Publicado em 7 de julho de 2025 às 08:39
O apresentador e chef Edu Guedes, 50 anos, passou por uma cirurgia para remoção de um tumor no pâncreas no último sábado (05/07), em São Paulo. A doença foi descoberta após uma crise renal, que motivou exames mais detalhados.>
O câncer de pâncreas é conhecido por ser silencioso e agressivo, porém ainda não há informações específicas sobre o estágio da doença de Guedes.>
O pâncreas é uma glândula essencial para o organismo, responsável pela produção de insulina, hormônio que permite a utilização da glicose como fonte de energia pelas células.>
A detecção precoce do câncer é fundamental para melhorar o prognóstico, possibilitar tratamentos menos invasivos e aumentar as chances de cura. No entanto, sintomas como dor abdominal, indigestão e perda de peso costumam ser discretos e ignorados, dificultando o diagnóstico inicial.>
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Nos estágios iniciais, o câncer de pâncreas geralmente não apresenta sintomas. Quando aparecem, o tumor já pode estar em fase avançada.>
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o diagnóstico precoce busca identificar tumores em fases iniciais por meio de exames clínicos, laboratoriais, endoscópicos ou de imagem, seja em pessoas com sintomas ou em grupos de risco.>
Atualmente, não há evidências científicas que comprovem benefícios superiores aos riscos do rastreamento populacional para esse tipo de câncer, portanto ele não é recomendado para a população geral.>
No Brasil, o câncer de pâncreas corresponde a cerca de 2% dos casos de câncer e 4% das mortes relacionadas à doença, sendo mais comum em pessoas acima dos 60 anos e predominante entre homens.>
Outros sinais possíveis:>
O estilo de vida saudável é a melhor forma de prevenção. É importante evitar o tabagismo (ativo e passivo) e manter o peso corporal adequado, já que sobrepeso e obesidade aumentam o risco de diabetes, que por sua vez eleva as chances de desenvolver câncer de pâncreas.>
De acordo com o INCA, cerca de 10% a 15% dos casos estão associados a fatores hereditários, como:>
Já os fatores não hereditários incluem:>
Estes últimos estão ligados principalmente ao estilo de vida e podem ser modificados.>
Além disso, a exposição ocupacional a solventes, tetracloroetileno, estireno, cloreto de vinila, epicloridrina, HPA e agrotóxicos também está relacionada ao risco aumentado. Trabalhadores rurais, da manutenção predial e da indústria petrolífera são os mais expostos a essas substâncias.>
Mas nem tudo são más notícias quando o assunto é câncer de pâncreas.>
"Durante muito tempo, tivemos a ideia que esse era um tumor contra o qual podíamos fazer muito pouco", explica Duílio Rocha, diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, em reportagem publicada em fevereiro de 2023.>
"Mas, nos últimos anos, tivemos uma série de avanços que melhoraram esse cenário. Hoje, a chance de cura é seis vezes maior do que há duas décadas, principalmente quando somos capazes de usar as melhores ferramentas para diagnosticar e tratar de forma precoce", complementa.>
Quando o tumor na glândula é detectado nos estágios iniciais, a cirurgia costuma ser a primeira alternativa para lidar com o problema.>
Agora, se a doença já evoluiu ou se espalhou para outras partes do organismo, os profissionais de saúde apelam para a quimioterapia ou para a radioterapia.>
Em alguns casos, a própria químio consegue diminuir o tumor, o que abre a possibilidade de fazer uma cirurgia para remover as lesões localizadas na glândula.>
Opções mais avançadas também começam a entrar em jogo. Uma delas é a imunoterapia, uma classe de medicamentos que estimula o próprio sistema imunológico do paciente a combater as células cancerosas.>
"Por ora, esses remédios só estão disponíveis para indivíduos com uma mutação genética específica, o que corresponde a cerca de 1% dos casos", aponta Siqueira.>
Outra novidade recente é o uso das CAR-T Cells, um método já aprovado contra tumores de sangue que consiste em extrair células imunológicas do próprio paciente, modificá-las em laboratório e reintroduzi-las no organismo, para que reconheçam e ataquem o tumor.>
"Esse, porém, ainda é um tratamento experimental, que precisa ser mais estudado", pondera a oncologista clínica.>
Embora o transplante de pâncreas seja uma opção para os pacientes com diabetes que têm complicações graves, ele não está disponível como tratamento contra o câncer. Isso porque essa cirurgia exige o uso de medicamentos que inibem o sistema imunológico — que, num paciente com esse tumor, fariam as células cancerosas se espalharem mais rapidamente para outras partes do corpo.>
Se as perspectivas terapêuticas contra o câncer de pâncreas evoluem, as orientações para prevenir a doença continuam as mesmas.>
"A nossa principal recomendação para evitar uma doença dessas é buscar hábitos de vida saudáveis", sugere Rocha.>
"Isso inclui manter um peso adequado, uma alimentação baseada em fontes vegetais e com pouca gordura saturada, praticar atividade física e evitar o tabagismo", conclui o médico.>
*Este texto foi originalmente publicado em fevereiro de 2023 e atualizado após o diagnóstico de Edu Guedes.>
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