Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 10:15
Horas após o inédito ataque dos Estados Unidos à Venezuela e captura do presidente Nicolás Maduro neste sábado (3/1), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou criticando a ação americana. >
"Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional".>
Caracas foi bombardeara por volta de 2 horas da madrugada, no horário local (3h no horário de Brasília). >
O silêncio de Lula ocorre num momento de estremecimento de sua relação com o antigo aliado venezuelano e de aproximação com o governo de Donald Trump.>
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À BBC News Brasil, o Itamaraty disse que ainda está apurando os acontecimentos na Venezuela para se manifestar. Nos últimos meses, durante a escalada da tensão entre os EUA e o país vizinho, fontes do Palácio do Planalto garantiam que a gestão Lula não deixaria de condenar um ataque ao território venezuelano. >
"Esse não posicionamento ou posicionamento tardio mostra a dificuldade do governo brasileiro em retomar a envergadura do Brasil dos anos anteriores, especialmente nos governos I e II de Lula", disse à reportagem Marsílea Gombata, professora de relações internacionais da FAAP e pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais (NUPRI) da USP.>
"Infelizmente, uma das primeiras manifestações na região veio do presidente argentino, Javier Milei, que comemorou o ataque exaltando a 'liberdade'", continuou.>
Na sua avaliação, faz falta nesse momento instituições fortes de articulação regional, como foi no passado a União de Nações Sul-Americanas (Unasul).>
"Lembremos que alguns momentos de tensão importantes tiveram a Unasul como um instrumento de mediação fundamental, como a crise da (Assembleia) Constituinte de 2008 na Bolívia", disse ainda.>
Já o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, criticou a ação americana na rede social X.>
Segundo ele, o Sistema Único de Saúde (SUS) de Roraima já absorve impactos da situação da Venezuela. O Estado faz fronteira com a Venezuela e há anos vem recebendo imigrantes do país vizinho.>
"Nada justifica conflitos terminarem em bombardeio. Guerra mata civis, destrói serviços de saúde, impede o cuidado às pessoas. Quando acontece em um país vizinho, o impacto é múltiplo para o nosso povo e sistema de saúde", escreveu.>
Já o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, disse que conversou com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, e que ele condenou os ataques.>
"Conversei por telefone com o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, que expressou sua forte condenação a este ato sem precedentes de agressão militar criminosa contra o nosso povo. Agradecemos sinceramente suas manifestações de solidariedade", postou Yván Gil na rede social X.>
Para a professora Marsílea Gombata, são aguardados momentos tensos na Venezuela.>
"Domesticamente, coalizões do chavismo e atores cruciais não ficarão parados. Eles se beneficiavam de Maduro no poder, e a não existência disso pode ser um problema. Ou seja, não serão dias e semanas tranquilas. Nem para os EUA.">
"Globalmente, China e Rússia, grandes aliados da Venezuela madurista, devem se manifestar prontamente condenando os ataques americanos. Resta ver o que estão dispostos a fazer", continuou.>
>Nós da @minsaude sempre queremos e trabalhamos pela PAZ. Nada justifica conflitos terminarem em bombardeio. Guerra mata civis, destrói serviços de saúde, impede o cuidado às pessoas. Quando acontece em um país vizinho, o impacto é múltiplo para o nosso povo e sistema de saúde. O…— Alexandre Padilha (@padilhando) January 3, 2026
Na rede social Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país realizou um ataque de grande escala contra a Venezuela e que o presidente Nicolás Maduro foi capturado, junto com sua esposa, e retirado do país por via aérea.>
Segundo Trump, a operação foi conduzida em conjunto com forças de segurança americanas. Ele disse ainda que mais detalhes seriam divulgados posteriormente e anunciou uma coletiva de imprensa para as 11h (horário local; 13h em Brasília), em Mar-a-Lago, propriedade do presidente no estado da Flórida.>
Explosões foram ouvidas e fumaça pôde ser vista subindo sobre a capital venezuelana, Caracas, na madrugada deste sábado.>
Vídeos gravados por moradores mostravam colunas de fumaça e detonações, além de algumas aeronaves voando a baixa altitude.>
Várias áreas de Caracas ficaram sem energia elétrica, segundo relatos de moradores e de jornalistas que colaboram com a BBC News Mundo, serviço de notícias em língua espanhola da BBC.>
As explosões começaram a ser ouvidas pouco depois das 2h deste sábado em locais como a base aérea de La Carlota, em Caracas, e em áreas próximas.>
Antes do post de Donald Trump afirmando a captura de Maduro, o governo da Venezuela havia denunciado o ocorrido como uma "agressão militar" dos Estados Unidos.>
"A República Bolivariana da Venezuela rejeita, repudia e denuncia perante a comunidade internacional a gravíssima agressão militar perpetrada pelo atual Governo dos Estados Unidos da América contra o território e a população venezuelanos, nas localidades civis e militares da cidade de Caracas, capital da República, e nos estados Miranda, Aragua e La Guaira.">
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