamos terceirizar nossa segurança hemisférica para mais ninguém.">
Os avanços em computação quântica e IA são vistos como críticos não apenas para a economia e a produtividade dos EUA, mas também para a influência estratégica do país no mundo.>
"A IBM está bem no centro do que está acontecendo hoje em computação quântica. Temos o maior número de computadores quânticos em uso atualmente", disse Cohn, destacando que sua empresa colocou muitos desses computadores em operação em empresas por toda a América, de setores como o bancário e o de medicina.>
"A IA vai ser a espinha dorsal dos dados que alimentam a computação quântica para resolver problemas que nunca conseguimos resolver", acrescentou.>
"O caminho para onde estamos indo é que a IA fará parte das operações de todas as empresas. IA e computação quântica vão trabalhar nos bastidores das organizações para tornar todas as empresas mais eficientes. E estamos apenas no começo dessa longa jornada, que provavelmente levará mais três a cinco anos para chegar lá.">
No início deste mês, o Google, também uma empresa dos EUA, disse à BBC que possui o computador quântico de melhor desempenho do mundo. >
A corrida para desenvolver essa tecnologia é o outro grande tema de discussão, além da Groenlândia, no Fórum Econômico Mundial.>
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