Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 08:11
O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, afirmou haver uma "discordância fundamental" com os Estados Unidos sobre a Groenlândia após reuniões realizadas na Casa Branca.>
Rasmussen disse que o encontro com o vice-presidente americano, JD Vance, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, na quarta-feira (14/01), foi "franco, mas construtivo". Acrescentou, porém, que o presidente dos EUA, Donald Trump, insiste em "conquistar" a Groenlândia, algo que Rasmussen definiu como "totalmente inaceitável".>
"Nós deixamos muito, muito claro que isso não é do interesse [da Dinamarca]", afirmou o ministro dinamarquês.>
Após a reunião, Trump reiterou seu interesse em adquirir a ilha rica em recursos naturais, posição que inquietou aliados em toda a Europa e aumentou as tensões com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).>
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O encontro de cerca de uma hora entre EUA, Dinamarca e Groenlândia não resultou em um avanço significativo, embora todas as partes tenham concordado em criar um grupo de trabalho de alto nível para discutir o futuro do território autônomo dinamarquês.>
Rasmussen afirmou que existem "linhas vermelhas" que os EUA não podem ultrapassar e que o grupo de trabalho se reunirá nas próximas semanas na tentativa de encontrar um consenso. Ele acrescentou que a Dinamarca e a Groenlândia estão abertas à possibilidade de os EUA abrirem mais bases militares na ilha.>
"É produtivo iniciar discussões em alto nível", disse.>
O ministro também afirmou haver um "elemento de verdade" na visão de Trump de que a segurança deve ser reforçada para conter interesses russos e chineses no Ártico. No entanto, disse que as declarações do presidente sobre a presença de navios de guerra russos e chineses ao redor da Groenlândia "não são verdadeiras".>
Apesar de ter população escassa, a localização da Groenlândia ocupa uma posição estratégica entre a América do Norte e o Ártico, o que a torna adequada para sistemas de alerta antecipado em caso de ataques com mísseis e para o monitoramento de embarcações na região.>
Trump tem afirmado repetidamente que a aquisição da ilha é vital para a segurança nacional dos EUA.>
Os EUA já mantêm mais de 100 militares alocados de forma permanente na base de Pituffik, no extremo noroeste da Groenlândia, uma instalação operada pelos EUA desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).>
Pelos acordos existentes com a Dinamarca, os EUA têm o poder de enviar à Groenlândia quantas tropas desejarem.>
Após as conversas, a ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, afirmou que o território está aberto a ampliar a cooperação com os EUA, mas rejeitou uma anexação.>
"Nós mostramos onde estão os nossos limites", disse Motzfeldt.>
Vance e Rubio não fizeram comentários imediatamente após a reunião. Trump, por sua vez, disse a repórteres no Salão Oval: "Precisamos da Groenlândia para a segurança nacional".>
"O problema é que não há nada que a Dinamarca possa fazer se a Rússia ou a China quiserem ocupar a Groenlândia, mas há tudo o que nós podemos fazer", afirmou, acrescentando que não acredita que os EUA possam contar com a Dinamarca para defender a ilha.>
As conversas ocorreram no momento em que aliados europeus se mobilizaram rapidamente para demonstrar apoio à Groenlândia.>
A Suécia anunciou na quarta-feira (14/01) que se comprometeu a enviar forças armadas ao território, a pedido da Dinamarca.>
A Alemanha afirmou, em comunicado enviado à BBC, que enviará uma "equipe de reconhecimento" à Groenlândia para "avaliar as condições gerais para eventuais contribuições militares em apoio à Dinamarca na garantia da segurança da região".>
Falando na Suécia na noite de quarta-feira (14/01), o secretário da Defesa do Reino Unido, John Healey, disse que, após um pedido da Dinamarca, o país enviará um oficial militar como parte da equipe de reconhecimento.>
O ministro das Relações Exteriores da França afirmou que o país planeja abrir um consulado na ilha no próximo mês.>
O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que a França também participará da equipe de reconhecimento e que "elementos militares franceses" já estão a caminho da Groenlândia.>
A Dinamarca declarou que a ampliação de sua presença militar na Groenlândia ocorrerá "em estreita cooperação com aliados".>
"As tensões geopolíticas se estenderam ao Ártico", afirmou o governo dinamarquês em nota.>
As conversas na Casa Branca foram apenas a mais recente rodada de negociações diplomáticas em meio ao interesse crescente do presidente Donald Trump pelo território.>
Ainda não está claro se o presidente considera recorrer ao uso da força militar para tomar a ilha. Questionado sobre o tema na quarta-feira (14/01), Trump voltou a não descartar essa possibilidade.>
Outras opções que estariam sendo consideradas incluem a compra do território, embora nem os dinamarqueses nem os groenlandeses tenham dito que ele esteja à venda.>
Desde que assumiu o cargo, Vance tem criticado a gestão da Dinamarca sobre a Groenlândia. O vice-presidente visitou o país pouco depois de tomar posse.>
Trump argumenta que o controle da ilha é crucial para o seu sistema de defesa antimísseis, chamado Golden Dome (Cúpula Dourada, em tradução livre).>
"Isso é vital para o Golden Dome que estamos construindo", escreveu Trump em uma publicação em rede social na manhã de quarta-feira. "A Otan deveria liderar esse esforço para nós.">
Pesquisas de opinião indicam que a maioria dos moradores da Groenlândia se opõe a ficar sob controle dos EUA. Segundo o representante da ilha nos EUA, na última vez em que os groenlandeses foram questionados sobre a possibilidade de integrar os EUA, em janeiro de 2025, apenas 6% se disseram favoráveis, enquanto 85% foram contrários.>
A maioria dos americanos também rejeita o controle dos EUA sobre a Groenlândia. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na quarta-feira (14/01) mostrou que apenas 17% dos americanos apoiam a tomada da ilha pelos EUA, contra 47% que disseram se opor à iniciativa de Trump.>
As conversas mais recentes sobre a Groenlândia ocorrem após operações militares dos EUA na Venezuela e contra alvos do Estado Islâmico (ISIS, na sigla em inglês) na Síria. Trump também ameaçou adotar ações militares para conter a repressão do Irã contra um movimento de protestos em expansão no país.>
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