Publicado em 12 de março de 2026 às 12:36
Quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou os ataques contra o Irã, matando o seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, ele disse aos iranianos para "tomarem o controle do governo".>
"Ele será de vocês", disse Trump. "Esta será provavelmente a única chance de vocês em gerações.">
Mas, à medida que a guerra entre os EUA, Israel e o Irã se intensificou nas últimas duas semanas, os iranianos receberam mensagens muito diferentes sobre o que pode acontecer se eles tomarem alguma atitude.>
O encorajamento de Trump e de iranianos que vivem fora do país veio acompanhado de relatos de um aumento na presença policial e de segurança em cidades de todo o país, com autoridades alertando contra aglomerações ou protestos.>
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No início desta semana, o chefe de polícia do Irã, o general Ahmadreza Radan, alertou que suas forças tratariam qualquer pessoa que fosse às ruas "a pedido do inimigo" como um "inimigo".>
"Todas as nossas forças estão prontas para defender a revolução e apoiar seu povo e seu país", acrescentou Radan.>
Em outro momento, um apresentador do Canal Três da televisão estatal iraniana dirigiu-se aos opositores da República Islâmica e àqueles que consideram protestar contra o governo.>
"Quando a poeira desta sedição baixar, iremos atrás de vocês", disse o apresentador. "Confiscar suas propriedades será o mínimo. Faremos vocês e suas famílias pagarem, estejam vocês dentro do país ou no exterior.">
Em 8 de março, a Procuradoria-Geral do Irã emitiu um comunicado alertando os iranianos que vivem no exterior de que, se cooperarem com o que descreveu como "inimigos hostis", poderão enfrentar punições severas.>
Citando a lei iraniana sobre a "intensificação da punição por espionagem e cooperação com Israel e países hostis", o comunicado enfatizou que qualquer "atividade operacional, cooperação de inteligência ou espionagem" para tais países pode resultar não apenas na confiscação de bens, mas também na pena de morte.>
Essas ameaças são um forte lembrete das ameaças enfrentadas pelos iranianos caso protestem contra o governo.>
Durante semanas de protestos antigovernamentais em dezembro e janeiro, pelo menos 7 mil manifestantes foram mortos em uma repressão sem precedentes pelas forças de segurança, segundo grupos de direitos humanos.>
Apesar disso, algumas lideranças fora do Irã tentam encorajar os iranianos a tomarem medidas contra o governo em um momento de fraqueza do regime.>
Na terça-feira (10/3), Reza Pahlavi, filho exilado do último xá do Irã, instou a população iraniana a obter suprimentos essenciais o mais rápido possível e a aguardar o que chamou de seu "chamado final".>
Em uma mensagem de vídeo, ele disse: "Para sua própria segurança, saiam das ruas e permaneçam em suas casas. Continuem as greves e não vão trabalhar. Para demonstrar sua união, mantenham os cânticos noturnos [contra as autoridades] com força.">
Pahlavi também se dirigiu a membros das forças militares e de segurança do Irã, dizendo: "Esta é a última oportunidade para vocês se separarem das forças da repressão e se unirem ao povo.">
Seu apelo veio no momento de intensificação da segurança dentro do Irã. Com a continuidade do bloqueio da internet, postos de controle foram instalados em vários bairros e ruas.>
Na quarta-feira, a agência de notícias semioficial iraniana Fars, próxima à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), alegou que drones israelenses alvejaram vários postos de controle em Teerã. A agência afirmou que vários militares foram mortos nos ataques e, citando fontes não oficiais, disse que "cerca de 10" pessoas morreram.>
A Fars citou uma fonte que alegou que a operação tinha como objetivo enfraquecer a presença de segurança em Teerã e criar condições para distúrbios ou protestos antigovernamentais. O relatório também alegou que a operação envolveu "monarquistas", referindo-se aos apoiadores de Pahlavi.>
Com a continuidade dos ataques militares, crescem as preocupações com as baixas civis e o aumento das tensões no Oriente Médio. Vários observadores alertaram sobre as consequências mais amplas da guerra para a vida dos civis, a segurança regional e os mercados globais de energia.>
Desde o início das hostilidades, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também se dirigiu ao povo iraniano, afirmando que Israel "criaria condições que permitiriam que vocês tomem o seu destino em suas próprias mãos".>
Netanyahu acrescentou ainda esta semana: "Esta é uma oportunidade única para vocês derrubarem o regime dos aiatolás e conquistarem a sua liberdade".>
As mensagens rivais dão uma ideia da intensa pressão que paira sobre os iranianos.>
As autoridades dentro do país alertam contra qualquer dissidência, enquanto vozes no exterior encorajam os iranianos a enxergarem o momento como uma oportunidade de mudança.>
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